Notícias Militares

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A vala do Cemitério de Perus



A vala do Cemitério de Perus

Publicado no site http://www.averdadesufocada.com/



José Dirceu antes da plástica e de mudar de nome. Se tivesse a infelicidade da falecer de qualquer uma das milhares de causas possíveis, não se achariam os parentes, seria enterrado e esquecido. Existem muitas maneiras de se perder a vida, mas se estiver na lista dos desaparecidos, só existirá um culpado.
Os militantes das organizações terroristas, quando entravam na clandestinidade, abandonavam a família, os estudos, os amigos, a profissão e até o próprio nome. Tudo passava a fazer parte do seu passado.Para viver na clandestinidade, necessitavam de nova história de vida, de novos amigos, de novo nome, de nova identidade. Para isso não hesitavam em fraudar a lei. Nesse sentido, o mais comum era obterem uma nova certidão de nascimento, com o nome que passariam a usar. Com essa certidão compareciam a um serviço de identificação do governo, onde eram identificados e de onde saíam com uma nova carteira de identidade, legítima e válida para todos os efeitos legais. A partir desse momento, por meios criminosos, oficialmente, passavam a ser outra pessoa. Essa situação, em caso de arrependimento, era de longa e difícil reversão. Só poderia ser conseguida através da Justiça.
A exemplo deste fato, o jornal "O Globo" de 14/01/2007 publicou matéria de Evandro Éboli sob o título: "A dupla identidade de um clandestino na democracia". Segundo o publicado, Carlos Augusto Lima Paz recebeu, em1972, do PC do B, uma identidade falsa com o nome de Raimundo Cardoso de Freitas. Em 1985 ele entrou na justiça para retomar sua real identidade, mas não teve sucesso. Somente em dezembro de 2006, a Comissão de Anistia aprovou o direito de Raimundo voltar a ser quem é: Carlos Augusto.
Outro procedimento era receberem do Serviço de Inteligência da organização identidades falsas. As cédulas das carteiras de identidade, em branco, eram conseguidas nos assaltos aos Postos de Identificação do governo e as certidões de nascimento, em branco, também eram obtidas em assaltos aos Cartórios de Registro. Assim agindo, evitavam ser reconhecidos e presos caso procurassem um posto de identificação policial.
Creio que esse foi o caso de José Dirceu. Ao retornar de Cuba, ingressou no Brasil já com uma nova e falsa identidade, o que o permitiu continuar com suas atividades clandestinas. Casou, registrou um filho e fez negócios, usando essa falsa identidade. Creio que não foi fácil para José Dirceu, após a Lei da Anistia, voltar a usar o seu nome de batismo e deve tê-lo conseguido através da Justiça.
Só os Serviços de Informações possuíam fotos, geralmente desatualizadas, dos principais militantes das organizações terroristas.
Caso um militante, usando uma identidade com o nome diferente do seu, morresse num acidente, dificilmente seria reconhecido pelas autoridades policiais que atendessem a ocorrência.
Quando, porém, entre os documentos apreendidos em poder do morto era encontrado material subversivo, armas, bombas, etc, o DOPS ou o DOI (no caso de São Paulo) eram informados.
José Dirceu, se falecesse num acidente ou por doença, em Cruzeiro d'Oeste, nos idos de 1975 a 1979, teria sido sepultado legalmente com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Melo. Hoje, seu nome certamente estaria incluído na lista de desaparecidos políticos e os órgãos de segurança acusados de ocultação de cadáver.
Quando um terrorista, usando uma identidade obtida de modo criminoso, morria em combate, tínhamos que seguir os procedimentos normais para sepultá-lo.
Como seu nome não constava na nossa relação de terroristas procurados, ficávamos na dúvida, mas tínhamos a certeza de que, normalmente, por medida de segurança, eles trocavam suas identidades. Começava, então, o nosso trabalho em saber quem ele era na realidade.
Às vezes, pela fotografia, um companheiro de militância o reconhecia. Outras vezes, pesquisando no álbum de fotografias, por semelhança, obtínhamos seu nome verdadeiro.
Obrigatoriamente, eram tiradas as impressões digitais pelas autoridades policiais encarregadas do sepultamento e comparadas com as da carteira de identidade que portava. Confirmado que eram idênticas, o sepultamento era feito com o nome constante na carteira.
Suas impressões digitais eram enviadas aos Serviços de Identificação para que suas fichas datiloscópicas fossem comparadas e o verdadeiro nome oficialmente identificado. Isso demandava tempo.
No inquérito policial, aberto para apurar a morte, essa situação da dupla identidade era declarada, mas só a Justiça poderia fazer o morto voltar à sua primeira identidade.
Normalmente, as famílias nem sabiam de seu falecimento, apesar de noticiados em jornais, pois desconheciam os seus paradeiros. O morto era enterrado numa cova rasa, mas com a exata localização no cemitério. A qualquer momento, a sepultura poderia ser encontrada. Não era, portanto, sepultamento clandestino.
Em São Paulo, a maioria dos terroristas mortos em combate foi sepultada no Cemitério Dom Bosco, no bairro Perus.
Passado o prazo legal, que penso ser de cinco anos, como acontece em todos os cemitérios do País, se a família não retirasse os restos mortais e os colocasse num nicho ou em um jazigo, eles seriam exumados e enterrados numa vala comum, juntamente com as ossadas de outras pessoas que se encontrassem na mesma situação. A esquerda, dentro do quadro de revanchismo a que se impôs, explora essa situação e acusa as autoridades de enterrar os "presos políticos" em cemitérios clandestinos e com nomes falsos.
Em 1990, Luiza Erundina, então prefeita de São Paulo pelo PT, com a força do seu cargo, ajudou a esquerda nesse processo de "denúncias", criando a Comissão Especial de Investigações das Ossadas de Perus.
Em 4 de setembro daquele ano, a prefeitura de São Paulo abriu com grande estardalhaço, com manchetes e mais manchetes na mídia, a Vala de Perus, localizada no Cemitério Dom Bosco, na periferia da cidade, onde estavam enterradas 1.049 ossadas de indigentes e, possivelmente, de alguns terroristas.
Ainda em setembro desse ano, no dia 17, instalou-se na Câmara Municipal de São Paulo uma CPI para investigar as "irregularidades" na Vala de Perus.
De acordo com www.desaparecidospoliticos.org.br:
"em seis meses de atividades da CPI, foram realizadas 42 sessões ordinárias, uma extraordinária, várias diligências ao Sítio 31 de março de 1964, em Parelheiros, três visitas à Secretaria de Segurança Pública, cinco à Prefeitura Municipal, uma ao DHPD, duas ao Departamento de Comunicação Social da Secretaria de Segurança Pública, duas à Polícia Federal, duas ao Cemitério de Perus e duas à UNICAMP."
O Sitio 31 de Março, de propriedade do senhor Joaquim Rodrigues Fagundes, foi incluído nas investigações por vingança, pois eles não aceitavam que um sítio tivesse esse nome. Inventaram que nele estavam enterrados os corpos de muitos "desaparecidos". As máquinas da prefeitura revolveram o solo do sítio, deixando-o em uma situação lastimável. Como já se esperava, nada foi encontrado. Tudo não passou de um teatro, montado para a imprensa que, aliás, "esqueceu" de publicar o resultado das escavações.
No dia 09/04/2003, o Serviço Funerário do Município de São Paulo publicou no Portal Prefeitura de São Paulo, sob o título: "SFMSP ajuda a resgatar a história política do Brasil", uma matéria da qual destacamos:
"O Serviço Funerário também participou ativamente da localização das ossadas de mais de mil militantes políticos que foram assassinados e enterrados em vala clandestina do Cemitério de Perus. No dia 4 de setembro de 1990, os corpos foram exumados para análise e identificação."
Segundo a ONG Tortura Nunca Mais, foram 358 os mortos e desaparecidos em todo o Brasil e no exterior, incluídos os do Araguaia, os que se suicidaram, os que faleceram em acidentes de carro, os mortos em passeatas e arruaças.
Já Nilmário Miranda, em seu livro Dos filhos deste solo, aponta 420 mortos, dos quais 23, segundo ele, não têm motivação política e um dos "mortos", Wlademiro Jorge Filho, está vivo (página 468 do seu livro). O número portanto cai para 396 mortos.
De onde esse Serviço Funerário da Prefeitura, na época de Marta Suplicy do PT, tirou os mais de mil militantes políticos, enterrados na Vala de Perus?
Por que mentir de forma tão leviana? Por que empregar a teoria de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, de que a mentira, muitas vezes repetida, se torna uma verdade? Qual o interesse da prefeitura e por que a irresponsabilidade em afirmar o que é inverídico?
Segundo a matéria, nenhum terrorista foi morto em combate com os órgãos de segurança, todos foram assassinados, e a vala comum, que sempre existiu, passou a ser clandestina.
Segundo o site www.desaparecidospoliticos.org.br/perus.htm-25k- :
- Em 1973, a família dos irmãos Yuri e Alex de Paula Xavier Pereira descobriu que Yuri estava enterrado no Cemitério de Perus. Procurando o administrador do cemitério, localizou no livro de registros o sepultamento de João Maria Freitas, nome falso usado por Alex.
- Em junho de 1979, alguns familiares foram ao Cemitério de Perus e localizaram outros militantes mortos, sob identidade falsa, como Gelson Reicher, enterrado com o nome de Emiliano Sessa, e Luís Eurico Tejera Lisboa, enterrado como Nelson Bueno.
- Em 1992, foram identificados na Vala de Perus Denis Antônio Casemiro, considerado desaparecido, e Frederico Eduardo Mayr.
- No Cemitério de Perus foram identificados três esqueletos em covas individuais, como sendo de Helber José Gomes Goulart, Antônio Carlos Bicalho
Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones.
- No mesmo cemitério foram identificados os esqueletos das covas onde estavam enterrados Hiroaki Torigoe e Luís José da Cunha. Seus ossos foram retirados e enviados para o DML/UNICAMP.
A respeito do que está publicado nesse site, podemos acrescentar que:
- Denis Antônio Casemiro não é desaparecido. Segundo o livro de Nilmário
Miranda e Carlos Tibúrcio, foi enterrado com o verdadeiro nome.
- Hiroaki Torigoe faleceu em 05/01/72. Sua morte foi publicada no dia
seguinte no jornal O Estado de S. Paulo, onde consta o seu verdadeiro nome.
Apesar de se saber, através de fotografias, o nome de nascimento, foi enterrado com o nome dos documentos que portava ao morrer: Massamiro Nakamura.
Torigoe só foi identificado oficialmente depois de prolongada busca nos órgãos de identificação para a comparação das suas impressões digitais.
- Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher morreram no dia 20/01/1972, em tiroteio com uma equipe do DOI, após terem abatido a tiros de metralhadora o cabo Sylas Bispo Feche, desta equipe. As suas mortes foram tornadas públicas dois dias depois, em matéria do jornal O Estado de S. Paulo, onde constam seus nomes verdadeiros. Foram sepultados com os nomes constantes nos documentos que usavam ao morrer, João Maria Freitas (Alex) e
Emiliano Sessa (Gerson). Em novembro de 1980, a família de Alex retirou do Cemitério de Perus os restos mortais dos dois irmãos, Yuri e Alex, e os sepultou no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro. A família de Gelson Reicher, após exumar seu corpo no Cemitério de Perus, o sepultou no Cemitério Israelita.
- Frederico Eduardo Mayr, ao morrer no dia 24/02/1972, foi enterrado com o nome que usava: Eugênio Magalhães Sardinha.
- Yuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Corrêa e Marcos Nonato da Fonseca faleceram em 14/06/1972. A noticia de suas mortes foi publicada no dia 18/06/1972 pela imprensa, inclusive pelo Diário Popular, onde aparecem seus nomes verdadeiros.
- Helber José Gomes Goulart faleceu em 16/07/1973. Usava os nomes falsos de Walter Aparecido Santos e Acrísio Ferreira Gomes. Os jornais Folha da Tarde e Jornal do Brasil, do dia 18/07/1973, publicaram sua morte, com sua foto e nome verdadeiro.
- Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones faleceram em 30/11/1973. Suas mortes foram publicadas na imprensa, inclusive no jornal O Globo de 01/12/1973.
Recentemente, em 03/09/2005, os jornais do País publicaram matéria a respeito das ossadas de Flávio Carvalho Molina. Segundo o jornal Correio Braziliense:
"Flávio Carvalho Molina foi enterrado com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta, no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Posteriormente, seu corpo foi exumado e transferido para uma vala comum, junto com os restos mortais de outros presos políticos, enterrados como indigentes. Em 1990, a vala foi aberta e 1.049 ossadas exumadas, entre elas as de Molina."
A notícia é tendenciosa. Como já expliquei, Flávio tinha de ser sepultado com o nome que usava ao morrer, isto é Álvaro Lopes Peralta. Assim, o corpo foi encaminhado para autópsia ao Instituto Médico Legal, órgão do governo do Estado de São Paulo, a quem cabia, por força de prescrição legal, a responsabilidade pelo sepultamento. Também, quem lê a noticia é induzido a pensar que as 1.049 ossadas eram de "presos políticos" e não de indigentes.
A bem da verdade, Flávio Carvalho Molina foi sepultado na cova 14, rua 11, quadra 2, gleba 1, registro 3.054. Isso consta no Inquérito Policial, enviado à 2ª Auditoria Militar, em São Paulo. Se a sua família tivesse lido os jornais da época e se tivesse procurado as autoridades, como o fez em julho de 1979, saberia onde estava enterrado o seu ente querido e poderia, como o fizeram outras, tê-lo exumado, evitando que, após cinco anos, sua ossada fosse sepultada na vala comum, juntamente com indigentes.
Que fique bem claro, Flávio Carvalho Molina não foi enterrado clandestinamente nem com nome falso; paradoxalmente, o último nome que usava também era verdadeiro.
Em junho de 2006, a mídia publicou, com grande destaque, a identificação da ossada de Luís José da Cunha, o "Crioulo", que morreu em combate em meados de 1973 e teria sido enterrado no cemitério de Perus como indigente.
Ao final da década de 60, "Crioulo", após regressar de Cuba, onde fizera curso de treinamento de guerrilha, destacou-se como um militante e terrorista de prestígio na sua organização, sendo escolhido membro do Comando Nacional da ALN em 1973.
Com a experiência desse treinamento, desempenhou importante papel na formação de vários jovens que se atiraram na luta armada, levando muitos a morte.
Foi segurança e homem de confiança de Marighella, o ideólogo do terror.
No dia 29/06/2006 o Correio Braziliense publicou a seguinte matéria:
"A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos anunciou ontem a identificação, por amostras de DNA, da ossada do guerrilheiro Luís José da Cunha, mais conhecido como "Crioulo", da Ação Libertadora Nacional (ALN). Emboscado em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, por uma equipe do Destacamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). "Crioulo" foi morto em junho de 1973 e enterrado como indigente no Cemitério de Perus, na zona oeste da capital paulista.
Os autos da autópsia, recuperados pela Comissão de Mortos em 1995 revelaram que ele foi "brutalmente torturado até a morte e teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação, só possível agora com os avanços da medicina legal", segundo o presidente da comissão Marco Antonio Barbosa.
Nos arquivos do regime militar, o laudo original, assinado pelo médico Harry Shibata, descreve a morte como conseqüência de um tiro em confronto com a polícia. "Só a autoria já colocava o laudo sob suspeição e agora fica provado que era mais uma farsa", disse Barbosa, ao lado da viúva de "Crioulo", a também ex-militante da ALN Amparo Araújo. "Os ossos foram localizados há 15 anos durante as escavações no cemitério, para onde a Oban, destinada a eliminar inimigos do golpe militar, mandava as vítimas. A maior prova de que "Crioulo" foi submetido a tortura, como demonstra o segundo laudo determinado pelo governo, é que, na foto cadavérica, aparecem 11 lesões graves, típicas de suplício, só no rosto dele"."
Profissionais competentes se fossem comprometidos com a verdade; se tivessem o interesse de resgatar o fato e o comparar com as versões para bem informar; e se explorassem a veia investigativa que estimula e diferencia o profissional da informação dos profissionais de ocasião, por certo pesquisariam nos jornais de São Paulo/SP de julho de 1973 e encontrariam artigos sobre o assunto em questão, o que lhes permitiria informar aos leitores com maior precisão.
O bom e competente jornalista dá um colorido especial ao fato e às circunstâncias que o envolvem, estimulando a elaboração de uma matéria que mais se aproxime da verdade, enquanto que o repórter sectário e manipulador constrói e deforma a história, segundo interesses e conveniências políticas e ideológicas.
A respeito da morte de Luís José da Cunha, "Crioulo", ocorrida em julho de 1973, e não em junho como publicou o Correio Braziliense, os fatos se passaram como a seguir é descrito:
Durante uma ronda realizada por uma Turma de Busca e Apreensão do DOI, às 14 horas e 30 minutos do dia 13/07/1973, na altura do nº 2000 da Avenida Santo Amaro, foi observado um indivíduo com as características de Luís José da Cunha. Estabelecido o cerco, o suspeito foi abordado para identificação, reagindo violentamente com sua pistola automática e procurando se evadir.
Na tentativa de fuga, o terrorista procurou se apropriar do carro onde estavam as jovens Silvia Maria B. Prata, RG 6.094.658, e Patrícia Maria Ernesta Cennacchi, ferindo-as levemente com sua pistola. As duas foram socorridas no Pronto Socorro Santa Paula.
Após intenso tiroteio, o suspeito caiu ferido, vindo a falecer quando transportado para o Pronto Socorro Santa Paula.
O morto, confirmadas as suspeitas, era Luís José da Cunha, que, na ocasião,
portava documentos falsos com o nome de José Mendonça dos Santos.
Como "Crioulo" não foi preso e nem interrogado, seu "aparelho", situado na rua Bom Pastor nº 2326, bairro do Ipiranga, São Paulo/SP, só foi localizado no dia19 de janeiro de 1974. Nele foram encontrados documentos falsos com os nomes de Luís de Oliveira, Oswaldo de Almeida e Antonio Milton de Morais, cinco recibos de entrega de Declaração de Rendimentos e duas vias do CIC nº 413841488, em nome de Luiz de Oliveira. A Receita Federal foi avisada para dar baixa desses nomes falsos, declarados por "Crioulo".
Luís José da Cunha foi enterrado no Cemitério de Perus com o nome falso que portava, em uma cova identificada. Sua morte foi publicada com destaque na imprensa. O Jornal da Tarde, de São Paulo/SP, no dia 14 de julho de 1973, um dia após a sua morte, publicou matéria, onde consta o nome verdadeiro de "Crioulo".
Como a família não procurou os restos mortais desse dirigente nacional da ALN no prazo legal, seu corpo foi exumado e transferido para o ossuário do cemitério.
A exploração política, ideológica e comercial do assunto, o desrespeito ao tema e às pessoas envolvidas, emocionalmente ou não, e as acusações grosseiras e infundadas que não resistem a uma pesquisa séria e cuidadosa, permite refutar com lógica, com equilíbrio, com fatos e com provas, a farsa dessa calúnia.
É ridícula e sem nexo a afirmativa do presidente da Comissão de Mortos de Familiares e Desaparecidos, Marco Antonio Barbosa, de que "Crioulo" teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação e ser sepultado como indigente, o que demonstra a má fé da afirmação.
Se é verdade que a cabeça foi encontrada separada do corpo, a hipótese provável é que a separação tenha ocorrido no ato da exumação da cova rasa para o sepultamento na cova coletiva.
Como se pode verificar, os corpos de todos esses terroristas não foram enterrados clandestinamente. Foram enterrados oficialmente, com os registros feitos na administração do cemitério. As autoridades do DOPS e do IML que providenciaram os seus sepultamentos jamais ocultaram seus cadáveres. Todos foram sepultados em covas individuais, todas identificadas.
A farsa do Cemitério de Perus, publicada com alguma insistência e de forma irresponsável, sem nenhum cuidado jornalístico de preservação da verdade, nem mesmo pelo denominado jornalismo investigativo, continua até hoje enganando o povo e acusando, de maneira sórdida, as autoridades policiais, daquela época, de ocultação de cadáveres. A repercussão na imprensa dos sepultamentos de Flávio Carvalho Molina e de Luís José da Cunha demonstra do que eles são capazes quando querem mentir.
Retirado do livro " AVerdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" - do Cel Ref Carlos Alberto Brilhante Ustrta

domingo, 31 de agosto de 2008



JOÊNIA MORENA, JOÊNIA, VOCÊ SE PINTOU...




Quando vi Joênia Batista Carvalho no STF com o rosto pintado, advogada e "índia", confesso que também senti uma coisa: acídia! Não sabem o que é? Procurem por "acédia" no Houaiss. Uma certa moleza, prostração... Uma wapichana chamada Batista Carvalho já renderia um pequeno tratado sobre o processo de colonização e miscigenação no Brasil. Eu não sabia se acendia uma fogueira na sala e começava a bater o pé no chão para acordar os mortos (as danças festivas são diferentes: nesse caso, você deve bater o pé no chão...) ou se pegava a Constituição. Na dúvida, fiquei ali, inerte, mesmerizado por aquele espetáculo. Era uma representação brechtiana, ciente de sua farsa? Era um troço stanilavskiano, com a personagem realmente completamente dentro do papel? Ou era só Arrelia?Joênia advogada é fruto da chegada à região da detestável "civilização", já que é formada em direito pela Universidade Federal de Roraima. Os índios de Raposa Serra do Sol não vivem mais da pesca, a não ser aquela que se faz nas águas turvas e perturbadas da antropologia da reparação. Mandou bala: "A terra indígena não é só a casa onde se mora, é o local onde se caça, onde se pesca, onde se caminha. A terra não é um espaço de agora, mas um espaço para sempre". Nem que tivesse combinado com o ministro Ayres Britto, relator da questão, teria havido tamanha identidade: ele disse que a "terra indígena" é um ente. E exaltou, em nossos silvícolas, que ele chama "aborígines", a harmonia entre homem e natureza.Tanto Joênia quanto Britto — além da parcela "indianista" da imprensa — querem nos fazer crer que os ditos índios de Raposa Serra do Sol vivem como... índios. Pois é... Alguns mentem de caso pensado porque obterão benefícios se a farsa prosperar. Outros embarcam numa ilusão porque acreditam estar fazendo, de algum modo, justiça histórica.
O país dá, assim, curso a uma fantasia de resultados desastrosos. Reitero: o país reserva 13% do território nacional a, no máximo, 750 mil índios (0,41% da população) — boa parte já integrada à nossa cultura. E quais são os benefícios dessa política? Por acaso os índios conquistaram algum forma de autonomia econômica? Conseguem viver por seus próprios meios? Não! Mas, ao menos, preserva-se a terra onde estão? Também não. Boa parte delas acaba sendo invadida por madeireiras, garimpeiros e toda sorte de bandoleiros — e com a conivência dos índios.A visão estupidamente preservacionista acaba por jogar os índios na marginalidade — e se formam, entre eles, como é caso dos cintas-largas, verdadeiras gangues armadas que submetem seus pares a um estado paralelo. Joênia, a esta altura, é tão índia quanto qualquer um de nós. Basta atentar para a sua retórica cheia de jacobinismo reparador.Ah, mas como encanta, não? Imaginem: de um lado, Francisco Rezek de terno e gravata, representando aqueles brancos detestáveis. De outro, Joênia com o rosto pintado, parecendo uma personagem de alguma farsa de Padre Anchieta — só que, desta feita, os demônios são mesmo os brancos...Quando você quiser encontrar o paraíso, leitor, já sabe o que fazer: tente um autorização especial para passar alguns dias naquele planeta chamado Raposa Serra do Sol. Gravei o voto do ministro Ayres Britto e estou convencido de que, sem os arrozeiros, não há lá perdão porque não pecado; não há cupidez e lucro porque "não há competição"; não há maldade porque homem e natureza são "unha e carne"; não há ambições desmedidas porque ela é contida, como é mesmo?, pelos aspectos "telúricos" do povo.À tarde, na GloboNews, vi a entrevista de um índio bigodudo, falando com todos os esses e erres. Estava em Brasília, lá no STF. Levava um cocar na cabeça que mal disfarçada o ornamento de pura teatralidade. Num dado momento, referindo-se a seus companheiros, afirmou que "as bases estavam tranqüilas". Como? "Base"? Eu conheço esse vocabulário. É próprio da linguagem esquerdopata- sindical, levada para Raposa Serra do Sol pelo Conselho Indigenista Missionário, uma das correntes da Escatologia da Libertação. A propósito: a prova da pureza indígena da reserva é que uma das fortes clivagens locais se dá entre índios católicos e índios evangélicos. Isso não é mesmo "podre de índio"?Por enquanto, o placar está um a zero para a Fundação Ford, que financia o Conselho Indígena de Roraima, a entidade que representa a minoria dos índios da região e que quer expulsar os produtores rurais que ocupam 0,7% da dita reserva.
Por Reinaldo Azevedo

BRASILEIROS VERSUS ÍNDIOS


BRASILEIROS VERSUS ÍNDIOS



Ternuma Regional Brasília
Gen. Bda RI Valmir Fonseca Azevedo Pereira
Em 180 páginas, o salomônico Ministro Relator do STF atropelou o óbvio, despedaçou o bom senso, subordinou - se às pressões externas, e entregou de bandeja, ao desgoverno, a cabeça dos brasileiros, em geral, e dos nacionalistas, em particular.
Em 180 páginas, verberou e reverberou suas não – dúvidas. De roldão, massacrou todas as alegações e contraditórios contra a homologação contínua de mais um Mega - Latifúndio Indígena. Presunçoso, partiu da premissa de que os contrários eram pobres de espírito, tacanhos e, visceralmente, contra os pobres silvícolas brasileiros.
Estribado em copiosa e tendenciosa argumentação, endossou a inconseqüência. E o fez com pompa.
“O Estado de Roraima é grande, a perda do território indígena, ainda o fará maior do que o Sergipe” (diga-se que o Ministro é sergipano, Terra do notável Tobias Barreto, que deve estar se revirando no túmulo, pelo antipatriotismo de seu conterrâneo).
Estupenda lógica. Que os roraimenses dêem os braços para os sergipanos e vão chorar noutra freguesia.
Na visão planetária do enclítico Ministro o Planeta Terra deveria pertencer ao Homem de Neandertal. Basta que reclame.
Repete – se a pantomima encenada no STJ, aonde por unanimidade de seu Plenário foram descartadas todas as alegações que condenavam a homologação da insensatez.
E, recordemos, não estava em julgamento a concessão de um território para uso e usufruto indígena. É conhecida a existência de imensas áreas já distribuídas pelo território nacional destinadas aos índios (12º do nosso território). E, elas são de tal porte, que maliciosos ousam, apesar de decisões anteriores dos desgovernos do FHC e do imperial Molusco, a questioná – las.
Nunca, fora posta em questão se os silvícolas teriam direito ou não a uma reserva indígena na região. Questionava - se, sim, sua continuidade e dimensão.
Para a compreensão do Ministro Ayres Britto, não pairava a menor dúvida. Assim como a Cesar, o que é de Cesar ceda - se aos índios o que é dos brasileiros.
E, como nada mais disse, irrompeu porta afora com um sorriso de escárnio no rosto.
Brasília, DF, 30 de agosto de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

REVANCHISMO COISA NENHUMA


Revanchismo coisa nenhuma
Olavo de Carvalho


Na mesma semana em que pela primeira vez a classe militar esboça uma reação coletiva à perseguição de seus membros acusados de tortura, o juiz Baltasar Garzón desembarca no Brasil anunciando que vai puni-los se o governo local não o fizer, e dois porta-vozes da ONU aparecem nos jornais pontificando que "está mais do que na hora de o Brasil enfrentar esse assunto da anistia".


Está mais do que na hora, digo eu, é de os nossos militares entenderem que as tentativas de rever a Lei de Anistia não são mero "revanchismo" e sim uma vasta operação internacional, montada com todos os requintes do planejamento racional, da execução cuidadosa e do timing preciso, para quebrar a espinha das Forças Armadas latino-americanas e obrigá-las a escolher entre colocar-se a serviço da estratégia esquerdista continental ou perecer de morte desonrosa.


A astúcia com que o governo brasileiro pulou fora de um confronto direto com os oficiais reunidos no Clube Militar, deixando a parte suja do serviço para seus aliados estrangeiros que com sincronismo admirável se ofereciam para a tarefa, é mais do que suficiente para ilustrar o que digo.


O tratamento dado a essas notícias pela mídia nacional também não é mera coincidência e sim um componente vital da trama. Um despacho da Agência Estado, reproduzido por toda parte, apresenta os dois homens da ONU como "peritos". O termo visa a dar ares de isenção científica ao que dizem contra a Lei de Anistia, mas para que esse engodo funcione é preciso sonegar ao leitor, como de fato os jornais sonegaram, qualquer informação substantiva sobre o curriculum vitae dos entrevistados. O primeiro, Miguel Alfonso Martinez, foi nomeado para a Comissão de Direitos Humanos da ONU por Fidel Castro em pessoa, o que significa que está lá para encobrir os crimes da ditadura cubana sob uma cortina de acusações a governos bem mais inofensivos. O segundo, Jean Ziegler, suíço, entrou na mesma comissão em abril deste ano, sob os protestos de mais de vinte países, que não gostaram de ver nesse cargo um notório amigo e protetor de ditadores truculentos como Robert Mugabe, do Zimbábue, Muamar Khadafi, da Líbia, Mengistu Haile Mariam, da Etiópia, e o próprio Fidel Castro. Ziegler criou mesmo o "Prêmio Muamar Khadafi de Direitos Humanos", que soa mais ou menos como "Prêmio Mensalão de Ética e Transparência". Se o leitor soubesse dessas coisas, entenderia que os dois patetas falam apenas na condição de paus-mandados do comunismo internacional, e que ao apresentá-los como "peritos", sem mais, a mídia nacional desempenha papel exatamente igual ao deles.


Mesmo o sr. Baltasar Garzón, por trás de sua fachada de campeão dos direitos humanos, permanece um desconhecido para a multidão dos brasileiros. Em 2001 ele recebeu um vasto dossiê contra Fidel Castro, mas respondeu que nada faria a respeito porque seu tribunal não tem jurisdição sobre governantes em exercício. O critério jurídico aí subentendido já é por si uma monstruosidade abjeta, pois significa que, para escapar ao senso justiceiro do sr. Garzón, tudo o que um ditador tem de fazer é permanecer no governo até à morte, em vez de devolver o poder ao povo como o fez o general Pinochet. O caso torna-se ainda mais escandaloso porque Fidel Castro agradeceu publicamente ao juiz a gentileza da sua reação e porque anos depois, quando Castro apeou do poder, Garzón não deu o menor sinal de perceber que ele tinha ipso facto caído sob a sua jurisdição.


Da minha parte, não tenho a menor dúvida de que essas pomposas iniciativas contra violadores de direitos humanos, sempre unilaterais e escancaradamente alheias ao senso das proporções, que é a essência mesma da justiça, têm no fundo um único objetivo: acostumar a população mundial à idéia de que assassinatos em massa são um direito inalienável e até um dever moral dos ditadores de esquerda, ao passo que qualquer violência incomparavelmente menor praticada contra comunistas é um crime hediondo cujo autor deve ser exposto à execração universal.._,_.___

domingo, 24 de agosto de 2008

DESAFIANDO O RIO MAR



Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar
“Novos Rumos”

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 25 de agosto de 2008.

“A partida para o Alto Purus é ainda o meu maior, o meu mais belo e arrojado ideal. Partirei sem temores; e nada absolutamente me demoverá de tal propósito”. (Euclides da Cunha)

- Reapresentação do Projeto

No dia 19 de agosto de 2008, no salão Brasil do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), o velho Casarão da Várzea, reapresentamos, em nome da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS), da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) e da Associação dos Amigos do Casarão da Várzea (AACV) o Projeto Desafiando o Rio-Mar ‘Novos Rumos’. O evento foi abrilhantado com a apresentação do coral dos alunos do CMPA e contou com a presença de amigos, professores, autoridades, empresários e imprensa de Porto Alegre.

- Objetivos do Projeto

O Rio-Mar não se trata apenas de uma aventura, mas, sobretudo, de um grande projeto multidisciplinar e interdisciplinar com uma face pedagógica bastante definida. A Descida do Rio Solimões de caiaque visa a reconhecer seus principais afluentes, observar a fauna, flora, hidrografia, relevo, entrevistar autoridades locais e representantes dos povos da floresta. A proposta visa a despertar a juventude brasileira, para que, com conhecimento de causa, seja capaz de exercer uma pressão-cidadã, no sentido de reverter o maior esbulho do patrimônio brasileiro, atualmente em curso.

- Respeito à Natureza

A escolha do caiaque, como meio de transporte, baseou-se em dois requisitos fundamentais: experiência como canoísta profissional e respeito à natureza. A experiência já havia sido consagrada nas águas do Mato Grosso do Sul onde conquistamos o campeonato estadual em 1989, singrando águas brancas, quedas d’água e provas de longa distância. Numa época em que tanto se propugna pelo respeito à natureza, o caiaque sintetiza o meio de transporte ideal para ser usado na ‘Terra das Águas’. Seu deslocamento silente não afugenta, não atemoriza a fauna, as remadas firmes e cadenciadas seguem o ritmo da natureza sem agredir a flora e a ausência de motores à combustão não polui, não macula os rios.

- Treinamento

Na oportunidade, mostramos o rígido plano de treinamento em que estabelecemos obstáculos bem superiores aos que iremos enfrentar na ‘terra das amazonas’. Em um ano e 5 meses, percorremos 10.700 km. Enfrentamos no Lago Guaíba e Lagoa dos Patos, ondas de até 1,5 metros, ventos de 30 nós e temperaturas extremas. Procurando testar nossos limites, estabelecemos percursos superiores a 70 quilômetros de extensão e, em todas as oportunidades, tivemos a satisfação de atingir com sucesso as metas propostas. A mais arrojada destas provas foi, sem dúvida, o ‘Desafio Professora Silvana Pineda’, quando cruzamos o farol de Itapoã e superamos os umbrais da Lagoa dos Patos em uma navegação de 80 quilômetros em 11 horas. Uma prova que se iniciou às quatro horas da madrugada na mágica noite do dia 07 de fevereiro de 2008 em que as estrelas cadentes e o céu claro nos brindaram com sua esfuziante beleza. A chegada, exatamente às 18h, após ter conseguido manter o mesmo e compassado ritmo dos 4 nós por hora, convenceu-nos de que estamos preparados.

- Clube de História

As professoras Silvana Schuler Pineda e Patrícia Rodrigues Augusto Carra, ambas do Clube de História, engajaram- se desde o início de corpo e alma no projeto, acreditando na nossa proposta e tiveram a capacidade de captar as razões dessa obstinada missão, por isso resolvemos reproduzir, aqui, suas considerações.

“Uma travessia. Uma aventura. Não sabemos bem. Talvez apenas um homem comum tentando entender aquilo que é humano, mas tão doloroso. Talvez uma perda tentando se transformar em vida. Quem sabe um encontro consigo, com seu passado. Quem sabe uma tentativa de reunir forças para seguir uma viagem solitária muito mais difícil que o solitário desafio contra o rio-mar. Conviver durante anos com o Coronel Hiram nos permite ir pensando sobre alguns dos motivos que o levam à Tabatinga. Mas, ainda assim, um certo mistério permanece. Muitos foram os viajantes que relataram suas impressões e vivências acerca do Brasil e da Amazônia: ‘Entre os viajantes que visitaram o Brasil, deixando testemunhos escritos sobre o que viram, ouviram, leram e refletiram estão: representantes diplomáticos, cultivando relações políticas e econômicas; naturalistas, exploradores e cientistas, deslumbrados com a nossa flora e fauna; homens de negócios, vislumbrando lucros; artistas, que souberam captar o elemento novo, a situação diversa, os traços e os passos da brasilidade em formação; religiosos, missionários que se dedicaram, sobretudo, à população aborígine; capelães de missões européias; profissionais liberais; oficiais da marinha; técnicos; geógrafos; aventureiros; governantas; pintores; artesãos; jornalistas; foragidos; engenheiros, médicos e também educadores que enfrentaram grandes distâncias tentando transmitir às crianças brasileiras a educação européia’. (Augel, 1980)

Se pensarmos nos viajantes que relataram o Brasil a partir de suas profissões, dos interesses que orientaram seus olhares e impressões, o Coronel Hiram constitui um observador diferenciado. Não é o militar, não é o professor, ou o pesquisador que ruma à Amazônia. Quem vai à Tabatinga talvez seja um homem apaixonado pela vida e pela experiência de ter vivido em meio a essa região momentos pessoais e familiares intensos e inesquecíveis. Seu olhar sobre a região é terno. Repleto de lembranças. Não há laboratórios, governos, grupos de pesquisa que pretendam lançar novos produtos no mercado financiando sua viagem. Há o homem, sujeito histórico do seu tempo com suas preocupações enquanto cidadão, brasileiro, com suas paixões e com suas histórias de vida. Este desafio conta com a particularidade deste olhar pronto para reconhecer paisagens já visitadas; audaz o suficiente para estranhar e admirar o novo; humilde no respeito à natureza e aos humores do rio-mar; humano para reconhecer o outro em seu espaço e se permitir viver a humanidade que nos traga a permanente experiência de nos escrever.

Histórias de viajantes são tidas como olhares estrangeiros contando a realidade que divisam ou divisavam. Neste momento, temos vários olhares estrangeiros vislumbrando a Amazônia e suas particularidades: fauna, flora, população, histórico. Mas quantos brasileiros estão envolvidos no projeto de se permitir navegar pelas águas da região e, imersos nas preocupações de brasileiro, visam a falar das suas observações e dizer da importância desta região para nós e para o mundo? Quantos olhares brasileiros viajam e conseguem voz para dizer de suas visões?

É possível que esse homem encontre outros brasileiros remando pelas águas da região e some estas vozes aos seus relatos. Também é possível que viaje solitário e encontre refúgio apenas nas populações ribeirinhas. Mas, eis um projeto de um brasileiro - navegar e se navegar pelo Amazonas. Para nós, pesquisadoras, o Cel. Hiram não é um viajante. Não é um estrangeiro que pretende relatar ao mundo como é o Brasil. É um brasileiro, alguém que vive neste país e que permanecerá nele terminada sua navegação. Que precisa discutir, como todos os brasileiros, as questões da região norte. Portanto, para nós, ele é um navegante. Alguém que nos traz informações, que observa, que vê, que olha. Que aprende e que ensina. Alguém que se modificará nas águas da Amazônia. E que nos reciclará com sua navegação”. (Professora Patrícia Rodrigues Augusto Carra e Professora Silvana Schuler Pineda)

- Obstáculos ao Projeto

“Quando surge um problema, você tem duas alternativas: ou fica se lamentando, ou procura uma solução. Nunca devemos esmorecer diante das dificuldades. Os fracos se intimidam. Os fortes abrem as portas e acendem as luzes”. (Dalai Lama)

Por imposições determinadas pelos escalões superiores fomos obrigados a limitar o projeto a dois meses (dezembro-janeiro), com saída prevista de Tabatinga em 1º de dezembro de 2008 e chegada a Manaus em 29 de Janeiro de 2009. Pretendemos, se o Grande Arquiteto permitir, dar continuidade ao mesmo nos anos seguintes.

Infelizmente, o patrocínio, que já contávamos como certo, da Petrobras, não foi confirmado. E a última notícia, de 1º de Agosto de 2008, que recebemos da Coordenadora Geral Madeleine Braga da THE KEY, Organizações e Marcas Cidades, foi a seguinte: ‘Ainda não temos como precisar a data de pagamento. A gerência de Comunicação Institucional do Abastecimento da Petrobras, que nos contratou para supervisionar seu projeto, está passando por modificações, e isso pode estar impactando nos repasses’. Desde então, não tivemos nenhum retorno da Petrobras apesar de insistir diariamente em obter informações.

- Boas Novas

Parceiros
Em contraposição aos óbices que nos foram impostos, alguns aspectos positivos se apresentaram. Contamos, agora, com dois fiéis companheiros de viagem: o Coronel Flávio André Teixeira, ex-aluno do CMPA que possui, no Exército Brasileiro, os cursos de Forças Especiais, Pára-quedismo, Comandos, Salto Livre, Comunicação Social e Operações na Selva, na Colômbia o curso de Lancero e ainda, na sociedade civil, os de Auditor Líder e Perito Ambiental. A veterana canoísta e bacharel em Turismo Fabíola de Arruda Verga que está realizando Pós-Graduação em Cooperação e Integração Internacional, em Rosário, Argentina, e atuou como voluntária em projetos sócio-culturais nas comunidades indígenas, camponesas e ribeirinhas do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Meus parceiros tão-logo tomaram conhecimento do projeto ‘Rio-Mar’ vestiram, com paixão desassombrada, a ‘camiseta’ nos apoiando com todos os contatos e orientações possíveis e vão nos acompanhar, remo a remo, nessa jornada Épica.

Patrocínio de amigos
Nossos amigos, irmãos e mestres Cristian MAIRESSE Cavalheiro e Daniel Luis Costa SCHERER financiaram minhas passagens aéreas e o transporte do caiaque.
Meu Irmão maçom e ex-colega CMPA, Luiz Felipe M. Regadas, da Skysulbra Rastreamento de Veículos nos disponibilizou um GPS com todos os pontos de controle já armazenados e equipamento de rastreamento via satélite instalado no caiaque.

Divulgação
Os professores Capitão Alexandre José Kowalski de Oliveira, Professora Silvana Schuler Pineda e a Capitão Eneida Aparecida Mader têm nos auxiliado na formulação dos artigos relativos ao projeto-aventura e a questões amazônicas. Graças à minha querida amiga Rosângela Maria de Vargas Schardosim, de Bagé, temos conseguido a divulgação dos mesmos em diversos periódicos nacionais.

Apoio familiar
Tenho conseguido levar a bom termo nossos objetivos graças à compreensão, apoio e incentivo de meus filhos Vanessa, Danielle e João Paulo, e meu irmão caçula Dr Carlos Henrique Reis e Silva e sua querida família.

Alimentação e Pousada
A Polícia Militar do estado do Amazonas (PM/AM), seguindo determinação de seu comandante, Coronel Dan Câmara, vai nos apoiar com pousada e alimentação nas localidades em que paramos para o pernoite e que possuam destacamentos da organização. Graças a uma feliz coincidência, o atual subcomandante da PM/AM, Tenente Coronel PM Luiz Cláudio Leão, o então estagiário 16, um grande e especial amigo, concluiu conosco o Curso de Operações na Selva em 1999 no CIGS.

- Conclusão

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

Independente de todas as dificuldades encontradas, de todos os obstáculos que ainda possam surgir, eu, acompanhado de meus fiéis parceiros e apoiado pelos abnegados amigos e familiares, cumprirei, parodiando as palavras do ilustre brasileiro Euclides da Cunha, ‘meu mais belo e arrojado ideal’. Não perdemos as esperanças de que ainda surjam patrocinadores, preocupados com a soberania nacional.

---------------------

Solicito publicação
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

PLANO PARA MODERNIZAR MILITARES


Brasil conclui plano para modernizar os militares
Projeto será entregue a Lula no Dia da Independência
BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá no próximo dia 7, quando se comemora a Independência do Brasil, o Plano Nacional de Estratégia de Defesa, considerado pelo chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, ministro Mangabeira Unger, "uma iniciativa sem precedentes na nossa história". ­ Trata-se de proposta de qualificação abrangente das Forças Armadas, por meio do vínculo indissolúvel entre o desenvolvimento do país e a Defesa ­ disse. Segundo o ministro, a estratégia não está sendo formulada a propósito de qualquer sentimento de ameaça por qualquer país do mundo. ­ Na América do Sul ou em qualquer parte do mundo não temos inimigos ­ explicou. ­ Por isso, o nosso trabalho tem como foco o futuro do Brasil. Nós nunca tivemos em toda a nossa história nacional uma grande discussão civil a respeito da Defesa e agora estamos determinados a ter. Mangabeira afirmou que a proposta foi encomendada por Lula no dia 6 de setembro do ano passado, e não objetiva apenas equipar as Forças Armadas. Ela envolve a qualificação e a reorganização das Forças Armadas ­ Tudo em torno de uma cultura militar pautada pela flexibilidade, pela imaginação e pela audácia ­ acrescentou. ­ Elas devem ter capacidade para surpreender e desbordar. A estratégia de Defesa prevê a reorganização da indústria brasileira de defesa quanto na parte privada quanto na estatal, conforme o ministro, e propõe também o aprofundamento do serviço militar obrigatório. ­ Se o Brasil quiser desbravar um caminho próprio no mundo, precisa poder dizer não quando tiver que fazê-lo e ter escudo contra ameaças e intimidações ­ esclareceu. ­ Precisa ter espaço para afirmar nossa originalidade coletiva.
MANGABEIRA ­ "É uma iniciativa sem precedentes na história"
Antonio Cruz/ABr

sábado, 23 de agosto de 2008

Seu Garzón, o senhor é um fanfarrão !



Seu Garzón, o senhor é um fanfarrão!
Por Reinaldo Azevedo

Recebi hoje algumas dezenas de comentários, no tom que vocês podem imaginar, "esfregando na minha cara", como disse um dos mais exaltados, as palavras do juiz espanhol Baltazar Garzón, que defende, na pratica, a revisão da Lei de Anistia brasileira. Segundo o valente, os homens são cidadãos do mundo, e o estado espanhol tem o direito de decretar a prisão de qualquer torturador, em qualquer parte do planeta! Ele está no Brasil a convite do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, um notório revanchista.Parece tão justo o que ele diz, não? Há tantos trouxas que caem na sua conversa... Com que desassombro este iluminista espanhol vem jogar luzes no país da bugrada, não é mesmo? Quem converteu Garzón em autoridade mundial, em frente avançada do Tribunal Penal Internacional? Procurei saber se o homem já havia decretado a prisão do assassino e torturador Fidel Castro. Não. Não decretou, não.Fiz a conta dos mortos das ditaduras por cem mil habitantes. Fidel castro é 435,86 vezes mais assassino do que os generais brasileiros, que encheram de metáforas humanistas a conta bancária de Chico Buarque. E atenção: o número é esse caso se considerem apenas as 17 mil assassinadas em terra firme. Outras 78 mil morreram tentando fugir do vagabundo. Contadas as 95 mil vítimas fatais do Coma Andante, ele matou 730,76 pessoas por cem mil habitantes. A ditadura brasileira se contentou com 0,3 por cem mil, o que significa que Fidel matou 2.436 vezes mais do que os generais brasileiros. Não! Eu não ignoro nem faço pouco das vítimas. Repudio ditaduras. Frei Betto e Vannuchi é que rezam para Fidel sobre cadáveres. Niemeyer é que ergue edifícios de empulhação ideológica sobre os corpos. Chico Buarque é que verte o seu lirismo em meio aos mortos.Mas isso seria ficar fazendo conta sobre cadáveres. Não é uma coisa muito saudável. O que me interessa são os processos políticos, que resultam em pacificação. Como foi que a Espanha saiu de uma ditadura fascistóide e aderiu à democracia? Com revanche? Mandando os partidários ou herdeiros do franquismo para o banco dos réus? Quando Franco morreu, Garzón tinha 20 anos. Ele é da geração que se beneficiou com a transição pacífica.Voltemos ao exemplo quase vivo: Fidel Castro. Mais dia, menos dia, a ditadura na ilha acaba. E qual é o melhor caminho para lhe pôr termo? Metendo em cana os que serviram aos porões do regime? Será essa a escolha? Garzón, por acaso, decretou a prisão de todos os agentes dos estados socialistas que torturaram e mataram no Leste Europeu e na União Soviética? Ora, meu senhor, deixe de conversa mole! Permita que os países sigam a trilha que foi tão útil à Espanha.E notem: quando evoco esses exemplos, não estou tentando distribuir culpas para igualar responsabilidades, de um lado e de outro, à direita ou à esquerda. Estou afirmando que os países fazem escolhas e constroem realidades políticas que lhes permitem avançar — ou retroceder.Garzón não tem autoridade funcional, história ou moral para nos dar lições. As duas primeiras, não as terá nunca. A moral, ele pode tentar: decrete a prisão de todos os facínoras do planeta — e sugiro que, espalhafatoso como é, comece pelas ditaduras islâmicas. Assim que o primeiro xeique árabe meter o pé em seu país para ver como andam os investimentos, Garzón aparece lá com o seu crachá de, como é mesmo?, "policial planetário", em defesa dos "cidadãos do mundo". Ou o cosmopolitismo humanista não assiste aqueles que vivem nas masmorras de Alá?Já é quase um clichê, mas não resisto: "Seu Garzón, o senhor é um fanfarrão!"
PS: Aceito, claro, que alguém explore falhas na minha argumentação desde que:
- o autor me prove que a Espanha puniu os torturadores do franquismo;- o autor prove que Garzón decretou a prisão de ditadores de esquerda;- o autor prove que Garzón decretou a prisão dos ditadores islâmicos.