Notícias Militares

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

ACORDO COM A FRANÇA

Os EUA têm 6 das 11 mais ricas empresas na área aeronáutica e espacial do mundo, inclusive a primeira, a Boeing. Mas o Brasil está fechando um ambicioso plano estratégico com... a França.
A explicação objetiva -e, cá pra nós, inquestionável- é que a França transfere tecnologia de seus aviões, de seus submarinos, de seus helicópteros, enquanto os EUA não. Comprar equipamentos de defesa norte-americanos, assim, é mais ou menos como assinar um tratado de dependência.
Numa situação delicada qualquer, basta os EUA bloquearem o fornecimento e, pronto, lá se vai pela janela toda a capacidade de reação e de defesa do Brasil. Sem contar as perdas financeiras de compras nesse modelo.
Um exemplo concreto, bastante recente, é de quando a Embraer foi proibida de vender aviões para a Venezuela, porque eles tinham componentes americanos. Chávez comprou da Rússia. Só quem perdeu foram o Brasil e a Embraer.
Depois de décadas de dependência americana, o Brasil fazer "aliança estratégica" com a França não deixa de ser deveras instigante, até porque a França sempre foi uma espécie de líder de resistência na Europa ao tal "mundo unipolar".
O fato é que o ministro Nelson Jobim (Defesa) desembarcou em Paris com mil e uma idéias e pronto para acertar compras e/ou instalação de fábricas binacionais de submarinos nucleares, de submarinos convencionais, de helicópteros de carga franceses para as três Forças, além de caças para a FAB. Ontem ele admitiu "uma tendência a favor dos Rafale", que são franceses.
Agora, Lula e Sarkozy vão se encontrar no dia 15, na fronteira Brasil-Guiana. Vem recado por aí. A Venezuela se arma na Rússia, o Brasil transforma a França no seu principal parceiro na área de defesa. A crise americana pode não ser "apenas" na economia, mas também na política, com, por exemplo, perda gradativa do seu "quintal".

LEMBRANDO UM PASSADO REPUBLICANO

LEMBRANDO UM PASSADO REPUBLICANO


JORGE E. M. GEISEL





Júlio de Castilhos,Borges de Medeiros, João Neves da Fontoura, Oswaldo Aranha, Flores da Cunha, Gaspar da Silveira Martins, Joaquim Francisco Assis Brasil, Demétrio Ribeiro, Fernando Abbot, Pinheiro Machado, Gumercindo Saraiva, José Antônio Matos Neto, conhecido como General Zeca Netto, Honório Lemes e muitos outros gaúchos ilustres do passado republicano, traçaram as linhas da História enfrentando-se como leões na defesa de seus postulados políticos. Liberais ou republicanos positivistas, arvoravam-se defensores de federalismos, desiguais em quesitos de sistemas de governo, mas idênticos em relação ao grandioso conteúdo filosófico que institucionalizou a fundação da República em Federação.


O empobrecido estudo de nossa História, mais envolvido hoje em função das difusões ideológicas dolorosamente maniqueístas, amestradas pela ignorância e pelos maus propósitos, tem roubado de nossa infância e juventude a grande oportunidade de conhecer a obra de nossos melhores antepassados locais, regionais e nacionais, que oferecem bons exemplos de virtudes e que poderiam enobrecer seus sentimentos cívicos de honra e de amor ao torrão natal.


Na terra do Rio Grande do Sul, os governos residiam em padrões de decência, de retidão, de verdadeira moral política. Naquela época, nem os cofres do Banco do Brasil abriam-se aos favores por adesão política e nem a centralização tributária hiperbólica manietavam os Estados-membros da Federação, com seus reflexos danosos em perdas de autonomias confederativas. Mas, de certa forma, já eram esboçadas, como sério problema e discussões políticas acaloradas, até hoje sem solução definitiva, de uma partilha das rendas entre União e as unidades federativas. "Quanto ao Rio Grande, ele não deve inquietar-se, porque já se habituou, de longa data, a trabalhar e viver per se", já comentara Borges de Medeiros.


Naquelas paragens altaneiras, as disputas de homens e partidos eram frontais, de peito descoberto. As lanças, espadas e armas de fogo, decoravam as salas de visita das cidades e das rústicas estâncias, de prontidão farroupilha - um aviso prévio como o livre voar do quero-quero. Não havia lobistas, advocacia administrativa, compra e venda de apoios legislativos. Não se via, em páginas de imprensa ou nas tribunas, acusações a adversários de pleitos aviltados ou de covardia comprada por dinheiro...A política era constituída pelos mais capazes da ipsocracia rio-grandense.


Para que se tenha uma idéia da política gaúcha, na época dos chimangos e maragatos,repassamos alguns tópicos de importância da carta-circular reservada de Borges de Medeiros, aos chefes locais do Partido Republicano, orientando-lhes sobre a escolha das candidaturas de Getúlio Vargas e João Neves da Fontoura, para presidente e para vice-presidente do Estado no qüinqüênio 1928-1933 :


“Tratarei de expor sumàriamente os motivos que me levaram a preferir esses dois notáveis rio-grandenses a tantos outros que compõem a brilhante plêiade de servidores públicos, que se impuseram ao apreço e consideração geral.

A primeira cogitação, que nos deve preocupar, é a de assegurar a necessária continuidade política e administrativa, que tem sido a mais notável característica do governo rio-grandense e que é, porventura, a mais sólida garantia de ordem e progresso.

Mas a satisfação dessa necessidade orgânica exige da parte dos governantes o preenchimento de requisitos especiais, que se podem consubstanciar nos seguintes:

1º - o perfeito conhecimento teórico e prático do regime constitucional, cuja preservação deve ser artigo de fé inviolável, ressalvada a possibilidade de reformas secundárias, como as que se fizeram em 1922 e 1924; (Refere-se à Constituição Rio-Grandense...)

2º - a completa subordinação às normas e disciplina do Partido Republicano, cuja organização está identificada com a do próprio Estado, a ponto de não conceber-se a vida normal de um sem o apoio do outro;

3º - a comprovada competência jurídica, indispensável ao exercício regular da prerrogativa presidencial de legislar sobre o Direito judiciário em geral e sobre os serviços imanentes ao Estado;

4º - a capacidade administrativa revelada no exercício de funções públicas federais, estaduais e municipais, eletivas ou não, contanto que de elevada hierarquia;

5º - as qualidades práticas de atividade, firmeza, prudência e energia, indispensáveis ao trato dos negócios em geral, e mormente nas relações que envolvam o interesse público;

6º - a incorruptível moralidade privada e pública, assim como o prestígio individual perante a sociedade e as correntes políticas, a fim de que o governante se imponha ao acatamento público menos pela força material que por sua autoridade moral.”


Pode-se não concordar com os aspectos positivistas do republicanismo doutrinado por Júlio de Castilhos e por ele estatuídos na Constituição do Rio Grande, postos em prática pelas sucessivas reeleições de Borges de Medeiros na presidência do Rio Grande. Os federalistas, os maragatos, sob inspirações liberais de Gaspar da Silveira Martins, de Assis Brasil e de Rui Barbosa, lutaram com todas as armas contra o regime castilhista, que denominavam de “ditadura republicana”. Mas, nenhum deles, incluindo os próprios chimangos, imaginariam ser possível substituir os Estados Unidos do Brasil por uma república federativa de fancaria, governada por inescrupulosos e incompetentes. E, muito menos ainda, que os requisitos moralistas da carta-circular de Borges parecessem em 2008, uma simples tirada de mau humor guasca.


27/01/2008

A Confissão de Drceu

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

'CONFISSÃO DE DIRCEU PÕE EM DÚVIDA ARGUMENTO DE QUE LULA NADA SABIA'

Para ex-sub-relator da CPI dos Correios, declarações de ex-ministro justificam abertura de nova investigação parlamentar

Eugênia Lopes, BRASÍLIA

Sub-relator de movimentação financeira da CPI dos Correios, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) considerou uma confissão de crime as declarações do ex-ministro José Dirceu de que recursos provenientes de caixa 2 financiaram a construção da sede do PT em Porto Alegre - segundo entrevista à revista Piauí, "era com mala de dinheiro" que os recursos para pagar a obra chegavam. Para o tucano, o objetivo de Dirceu é enfraquecer o ministro da Justiça, Tarso Genro, petista gaúcho que nos últimos anos foi um crítico contundente dos métodos usados pelo ex-ministro da Casa Civil no comando do PT.

Os ataques do ex-ministro foram dirigidos mais explicitamente aos petistas Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, e Olívio Dutra, presidente do partido no Rio Grande do Sul. De acordo com ele, "esse pessoal" procurava o então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, peça-chave do esquema do mensalão, para pedir dinheiro. "Chegava para Delúbio e falava: 'Delúbio, preciso de 1 milhão.'" Quando não recebiam, contou o ex-ministro, acusavam a direção do partido de ser autoritária e de privilegiar sua própria corrente. "O pobre do Delúbio tinha de ir aos empresários conseguir doações. Aí, estoura o mensalão e esse pessoal vem dizer que o Delúbio era o homem da mala. O que não dizem é que a mala era para eles", declarou Dirceu na entrevista.



O episódio valeu uma cobrança do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, para quem a Receita Federal deve investigar o caso."Se a sede foi construída com dinheiro de caixa 2, que ela fiscalize. Ela não precisa da quebra generalizada do sigilo de dados para isso", defendeu anteontem. Para Marco Aurélio, a Justiça Eleitoral não pode investigar um assunto já passado.



Para Gustavo Fruet, as declarações justificam até a abertura de nova investigação parlamentar sobre o caso, pois põem em dúvida o argumento de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sabia do esquema do mensalão. "Era o braço direito do presidente da República", observa nesta entrevista ao Estado.

- As declarações dadas pelo ex-ministro José Dirceu servem para a abertura de uma nova CPI?

- Sou favorável a outra CPI, até porque muitas coisas não acabaram de ser investigadas. Existem informações enviadas à CPI dos Correios que até hoje não foram abertas, porque estão sob sigilo. Esse material está todo parado e só pode ser aberto se for criada uma comissão de inquérito sobre o mensalão. Mas acho muito difícil porque não temos maioria na Câmara para instalar uma CPI. Veja o caso da CPI da Crise Aérea, que só começou a funcionar por decisão do Supremo Tribunal Federal.

- Nada será feito com a confissão do ex-ministro?

- Acho que o procurador-geral da República deve juntar essa entrevista ao inquérito do mensalão, que está em andamento no Supremo Tribunal Federal. O Zé Dirceu sempre negou que soubesse do esquema montado pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Essa confissão do ex-ministro reforça também o fato de que o Delúbio não agia sem o respaldo do partido.

- As declarações do ex-ministro atingem o presidente Lula?

- Isso coloca em questão o argumento de que o presidente Lula não sabia de nada. O Zé Dirceu fez uma confissão e era o ministro da Casa Civil de Lula. Era o braço direito do presidente da República.

- Qual o objetivo de José Dirceu em confessar a existência de caixa 2 para construir sede do PT no Rio Grande do Sul?

- O Zé Dirceu retomou um tema que estava adormecido. Acho que ele fez isso para enfraquecer o ministro Tarso Genro. Além disso, o ex-ministro está contradizendo toda sua defesa, que afirma que ele não sabia de nada. Para mim, essas declarações são um recado interno. Existe uma briga interna no PT. E o Zé Dirceu se diz vítima do que chamou de falso moralismo de integrantes do partido, principalmente dos gaúchos.

- O que a oposição pode fazer com essa denúncia?

- Pela Câmara, nós podemos fazer um pedido de informação ao ministro Tarso Genro sobre as declarações de Zé Dirceu. Para mim, o mais grave é contra o Tarso Genro, porque ele é o ministro da Justiça. Ele tem de se explicar. O Zé Dirceu pode ter bala na agulha e pode estar querendo acuar o Tarso Genro. O ministro tem de vir a público esclarecer isso. Também vamos pedir para que essas denúncias sejam incluídas e investigadas no inquérito ainda em andamento na Polícia Federal sobre o mensalão.

- É o caso de convocar o ministro Tarso Genro?

- É claro. Mas onde isso tem chances de acontecer é no Senado. Na Câmara é pouco provável porque o governo tem maioria para derrubar nossos pedidos. Já no Senado é mais fácil, porque a oposição é mais forte. Como tem relação com o mensalão, acredito que o ministro poderia ser convocado para se explicar na Comissão de Fiscalização do Senado. Qualquer dos envolvidos pode ser convocado por uma comissão permanente da Câmara ou do Senado para dar explicações.

A OPINIÃO SENSATA DO GEN MALTA

Estimado Erildo,
O seu brilhante trabalho intitulado " O PREÇO DA HONRA" , está irretocável e merece os aplausos de todos que integraram ou ainda integram as nossas FFAA.
Para mim, em particular, foi um bálsamo a me aliviar na luta que venho mantendo há algum tempo, na tentativa de evitr a desunião entre todos nós.
Assim, para seu conhecimento, encaminho algumas das inúmeras mensagens que enviei ou recebi, tofdas versando sobre os mesmos temas: Lealdade, Confiança e UNIÃO.
Fraterno abraço,
Malta


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Estimado amigo,
O assunto é seríssimo.
A internet está recheada de mensagens de revolta contra o que está acontecendo , de descrédito nos Comandantes das Forças Singulares , de idéias e de soluções mirabolantes para o caos que o país ora vive.
Mantenhamos o olhar nas estrelas, sem esquecer de manter os pés no chão. Não somos sindicato grevista e tampouco devemos nos vivelar com esses marginais políticos que ora nos desgovernam.
Acreditemos nos Oficiais-Generais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica em serviço ativo. Só Deus sabe o que estão sofrendo na luta em busca de melhores dias para as FFAA e seus integrantes de ontem e de hoje. Não os acusemos de se venderem por quaisquer trinta moedas. É injusto, e todos nós o sabemos.
Nenhum deles vai deixar de cumprir o juramento que orgulhosamente fez. Disso tenho certeza.
Necessitamos, mais que nunca , de UNIÃO. Ativa e reserva UNIDOS é o que nos manterá fortes para , agindo e/ou reagindo, levar adiante essa luta .
Competência e capacidade não nos falta .Deixemos que a hierarquia , a disciplina e a lealdade ocupem o pódio dos nossos corações e aguardemos o toque da vitória.

Malta
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Estimado amigo,
O site abaixo apresenta incontáveis mensagens encaminhadas por companheiros nossos , quase todas de forma grosseira , desrespeitosa e desleal, a respeito dos Comandantes Militares e incentivadoras de revolta militar apenas por questões de vencimentos.
Todos somos sabedores que a situação ora vivida é constrangedora e deprimente para todos os militares e seus dígnos familiares. Mesmo assim, não creio que baixando o nível do embate possamos conquistar alguma coisa de louvável e dignificante.
Visita o site, leia as mensagens e comentários e tire suas conclusões.
Fraterno abraço,
Malta


http://www.militar.com.br/

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Estimado Coimbra,

Com o devido respeito que tenho a todas as opiniões contrárias às minhas, nada me impede de delas discordar.
Assim, não posso concordar que os nossos Chefes Militares sejam iguais a Renan, Sarney ....etc. ( e bem posso avaliar o que contém esse etc), uma vez que não vejo em nenhum deles esse oportunismo nefasto e pernicioso de quem se vende , qualquer que seja o valor a ser aceito. Eu sei que não o são. Você também sabe. Todos nós , militares,sabemos. Afinal, fomos forjados em aço de excelente têmpora e trilhamos os mesmos caminhos .
Ademais, servir ao fdp governo federal , não torna a todos indignos , como você registra. Essa é uma uma generalização pouco feliz.
Nossos Chefes Militares são bem mais dígnos do que podemos imaginar e suportam com estoicismo as mais diversas pressões de cúpula e de base , agindo sempre com tirocinio e serenidade na condução dos destinos de cada Força Singular. E se não estivessem agindo assim, como também o fizeram os seus antecessores desde a Independência, hoje não mais teríamos Forças Armadas gozando da admiração e da confiança do nosso povo e da nossa gente.
Atirar pedras compulsivamente não vai nos conduzir a um porto de águas calmas e cristalinas.
Continuo com a idéia de sempre: Com essas poderosas pedras que a nossa inteligência produz e nos permite arremessá-las via internet, vamos construir uma fortaleza de confiança ,respeito e lealdade em torno dos nossos Chefes Militares , dando-lhes assim mais ânimo e segurança na condução dos destinos de cada Força Singular.
Opiniões e discordâncias apresentadas, sem vencidos ou vencedores, continuemos sem as infindáveis réplicas ou tréplicas que acirram ânimos e distanciam amigos.
Receba o meu fraterno abraço, com a afeição sincera que une as almas dos verdadeirros soldados.

Malta

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Caro Gen. Malta,
Com atraso, devido à época de férias, tenho o prazer de responder à sua gentil mensagem. Sou civil, economista, cursei a antiga Escola Preparatória de São Paulo, turma de 1958, conhecida como a dos "Últimos da Rua da Fonte", pois de fato fomos os últimos a completar o curso naquela unidade, que no mesmo ano se se mudou para Campinas.
Gostei muito de sua mensagem pelas razões que expus ao Cel. Ustra.
Infelizmente a frustração de muitos militares se manifesta como revolta, às vezes contra os comandantes das FFAA, que cumprem a missão de chefiá-las nessa fase negra da nossa História.
É a mais infeliz das missões, contudo é das mais importantes.
A propósito, eu me lembro dum amigo, nomeado superintendente duma empresa federal de navegação fluvial, falida, deficitária e caótica. Trabalhou duro e ao final do mandato apresentou resultados que, na empresa privada, seriam medíocres. Só conseguira tapar buracos, diminuir prejuízos e evitar perdas. O deficit diminuíra, mas não fôra possível atingir o equilíbrio. Mas os números, bem examinados mostravam que sua gestão havia sido exemplar e, se aplicada a empresa viável, faria o superintendente brilhar entre as celebridades empresariais da moda. Na ocasião, ele me disse o que nunca esqueci: "Qualquer um administra superavit. Difícil é administrar deficit!" E eu pensei: "Mais difícil ainda é reconhecer o trabalho de quem o faz!"
Os comandantes da FFAA, quaisquer que sejam as suas limitações e vacilações - afinal, são homens de carne e osso, - estão cumprindo a amarga missão dos que não podem esperar vitórias, nem sequer evitar derrotas, mas pelo menos tentam preservar efetivos intactos e moral tão elevado quanto possível num teatro hostil, em que o governo, os políticos, a mídia, a classe intelectual e a opinião pública iludida questionam o passado, o papel e até a existência das Forças Armadas.
Dá para imaginar como deve ser a rotina desses comandantes? Fazem parte duma equipe, mas nela não se integram. Vivem no isolamento, sem saber o que se trama nos corredores ou quais os sentimentos e intenções dos seus chefes civis. Seus "colegas" de governo são traidores, terroristas, espiões, assaltantes, pelegos, demagogos, idiotas... Como será sentar-se com essa gente para tratar de coisas sérias, em boa-fé, fingindo que não são o que são? Como será receber ordens de alguém como Jobim?
É claro que isso não vai durar para sempre. Os políticos podem ser espertos, mas não são grandes estrategistas, nem podem sê-lo, pois seu horizonte não vai além da próxima eleição. O seu patrimônio moral já se esgotou. Traíram todas as promessas e ideais em nome dos quais tomaram o poder. O que os mantém no lugar é a inércia. Estão lá porque não há alternativa à vista, e permanecerão enquanto a apatia dos bons o permitir e a conivência dos maus ajudar.
Não tenho dúvida de que um dia, que não tardará, as FFAA serão chamadas a reassumir a sua função natural de garantes da integridade e da identidade da Nação. Se estiverem inteiras, rapidamente recobrarão sua energia, seu prestígio e sua autoridade.
Quem viveu no Planalto que o diga. Todo o ano, no inverno, o cerrado pega fogo. Vendo aquela devastação, parece que tudo acabou para sempre. Mas assim que caem as primeiras chuvas, o verde volta com redobrado vigor.
Nas épocas desfavoráveis, o melhor que se faz é preservar o essencial e aproveitar para tecer metodicamente a rede da resistência. No exílio político em que se encontram, os militares podem reconsiderar o passado e pensar no futuro, rever os objetivos, preparar-se, planejar e estar prontos. É preciso suscitar, ao lado da discussão e do protesto, uma atividade silenciosa, realista e eficaz, voltada para resultados.
Esse trabalho vem sendo desenvolvido, de modo espontâneo e (ainda) desorganizado, pelos diversos grupos da oposição, nos quais a atuação da Reserva das FFAA é destacada.
Dentro desse quadro o seu apelo, Gen. Malta, foi extremamente oportuno. Não tenho elementos para julgar a atuação dos nossos comandantes militares, nem sei se as críticas que lhes fazem são ou não procedentes. Talvez algumas até o sejam. Mas a crítica, se pode servir para orientá-los, pode também aumentar o seu isolamento, expondo ainda mais as FFAA à sanha dos seus inimigos.
É preciso fazer com que nesta hora a Reserva se organize como infraestrutura política para Ativa e como ligação entre esta e o mundo civil. Que seja o apoio, a raiz, o fundamento, a caixa de ressonância, e os comandantes o sintam e possam contar com ela para o bem, ou temê-la se se desviarem do caminho.
Para isso, é imprescindível que surjam mais líderes capazes de conduzir esse complicadíssimo processo.
Posso estar mal informado e errar por ignorância, mas essas são as minhas sinceras impressões.
Retribuindo agradecido o seu fraterno abraço,
AC Portinari Greggio
São Paulo, SP

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

CARTA DO MEU AMIGO CEL RUI

Prezado Cel ERILDO
MD Editor do Site " A CONTINÊNCIA ".
Ilustre amigo.

Desde sempre , tenho imensa satisfação em ler seus Editoriais/Textos ; são , sem favor algum , páginas de ensinamentos e de dedicação ao BRASIL e ao EXÉRCITO .

Modestamente e sem o talento necessário , tenho , também , escrito alguns textos a respeito da Situação Nacional e , em especial , sobre as FORÇAS ARMADAS e o EXÉRCITO BRASILEIRO.

Sou pouco , no entanto , o que sou , agradeço a DEUS , à Família e ao Exército.

O pouco que aprendi - dentro ou fora do Exército - foi graças aos ensinamentos/dedicação/exemplos/orientações de meus Instrutores/Professores/Comandantes/Chefes/Colegas.

Muito mais sei porque sou Velho Soldado do que por ser inteligente e/ou instruído.

Caro Cel ERILDO , você tem toda a razão quando preconiza uma UNIÃO dos Militares sobre tudo ( todas as coisas) e apesar de tudo ( que nos fazem).

Nunca estivemos necessitando mais de UNIÃO do que AGORA .

São incontáveis os que desejam a nossa desunião e , por conseqüência , a ( nossa) derrota.
Nunca estivemos tão ameaçados.

Era mais jovem , no entanto , lembro bem do que ocorria em fins de 1963 e início de 1964 quando as coisas tomavam rumos perigosos.
Éramos governados por insanos - quase tão perigosos quantos os de agora - , entretanto , se bem me lembro - tínhamos reações bem significativas ; haja vista , o que resultou em 31 de março .

Durante mais de 20 anos , tivemos Governantes Militares - o denominado Governo dos Generais - que por equívocos vários não completaram o que julgo , SMJ , deveria ter sido feito e fizeram coisas que , também , julgo erradas.
Para exemplificar :
- abafaram certas lideranças ( jovens ) que poderiam e deveriam ter substituídos os " rançosos políticos profissionais " e que , por incrível que pareça , continuaram por décadas e décadas a " influir na Vida Nacional ";
- por falsas preocupações em não parecerem " legisladores em causa própria " não dotaram as FF AA de força/poder/recursos/missões/tarefas mais condizentes com a realidade dos tempos que vivíamos ; cito , por oportuno , incontáveis Trabalhos de Civis e Militares a respeito , tais como os do Cel PÉRICLES (OS MILITARES E A GUERRA SOCIAL) e de muitos outros escritores/articulistas/comentaristas e/ou simples escribas ocasionais.

Caro Cel ERILDO , diuturnamente , penso em como sairemos dessa situação difícil ; não vislumbro - apesar dos esforços - líderes dispostos a enfrentar os desmandos que se passam no País.

Cito , em várias ocasiões , a relação de idiotices ditas em voz alta e em bom tom , pelo Sr LULA ; alguns jornalistas - fugindo do Chapa Branca que é a característica de nossa Mídia - relacionaram poucas entre as muitas frases pronunciadas de PÚBLICO e em TOM PROFESSORAL pelo Sr LULA ao longo do ano de 2007.

Parece até coisa de humorista :
- são centenas de tolices ditas com pompa e circunstância e , o pior de tudo , com o aplauso das platéias que abandonam suas condições de homens/mulheres e se transformam em claques nojentas;
- a adulação e a defesa de sinecura são palpáveis : homens/mulheres com conhecimentos/informações e formações escolares de alto nível se acocoram e incensam um insensato/megalomaníaco .

Prezado e ilustre Cel ERILDO , sou um Velho Soldado no ocaso da vida ; com lágrimas nos olhos , por exemplo , li o Artigo do Almirante SÉRGIO TASSO sobre o Desfile Naval( COPACABANA , RIO DE JANEIRO , RJ - Jan/2008) .
Que coisa mais linda e comovente : um Velho Marinheiro ( informou que serviu na Ativa por mais de 40 anos ) se vangloriando da NOSSA MARINHA DO BRASIL !!!!

Com lágrimas nos olhos , agora de tristeza e vergonha , também , assisti as declarações , por exemplo , do Ministro da Defesa no lançamento de um livro de meias-verdades e muitas mentiras , ameaçando os que " ... não concordassem com ele e não se calassem .." ; assisti , também pela TV , as cerimônias de Condecoração a pessoas que SEMPRE nos combateram ( a nós Militares e a nós Brasileiros ) e/ou NADA representam para as FF AA .
A ilustre e digna Sra MARISA , para exemplificar , merece meus respeitos como mulher , mãe , esposa e pessoa , no entanto , NÃO CONSEGUIRÃO DEMONSTRAR UM DEDAL DE SERVIÇOS PRESTADAS À FAB além , é óbvio , de ser passageira dos Aviões do GTE.

Circula pela Internet , sem desmentido , que ex-Chefes Militares foram recompensados com sinecuras : aqui , na PETROBRÁS e lá , em GENEBRA por concordarem com coisas que até o diabo duvida .

Não creio que tenhamos pusilânimes nas FF AA ; sei que , entre nós , deverá existir gente que se agita , às vezes , de um lado , às vezes , de outro , entretanto , sempre dentro dos trilhos .
Agora , nos apontam , gente que extrapolou e saiu dos trilhos.

Temo muito pelo futuro ; já não tenho esperanças no País de meus filhos : julgo que não há mais tempo para a recuperação.
Rezo para que tenhamos tempo para um verdadeiro País para meus netos .

Rezo para que tenhamos um País sem um idiota/megalomaníaco na Governança e um Congresso que pense além de seus mesquinhos e pessoais interesses.
Quando se busca informações sobre o Congresso , o que se encontra são os conchavos/alianças/lutas intestinas para Tais e Quais Cargos e Funções :
- o Ministro será do Partido X , porém o Ministro Substituto e/ou o Secretário Executivo será do Partido Y , muitas vezes , são pessoas de pensamentos e de planos absolutamente contrários .

Como poderá produzir um Ministério em que o Ministro nem sabe bem do que se trata . Ver , para efeito de exemplo , o Ministério da Defesa :
- criação esdrúxula do revanchista Sr FERNANDO HENRIQUE CARDOSO e com Ministros absoluta e totalmente desvinculados das FORÇAS ARMADAS .
O Ministro atual , com todo o respeito , não tem a mínima vinculação com as FORÇAS ARMADAS e de própria vontade , se jactou de ter fraudado a Constituição/1988 .

Enfim , ilustre Editor Cel ERILDO , seus textos bem como os de muitos Civis e Militares de boas intenções e de inegável patriotismo , nos trazem algum alento nessa escuridão dos Governantes/Dirigentes/Chefes.

Que DEUS nos ilumine .


Cordialmente
RUI GARAVELO MACHADO
Amigos para sempre e um pouco mais

EFEMÉRIDE

Efeméride

Antonio Sepulveda, escritor

Em 17 de janeiro, o Navio Hidrográfico Sirius da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil celebrou o qüinquagésimo aniversário de incorporação à Armada. Que importância teria essa efeméride para o povo desta terra?

Pois é. Infelizmente, são poucos os brasileiros cientes do que venha a ser um navio hidrográfico; pouquíssimos já ouviram falar do NHi Sirius; e um número ainda menor sequer desconfia da extrema relevância para o país da existência de instrumentos de progresso e desenvolvimento do calibre de um Sirius, cada vez mais raros neste nosso Brasil. Com efeito, sem as manchetes da mídia, existe uma fração de abnegados a trabalhar silenciosamente, com empenho e seriedade, no anonimato das grandes causas, que produz, de fato, resultados dos quais podemos nos orgulhar e que nos permitem uma pausa na triste realidade de um povo mergulhado na lama que jorra dos três poderes da república num dilúvio de incompetência e improbidade.

O NHi Sirius é referência significante na saga da hidrografia brasileira. Encomendado aos Estaleiros Ishikawajima, em Tóquio, coube-lhe a primazia de ser a primeira embarcação de grande porte da Marinha do Brasil projetada e concebida exclusivamente para o serviço hidrográfico, o qual consiste, principalmente, na realização de levantamentos geradores de cartas náuticas. Os números impressionam. Foram quase 90 levantamentos hidrográficos e oceanográficos — 3.941 dias de mar e mais de 755.000 milhas navegadas, equivalentes a quatro viagens à Lua — que proporcionaram segurança à navegação do transporte marítimo de 95% das riquezas nacionais; em outras palavras, sem a contribuição do Sirius, o crescimento do país estaria seriamente prejudicado neste último qüinqüênio.

Não apenas isso. A conclusão do levantamento da plataforma continental, batizado de Leplac, fato ainda desconhecido do grande público, é de imensa importância para o nosso desenvolvimento cientifico e econômico em longo prazo. A plataforma continental é a área marítima imersa que declina suavemente, a começar do litoral, até o abismo que mergulha da sua extremidade nas profundezas oceânicas. Após quase duas décadas de planejamento e trabalhos contínuos, a Marinha concluiu um extenso levantamento para estabelecer o limite exterior de sua plataforma continental. O NHi Sírius, uma verdadeira academia de ciências do mar, coletou dados oceanográficos da margem continental brasileira que serviram à confecção do Leplac. Os resultados indicam que o Brasil deverá incorporar à sua jurisdição uma área oceânica de cerca de 911.000 km2, além do limite de 200 milhas, em relação à qual terá direitos exclusivos sobre os recursos naturais, com um imenso acervo de informações.

Apesar do descaso e da ignorância de políticos mergulhados na mediocridade de um dia-a-dia de trapaças, a Marinha soube usar os minguados recursos que lhe sobraram de um orçamento viciado pelo assistencialismo e pela negociata política. O NHi Sirius acompanhou o desenvolvimento do estado-da-arte no preparo do pessoal e na qualidade do material. Nas palavras de seu atual comandante, "o Sirius, ao contrário das limitações biológicas dos seres humanos, quanto mais velho mais se revigora".

É lamentável que o poder político brasileiro não tenha vocação marítima. A escassez desse tipo de mentalidade emana da falta de consciência da potencialidade do país, da identificação errônea de prioridades para os objetivos nacionais permanentes e, sobretudo, de uma incorreta percepção qualitativa da necessidade de se alcançarem tais objetivos.

O povo respeita e enaltece a Marinha, porque ela tem um compromisso com o futuro do Brasil; o Brasil que deseja ser sério, o Brasil honrado, o Brasil do Navio Hidrográfico Sirius. O navio, todos os seus comandantes e todas as suas tripulações, em todos os tempos, merecem nossos efusivos cumprimentos pela data e os votos de que tamanho empenho, tanta dedicação e o eterno compromisso com a pátria não terão sido em vão.

Força Militar: Quinta-feira será mesmo o 'Dia D'?

Deu no O Dia

28/1/2008 01:56:00

Força Militar: Quinta-feira será mesmo o 'Dia D'?


Marco Aurélio Reis


Rio - A próxima quinta-feira poderá mudar a história da relação da família militar com a política. Chamada de "Dia D", a data será marcada por protestos de esposas de militares.

Diferentemente do que vem ocorrendo nos últimos quatro anos, os organizadores apostam que as manifestações não ficarão restritas a Brasília e contarão com número expressivo de militares da reserva e apoio silencioso de oficiais e praças da ativa. Se atingir seu objetivo, o movimento vai reproduzir pelo País a imagem de mulheres pedindo reajuste salarial para os maridos em frente aos Comandos Militares do Exército nos estados e em Brasília, na Praça dos Três Poderes. No Rio, os manifestantes programam concentração às 16h, diante do pomposo prédio do antigo Ministério da Guerra (hoje sede do Comando Militar do Leste), bem no meio da Avenida Presidente Vargas, ao lado da Central do Brasil.

A proposta é sensibilizar civis para o drama da caserna. Com vencimentos mais baixos que policiais federais e rodoviários, impedidos de ter um segundo emprego e proibidos formalmente de se unir em sindicato e fazer greves, os militares, por meio das esposas, querem a solidariedade dos civis, que nas pesquisas de opinião demonstram ainda acreditar nas Forças Armadas. Há quem aposte que o movimento de quinta-feira vai devolver aos militares a certeza de que só disputando cargos no Congresso Nacional eles poderão obter mais verbas para os quartéis.




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