Notícias Militares

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Rio se destaca, com PUC e IME




From: Carlos Romeu


Rio se destaca, com PUC e IME

Estado tem maior índice de notas máximas e de instituições com boa infraestrutura

Marita Boos e Itala Maduell



RIO e BRASÍLIA. Além de ser o estado com o maior percentual de notas máximas no Enade, o Rio também lidera o ranking de excelência na avaliação do Conceito Preliminar de Curso, que considera a infraestrutura da instituição: 4,29% das universidades, faculdades e centros universitários fluminenses receberam nota 5. A que recebeu mais vezes a nota máxima foi a PUC-Rio. A instituição aparece como a melhor instituição de ensino superior do país nos cursos de pedagogia, engenharia grupo I (cartográfica, civil, agrimensura, recursos hídricos e sanitária) e engenharia grupo VII (ambiental, minas, petróleo e industrial madeireira).

O Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio, aparece na lista dos melhores cursos do país sete vezes. Está entre os cinco melhores nas áreas de computação e informática, e em quase todos os grupos de engenharia avaliados pelo Enade 2008. Entre as com pior nota, a Uerj recebeu nota 1 no curso de engenharia grupo I.

A PUC-Rio comemorou os resultados e aguarda o detalhamento oficial para avaliar em que quesitos ainda pode melhorar. Além do primeiro lugar nos três cursos, a PUC ficou entre as cinco mais bem colocadas do país em outros cinco: ciências sociais (a melhor entre as instituições particulares e a 3ª do país); história, com o 3 ºlugar nacional; e engenharia química (3º lugar); arquitetura e urbanismo (a melhor particular e a 4ªdo país); e engenharia de petróleo (5º lugar).

- Ficamos muito satisfeitos. Isso reflete o nosso esforço pela qualidade dos cursos, a preocupação constante em oferecer as melhores condições aos alunos. Lutamos para estar entre as melhores do país, e nosso esforço é recompensado - afirmou o vice-reitor, José Ricardo Bergman.

Ele lembrou a tradição dos cursos de engenharia e pedagogia, e a alta qualificação do corpo docente. E recebeu com grata surpresa o bom desempenho na arquitetura, uma das caçulas da universidade.

Para o vice-decano de graduação do Centro Técnico Científico da PUC, Marcos Craizer, responsável pelos cursos de engenharia, a boa colocação se deve a uma combinação de fatores: bons laboratórios de pesquisa; muitos professores pesquisadores; e parceria com empresas no desenvolvimento de projetos.

- A PUC está sempre bem colocada, mas estamos felizes em sermos os primeiros do país. Temos interesse em ter bons alunos, e em geral disputamos os melhores alunos com a UFRJ.

No IME, seleção rigorosa no vestibular e um corpo de professores cuja qualificação é bem superior à exigida pelo MEC são apontadas como as duas principais razões que explicam o excelente resultado, segundo o chefe da divisão de Ensino e Pesquisa da instituição, coronel Edmundo Lopes Cecílio. O fato de ser um estabelecimento militar, com organização, disciplina e orçamento próprios, também foi destacado pelo coronel como um dos motivos de os cursos de engenharia terem alcançado os primeiros lugares no ranking.

- O IME é um quartel. Em média, anualmente, temos orçamento de R$8 milhões a R$10 milhões para infraestrutura. Verba aplicada nos laboratórios, na biblioteca, por exemplo - afirmou o coronel.

" Vexames e revanchismos nas FFAA


"VEXAMES E REVANCHISMOS NAS FORÇAS ARMADAS"


Tropa de Fome: Exército paralisa unidades uma vez por semana, até o fim do ano, por falta de verbas para comida

Por Jorge Serrão

Se o chefão-em-comando Stalinácio da Silva resolvesse ontem fazer uma visita de surpresa a uma unidade do Exército, daria com a cara no portão. O Cabo da Faxina – com sua vassoura armada em punho - lhe informaria que, por falta de verbas, principalmente para alimentação da tropa, o Exército resolveu paralisar as unidades uma vez por semana, até o fim do ano. O regime funcional de “meia-boca” só vai parar se o EB receber verba suplementar do Ministério da Defesa.

Além de mais esta folga, o Exército continua com o sistema de meio-expediente na segunda e na sexta-feira. Daqui a pouco, o governo do Foro de São Paulo sugere – e alguém aceita – a terceirização do EB por uma espécie de “Redwater”. Quem sabe um Exército vermelho, focado na “libertação nacional”, seja a solução? Certamente, sua tropa não viverá permanentemente “no vermelho” - como o nosso EB verde oliva.

Oficiais contrariados com a vergonhosa medida de interromper o trabalho por falta de verba reclamam, apenas nos bastidores, que Comandante do EB, General Enzo Martins Peri, teria o dever de expor, publicamente, tal problema, a fim de conseguir mais verbas de custeio, em caráter emergencial. O silêncio obsequioso das legiões sobre assunto tão grave incomoda. Talvez a turma da “reserva” ou da “reforma” proteste com mais veemência – o que nem vem acontecendo.

Enquanto o Exército passa fome, por falta de recursos, no último dia 20 de agosto, o General Enzo foi agraciado com o Colar “O Patriarca da Independência”. A honraria oferecida pela Sociedade Amigos do CPOR/SP (SOAMI) bem que poderia ser trocado por um prato de comida. Teria maior poder simbólico para a tropa.

O ministro da Defesa, Genérico Nelson Jobim, vai deixar o cargo em breve, com mais este desgaste público. Enquanto falta dinheiro para o “rancho”, sobra pirotecnia na mídia para alardear a Estratégia Nacional de Defesa (END) e as promessas de equipamentos modernos que serão adquiridos para a “Tropa de Fome”.

A doutrina é clara. Cabe às Forças Armadas catalizar e garantir o Núcleo Monolítico de Poder brasileiro, para assegurar a soberania nacional e sua integridade territorial. Cortes de orçamento, de prestígio e de autonomia são armas dos inimigos reais do Brasil para neutralizar nosso Poder Nacional.

Até quando a sociedade brasileira será conivente com um Exército submetido a vexames e revanchismos baratos?

COMENTO
Meus caros amigos, estamos diante de um quadro lastimável e caotico nas nossas Forças Armadas e que vem se arrastando desde do governo sociopata e corrupto de FHC, autor da MP 2215-10.

O desmantelamento, definhamento e sucateamento das FFAA, começou no governo passado e foi incrementado de forma sistemática pelo atual desgoverno dos corruptos e nocivos bandidos PETRALHAS.

Não é de hoje que o banditismo institucionalizado e a corrupção edêmica, tomaram conta da República principalmente da "gestacão" dos petistas.
Hoje vemos os três poderes da República, mergulhado num mar da lama, onde levaremos muitos anos para voltarmos a normalidade.

O momento é muito grave, o desmonte do país avoluma-se e o perigo é constante e iminente: o povo urge por uma solução, para tirarmos essa corja de bandidos e escróques que estão no poder da República, cometendo todos os tipos de crimes e bandidagens possíveis.

A EXPLOSIVA DESCOBERTA BRASILEIRA






A explosiva descoberta brasileira
Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil


BRASÍLIA - Uma revolucionária tese de doutorado produzida no Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército – Simulação numérica de detonações termonucleares em meios Híbridos de fissão-fusão implodidos pela radiação – pelo físico Dalton Ellery Girão Barroso confirma que o Brasil já tem conhecimento e tecnologia para, se quiser, desenvolver a bomba atômica.

– Não precisa fazer a bomba. Basta mostrar que sabe – diz o físico.

Mantida atualmente sob sigilo no IME, a pesquisa foi publicada num livro e sua divulgação provocou um estrondoso choque entre o governo brasileiro e a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), responsável pela fiscalização de artefatos nucleares no mundo inteiro. O pesquisador desenvolveu cálculos e equações que permitiram interpretar os modelos físicos e matemáticos de uma ogiva nuclear americana, a W-87, cujas informações eram cobertas de sigilo, mas vazaram acidentalmente.

Barroso publicou o grosso dos resultados da tese no livro A Física dos explosivos nucleares (Editora Livraria da Física, 439 páginas), despertando a reação da AIEA e, como subproduto, um conflito de posições entre os ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Celso Amorim, das Relações Exteriores. A crise vinha sendo mantida em segredo pelo governo e pela diplomacia brasileira.

A AIEA chegou a levantar a hipótese de que os dados revelados no livro eram secretos e só poderiam ter sido desenvolvidos em experimentos de laboratório, deixando transparecer outra suspeita que, se fosse verdade, seria mais inquietante: o Brasil estaria avançando suas pesquisas em direção à bomba atômica.

A AIEA também usou como pretexto um velho argumento das superpotências: a divulgação de equações e fórmulas secretas, restritas aos países que desenvolvem artefatos para aumentar os arsenais nucleares, poderia servir ao terrorismo internacional. Os argumentos e a intromissão da AIEA nas atividades acadêmicas de uma entidade subordinada ao Exército geraram forte insatisfação da área militar e o assunto acabou sendo levado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.

No final de abril, depois de fazer uma palestra sobre estratégia de defesa no Instituto Rio Branco, no Rio, Jobim ouviu as ponderações do ministro Santiago Irazabal Mourão, chefe da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do MRE, numa conversa assistida pelos embaixadores Roberto Jaguaribe e Marcos Vinicius Pinta Gama. A crise estava em ebulição.

Jobim deixou o local com o texto de um documento sigiloso entitulado Programa Nuclear Brasileiro – Caso Dalton, entregue pelo próprio Mourão. Mandou seus assessores militares apurarem e, no final, rechaçou as suspeitas levantadas, vetou o acesso da AIEA à pesquisa e saiu em defesa do pesquisador.

Num documento com o carimbo de secreto, chamado de Aviso 325, ao qual o Jornal do Brasil teve acesso, encaminhado a Celso Amorim no final de maio, Jobim dispara contra a entidade. “A simples possibilidade de publicação da obra no Brasil e sua livre circulação são evidência eloquente da inexistência de programa nuclear não autorizado no país, o que, se fosse verdade, implicaria em medidas incontornáveis de segurança e sigilo” criticou o ministro no documento.

Diplomacia

Amorim teria assumido uma posição dúbia, tentando contornar a crise sugerindo que o pleito da AIEA fosse atendido, pelo menos em parte, como convém sempre à diplomacia. A entidade queria que o livro fosse recolhido e exigiu dados mais detalhados sobre o método e as técnicas utilizadas pelo físico brasileiro. Insistia que o conteúdo do livro era material sigiloso. Jobim bateu o pé e, em nome da soberania e da clara opção brasileira de não se envolver na construção de arsenais nucleares – explicitada na Constituição – descartou qualquer interferência no setor.

Situado na Praia Vermelha, o IME é um órgão de pesquisa básica, com curso de pós-graduação e extensão universitárias para civis e militares, subordinado ao Comando do Exército. O ministro citou a banca examinadora do IME, formada por seis PhDs em física, entre eles o orientador de Barroso, Ronaldo Glicério Cabral, para garantir que a tese é trabalho teórico e sem vínculo com qualquer experiência realizada no Brasil. Jobim citou o respeito a tratados para afirmar que o Brasil tem credibilidade para pesquisar “à margem de suspeições de qualquer origem”.

Jobim enfatizou ainda que o recolhimento compulsório do livro, como queria a AIEA, implicaria em grave lesão ao direito subjetivo protegido pela Constituição. Em outras palavras, seria uma censura a uma obra acadêmica com a chancela do governo Lula. E ainda criticou a entidade que, segundo ele, não justificou os comentários sobre a obra e nem apresentou base científica para amparar o questionamento.

A crise é uma ferida ainda não cicatrizada. Jobim não quis dar entrevista sobre o assunto, mas confirmou que encaminhou o documento ao Ministério das Relações Exteriores, responsável pelas conversações diplomáticas com entidades como a AIEA. Procurado pelo JB, Amorim não retornou. O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) – o órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia responsável pelo apoio aos inspetores da AIEA – Odair Dias Gonçalves, também não quis falar.

domingo, 6 de setembro de 2009

A DIFÍCIL VIDA NA CASERNA


A DIFÍCIL VIDA NA CASERNA

Ternuma Regional Brasília

Gen. Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira


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A finalidade do Serviço Militar Obrigatório, fruto do sonho do grande Olavo Bilac – seu Patrono, repousa na preparação anual de contingentes de novos militares. Esta prática permite que um efetivo ponderável, após seu licenciamento, permaneça, na vida civil, durante alguns anos, em condições de atender com presteza, a qualquer chamamento da Pátria. É a formação e a manutenção de uma reserva, sempre renovada



Apesar de Obrigatório, o Serviço, há algum tempo é preenchido por voluntários, o que torna menos dolorosa a missão de recrutamento. O voluntariado, considerado salutar pelos bem - intencionados, tem aspectos negativos, pois, os menos preparados são os que escolhem servir às Forças Armadas. Evidentemente, um dos óbices é o nível escolar do recrutado, em geral baixo, o que traz prejuízos para o aprendizado, mormente, considerando–se o grau de sofisticação dos novos armamentos e equipamentos.



Aqueles jovens se predispõem a viver cerca de um ano, em quartéis, tendo alimentação, farda, exercícios físicos, alojamento, e onde privarão do convívio de outros jovens. Embora, o salário não seja convidativo, outras expectativas soam como um motivo razoável, inclusive o orgulho de trajar uma farda.



Atraem aqueles jovens, ainda, a possibilidade de seguirem na carreira, de conviver com determinado grau de risco, de vivenciar dentro e, segundo uma comunidade unida por densos laços, fato que envolve uma empatia entre seus membros, fator de união sustentada no apoio físico e psicológico recíprocos. É a oportunidade de o jovem incluir sua individualidade dentro de um grupo, o que lhe permitirá estabelecer comparações, agregar conhecimentos, vivências e amizades.



As Instituições Militares, por sua vez, empenham-se na preparação destes jovens, incutindo–lhes, além dos rudimentos para a execução das missões militares, através de treinamentos e exercícios que os aproximem da realidade do combate, os preceitos básicos de cidadania, de amor à Pátria, de camaradagem e de respeito, enfim, da criação e da preservação de valores e virtudes, que podemos, equivocadamente, chamar de militares, mas que de fato, deveriam ser o apanágio de todos os cidadãos.



Na verdade, as Instituições Militares são uma escola de cidadania, e para aqueles jovens, elas significam um segundo lar, uma experiência enriquecedora e ímpar na sua existência. Os jovens, após esta invulgar experiência agregam na sua formação e, por conseguinte no seu caráter, atributos, qualificações e elevados padrões que os acompanharão vida afora. É comum dizermos que ao adolescente que ingressa na caserna, entregamos à sociedade, um cidadão.



Assim, quando vemos que os quartéis, sob uma penúria inconcebível, não suportam nem alimentar seus soldados, entendemos que os prejuízos vão muito além de uma porca economia. Inicialmente, devemos considerar, que a dispensa do expediente, motivada pela falta de alimentação, impede a realização mínima das instruções e das atividades pelas quais os jovens foram incorporados. Além disso, considerando-se que no corrente ano, o efetivo incorporado sofreu um corte de 40%, e que as atividades relativas às atividades de segurança das dependências, cada vez mais impositivas no atual contexto de perversa criminalidade, empenham substanciais efetivos, o que dificulta e mesmo impede o cumprimento dos planos de instrução e a realização dos treinamentos e exercícios militares, concluímos que a incorporação, não atinge o seu objetivo maior, ou seja, estamos “brincando de soldado”.



Hoje, num País carente de valores e princípios morais, acreditamos que o maior prejuízo seja para a sociedade, que a cada ano vê diminuir o efetivo de jovens, com a oportunidade de conviver e apreender muito mais do que o emprego de armas, mas vivenciarem e respirarem o mérito da responsabilidade, a grandeza do cumprimento de uma missão, e de cultuarem a Disciplina e a Hierarquia, compreensões que lhes serão fundamentais no contexto de uma sociedade ordeira, trabalhadora e digna.



Finalmente, cumpre lembrar que a refeição em conjunto, como é o caso do rancho nos quartéis, é uma ocasião muito particular para a socialização do grupo, aspecto importante na formação do espírito de corpo, qualidade desejável para indivíduos que partilham os mesmos ideais, e que se comprometem a agir em uníssono para o cumprimento de missões. Portanto, ao reduzir o tempo do serviço militar, para menos de um ano, fato corriqueiro nos últimos anos, e diminuir o efetivo a incorporar, como é o caso deste ano, o desgoverno presta mais um desserviço à Nação.



Acreditamos que os Comandos das Forças Singulares têm plena consciência dos lamentáveis erros e empenham - se para evitá - los, mas é pena, que por vários motivos, que não cabem ser lembrados, seus argumentos soçobram sob interesses e prioridades espúrias do desgoverno.



É fácil imaginar as agruras que as Forças Armadas deverão sofrer, quando perderem suas autonomias para a compra de equipamentos e armamentos, segundo suas prioridades e, for estabelecido um novo nível hierárquico entre os Comandos das Forças e os detentores das decisões.



Logo, imaginamos que um número considerável de civis, bem ou mal – intencionados com elevados ou pífios conhecimentos, estarão dificultando, ou até obstando a obtenção de itens fundamentais para o mínimo exercício, com dignidade, das atividades profissionais.



Lembramos que hoje faltam recursos para a alimentação, acarretando dispensas do expediente, folgas indesejadas que apequenam e degradam os profissionais militares, tão ciosos de sua cidadania, de sua dignidade, de sua participação na soberania, na grandeza e no desenvolvimento da Pátria. Aos poucos, uma sombra de impotência e desânimo abate mesmo os mais fortes, reduzidos à mera situação de abonados funcionários burocratizados.



Infelizmente, vivemos sob a égide da desconstrução das Instituições Militares e da degradação e o aviltamento de seus profissionais.



Ser soldado é muito mais do que desfilar garbosamente no Sete de Setembro, e do jeito que as coisas vão, em breve, vai faltar o “garbo”.



Brasília, DF, 05 de setembro de 2009.

BRASIL DESFIBRADO


BRASIL DESFIBRADO

Maria Lucia Victor Barbosa

05/09/2009



Por conta de nossa formação histórica nunca tivemos uma mentalidade onde sobressaíssem valores que caracterizam certos povos. Quando a enorme colônia portuguesa foi dividida em capitanias hereditárias iniciou-se mais que uma divisão territorial uma cultura, cujos traços mais evidentes foram o individualismo, o autoritarismo, o patrimonialismo, o anticapitalismo.

Formaram-se naquelas sociedades dispersas traços culturais traduzidos em valores, atitudes, costumes, usos, tradições e comportamentos. Era uma maneira de ser, uma visão de mundo que definitivamente não incluía o sentido de pátria, nem o de espírito público, nem o de bem comum. No Brasil que aos poucos ia se moldando imperavam famílias patriarcais, em torno de cada uma gravitava um complexo clânico e uma massa de dependentes. Todos dependiam do senhor patriarcal e este foi a origem do poder personalizado que até hoje se cultua no Brasil. Dentro de suas circunstâncias este senhor subordinou os interesses gerais aos seu interesses particulares, exatamente o contrário do que existiu na formação de sociedades democráticas. Assim, desde o início, gerou-se no Brasil a sociedade desigual, onde a família e a clientela daquele senhor todo-poderoso se acomodaram de maneira passiva na dependência de um “pai” armado de castigo e recompensa.

Um longo estudo de nossa história seria impossível num pequeno artigo. Esse vôo mais longo eu tentei em um de meus livros, “América Latina – Em Busca do Paraíso Perdido”. Mas apenas como entendimento do presente a partir do passado, recordo que com a vinda da corte portuguesa, em 1808, instalaram-se de uma vez por todas no Brasil as características do velho Estado português. Como escreveu Raymundo Faoro em “Os Donos do Poder”: “os reis portugueses governaram o reino como a própria casa, não distinguindo o tesouro pessoal do patrimônio público”. E o Estado brasileiro nasceu também corrupto na medida em que para tudo se dependia dele, do seu excessivo quadro de funcionários, da morosidade típica do burocrata, correndo soltas as propinas para aligeirar licenças, fornecimentos, processos, despachos, etc. Em toda parte do desajeitado e ineficiente leviatã traficavam-se influências, negociava-se a coisa pública em proveito próprio.

Não se pode negar que o Brasil, em que pese manter seus contrastes regionais, suas disparidades de classes, em grande parte modernizou-se através de um processo de urbanização e industrialização. Estratos modernos se concentraram em centros urbanos mais adiantados, notadamente em São Paulo. Esse progresso, inclusive, provoca temor aos nossos vizinhos sul-americanos que nos vêem como imperialistas. Entretanto, persiste no país a mentalidade inicial, com agravantes que fazem parte da era de mediocridade, de vulgaridade, de ausência de valores, de decadência moral, intelectual e artísticas, traços que marcam a humanidade como um todo em que pese os grandes avanços científicos e tecnológicos alcançados no mundo de agora.

Impressiona observar um Brasil desfibrado nas cenas que se desenrolam no presente. Se sempre houve um poder centralizador, que a partir do Executivo subordinava o Legislativo e o Judiciário, o atual governo, “pai” armado de castigo e recompensa, interfere conforme seus interesses pessoais de poder no Congresso onde uma Câmara subalterna só faz o que seu “chefe” mandar. Se no Senado reside alguma oposição, posta em foco recentemente a figura de seu presidente lembrou tempos patriarcais, complexos clânicos, clientelas, abuso de poder, algo que como apontou José Sarney, não difere do comportamento da maioria de seus pares. Já o Judiciário, incluindo sua instância mais alta, segue a tradição da impunidade que premia os poderosos, percorre a trilha ilustrada pelo antigo ditado que se dizia nas colônias espanholas: “La ley se acata pero no se cumple. Sem medo de ser feliz, Antonio Palocci é alçado a candidato enquanto o caseiro mergulha nas trevas do esquecimento e das dificuldades.

Sem lei ficam desprotegidas as pessoas comuns, avança o estado de anarquia, fenece o Estado Democrático de Direito, deturpa-se a democracia, acentua-se o vale tudo da política onde apenas interessa o poder pelo poder. Quanto ao povo convertido em plebe é apenas mansa massa de manobra, anestesiada, tangida pela propaganda enganosa, pelo populismo, pelas ilusões do teatro de torpezas em que a política se aprofunda.

Já não se distingue mais quem comanda a Nação, se bandidos ou mocinhos, se narcotraficantes ou instituições e, significativamente, quando o presidente da República posa para a posteridade com um colar de folhas de coca e abraçado com um representante do “socialismo do século 21”, chega-se à triste conclusão de que fazemos parte de um Brasil desfibrado. Pior, desfibrado por nossa complacência, por nossa aquiescência, por nossa cumplicidade. Não é emblemático que o povo fique sempre do lado dos bandidos e não dos policiais?

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga

mlucia@sercomtel.com.br

www.maluvibar.blogspot.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

HONDURAS - CUBA: KERENKISMO


HONDURAS-CUBA: KERENSKISMO POLÍTICO E ECLESIÁSTICO

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Honduras-Cuba: kerenkismo político e kerenkismo eclesiástico


Armando F. Valladares


O kerenkismo político e o kerenkismo eclesiástico formam neste momento, independentemente das intenções de seus protagonistas, os dois dentes de um mesmo alicate que se esgrime contra a causa da liberdade em Honduras e Cuba, porém também na Venezuela, Bolívia e Equador



A América Central e o Caribe vivem uma das situações mais paradoxais de toda sua história: enquanto o “kerenkismo político” trata por todos os meios de dobrar a Honduras anti-comunista e empurrá-la ao abismo chavista, o “kerenkismo eclesiástico” estende suas mãos a Cuba comunista para perpetuá-la no pantanal castrista.



Uma importante comissão de eclesiásticos norte-americanos encabeçada pelo “moderado” cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston, e integrada por monsenhor Thomas Wenski, bispo de Orlando, Flórida, monsenhor Oscar Cantu, bispo de San Antonio, Texas, o padre Andrew Small, encarregado do episcopado norte-americano para as relações com a Igreja latino-americana e caribenha, e o padre Jonathan Gaspar, acaba de fazer uma prolongada visita à ilha-cárcere de Cuba, de 17 a 21 de agosto pp.



Desde sua chegada à ilha-cárcere, os altos prelados cobraram do presidente Obama a promessa que fizera de “um novo começo” nas relações dos Estados Unidos com Cuba comunista acrescentaram que Obama está sendo “muito lento” em cumprir essa promessa de reconciliação com o regime e lhe recomendaram “que não desperdice a oportunidade” de levantar o chamado “embargo” econômico norte-americano. Não em vão, o Granma, órgão oficial do PC cubano, apresentou essas notícias de uma maneira quase eufórica (cf. Granma, Cuba, 19 de agosto de 2009). Ao mesmo tempo, a Rádio Vaticana, citando como fonte o secretário da Conferência de Bispos de Cuba, monsenhor Juan de Dios Hernández, ressaltou o “clima de amizade e cordialidade” que imperou no encontro dos altos prelados com Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento comunista, insistindo na “grande cordialidade” e “dialogo fraterno” (cf. Radio Vaticana, 22 de agosto de 2009, Ed, em italiano www.oecumene.radiovaticana.org) entre os Pastores e o representante dos lobos.



Ao cardeal O’Malley, que revelou que viaja à Cuba há 20 anos, pouco lhe faltou para ver milagres nas relações entre a hierarquia da Igreja cubana e os ditadores cubanos, dizendo que existe uma “notável melhoria”, porém fez silêncio sobre a continuação da perseguição psicológica, política e policialesca contra os fiéis católicos abandonados por seus Pastores, e contra a população em geral (cf. Associated Press, 18 de agosto de 2009).



Monsenhor Wenski, membro do comitê de política internacional da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, pediu explicitamente o levantamento do “embargo” externo norte-americano, sem dizer uma palavra sobre a causa do problema cubano que é o implacável “embargo” interno, que já passa de meio século, contra a população cubana (cf. Associated Press, idem, ibid.). O alto prelado invocou também a “liberdade”, não precisamente para os fiéis católicos e o povo escravizado, senão para o intercâmbio entre Cuba e os Estados Unidos, um meio com o qual o regime conta para não sucumbir economicamente. Por fim, monsenhor Wenski desejou também que “ambas as partes”, governo norte-americano e regime comunista, cheguem a um entendimento e conciliação, e concluiu que para isso seria preciso que “escutem seus melhores anjos” (cf. Granma, idem, ibid.).



Quem poderão ser os “anjos” dos tiranos comunistas de Cuba, aos quais ingenuamente monsenhor Wenski invoca como mediadores-iluminadores, se considerarmos que o Papa Pio XI, em sua célebre Encíclica “Divini Redemptoris”, qualificou o comunismo não somente como “intrinsecamente perverso”, mas como “flagelo satânico”?



De qualquer maneira, estamos na presença de um dos mais lamentáveis episódios de colaboração comuno-católica, com rosto eclesiokerenskiano que, do lado norte-americano se remonta às viagens a Cuba dos “conservadores” cardeais Law, de Boston e O’Connor, de Nova York, com suas respectivas entrevistas com o ditador Castro e suas posteriores declarações elogiosas com relação a esse tirano. Tudo isso faz parte de uma sucessão de fatos que foram narrados cronologicamente e devidamente documentados em um livro editado por exilados cubanos, e que agora alcança sua maior atualidade (cf. “Duas décadas de progressiva aproximação comuno-católico na ilha-presídio do Caribe”, Cubanos Desterrados, Miami-Nova York, 1990).



O kerenkismo eclesiástico simula ignorar a causa do problema cubano, que é o implacável “embargo interno” do regime comunista contra toda a população cubana, e dessa maneira desvia a atenção e as críticas para um dos efeitos da instauração do regime comunista na ilha-cárcere, o chamado “embargo externo”. É a triste cena de Pastores que fortalecem os lobos e deixam as ovelhas famintas e indefesas.



Assim também, o kerenkismo político finge ignorar a raiz do problema hondurenho, as reiteradas ações inconstitucionais do destituído presidente Zelaya para chavizar Honduras com eleições populistas à margem da Constituição, as leis e o sistema eleitoral, que lhe permitiriam perpetuar-se no poder e impor o chamado “socialismo do século XXI”, que não é senão um sucedâneo do moribundo regime castro-comunista.



O recente informe da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA sobre Honduras, que acaba de visitar esse país, é o mais recente exemplo de uma longa sucessão de parcialidades, marcadas por dois indignantes pesos e medidas que afundam em um desprestígio moral maior ainda à OEA e os governos dos países que se prestam a essas manobras. Se os membros da CIDH reconhecem o destituído Zelaya como o legítimo presidente, isso é uma razão a mais para analisar com honestidade e imparcialidade não somente as alegadas violações de direitos do atual governo, como sobretudo para assinalar a causa do problema, que radica nas atitudes inconstitucionais de Zelaya, o verdadeiro e grande responsável pela encruzilhada na qual se encontra Honduras, assim como de maneira similar os ditadores Castro são os maiores responsáveis pela tragédia de Cuba.



Escrevo este artigo horas antes da chegada a Honduras de uma comissão de chanceleres e no momento em que a Corte Suprema de Justiça de Honduras emitiu um importante pronunciamento no qual se afirmam, dentre outros aspectos, que “a aplicação do plano de San José somente se pode fazer se apega-se à legislação nacional” e se adverte que os julgamentos iniciados por delitos contra a forma de governo, traição à pátria, abuso de autoridade e usurpação de funções devem se realizar porque, em caso contrário, “seria um autêntico contra-senso que a busca e a construção de acordos em um Estado de Direito se faça violentando ou deixando de lado a Constituição e as leis” (cf. El Heraldo, Tegucigalpa, 22 de agosto de 2009).



O kerenkismo político e o kerenkismo eclesiástico formam neste momento, independentemente das intenções de seus protagonistas, os dois dentes de um mesmo alicate que se esgrime contra a causa da liberdade em Honduras e Cuba, porém também na Venezuela, Bolívia e Equador. Inclusive, o chamado “eixo do mal” somente conseguiu avançar na América Latina pela complacência e pelo apoio, às vezes implícito, às vezes explícito, do “eixo kerenkista” ou “eixo da moderação” dos Obamas, Insulzas, Arias e Lulas.



Alexander Fyodorovich Kerenski (1881-1970), um socialista “moderado”, ocupou o cargo de último Presidente da Rússia antes da revolução bolchevique de outubro de 1917, tendo preparado a tomada do poder por parte do comunismo com sua política de concessões e, segundo alguns historiadores, até de traições.



O espectro de Alexander Fyodorovich Kerenski parece ter voltado a rondar nas Américas, por onde vaga periodicamente desde que se “encarnou” no presidente chileno Eduardo Frei Montalva, que pavimentou o caminho para o comunismo allendista e por isso passou para a História com a merecida pecha de “o Kerenski chileno” estampada indelevelmente em sua fronte. Tive ocasião de escrever um aspecto desse delicado problema em recente artigo “Kerenkismo obamista, Honduras e abismo chavista” (cf. Diario Las Américas, Miami, EUA, 24 de julho de 2009 El Heraldo de Tegucigalpa, Honduras, 23 de julho de 2009 Destaque Internacional, Internet, 21 de julho de 2009, texto reproduzido inclusive em lituano, com a ajuda de uma rede de voluntários, através de milhares de blogs, twitters, facebooks, orkuts e outras páginas web de mais de 30 países, especialmente do Brasil).



Porém, o espectro de Kerenski ronda em outros importantes governos e chancelarias das Américas, o qual, dependendo das circunstâncias, poderá chegar a ser motivo de próximos artigos-denúncia, todos os que sejam necessários, doa a quem doer, embora invariavelmente escritos de uma maneira respeitosa e documentada. Que a Providência ajude e fortaleça os defensores da liberdade em Honduras, em Cuba e no resto das Américas, porém, neste momento crucial, especialmente aos hondurenhos, dando-lhes o cêntuplo do espírito que deu a David em sua desigual luta contra Golias.



Tradução: Graça Salgueiro


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Armando Valladares, ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro.



Destaque Internacional, San José – Santiago – Madri. 24 de agosto de 2009. Está autorizada a livre reprodução, bastando citar Armando Valladares e seu e-mail

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

HINO, SÍMBOLO E RESPEITO




Hino, símbolo e respeito

Ernesto Caruso, 02/09/2009



Vai musa do passado

senhora do presente,

com todo respeito,

não cante o Hino mal cantado,

nem doente e juízo medicado.



Hino embaralhado,

versos trocados, dor no peito,

olhar espantado, platéia atônita

gente da mesa pasmada;

parecia explosão atômica

olhar esbugalhado,

sem saber o que dizer e fazer.



Sem controle, convite mal feito

ao Hino deturpado,

fora da lei, do compasso,

estrábico.

Não foi o primeiro.

Castigo só pra ser diferente

do Brasil pra frente,

sem aloprado e ponto decadente.





Retrato, pictórico,

etílico, governo, política e embaraço

espelha a não grandeza

com pizza e safadeza

com ministro da maconha,

presidente do colar de coca,

ridículo, boboca.

Esperar o quê

da gente no poder,

fora do ponto.

No palanque besteira, conto

da carochinha, abobrinha,

e no bolso conto e mais conto



Tristeza do papel televisado

choro do nosso coração

pelo Hino estraçalhado,

não do ufanismo da vibração,

tão comum; o seu já fez,

na solenidade, no esporte,

no pódio,

nunca como dessa vez

multiplicado, dobrado

por ela mãe, gente; deu pena,

e pelo canto incompetente.



Convidassem meia dúzia de soldado,

com porte, perfilado,

coral de gente, criança ensaiada,

um CD gravado, telão,

belas imagens, verso exposto,

acompanhado, bem sabido e cantado.



Façam o mesmo no estádio,

caraoquê da brasilidade,

Pátria, entusiasmo,

peito estufado, povão cantando

de qualquer idade,

aprendendo, sem ódio,

torcendo, mas se respeitando.