Notícias Militares

domingo, 18 de janeiro de 2009

COMPANHEIRO CESARE BATTISTI


COMPANHEIRO CESARE BATTISTI
Percival Puggina


A concessão de asilo político ao terrorista italiano Cesare Battisti era absolutamente previsível. Tão previsível que o próprio terrorista, em 2004, precisando escapar da França, ao perder a proteção que obtivera do socialista François Mitterrand, foi para o Googlemaps, deu uma girada no globo terrestre, e entre mais de duas centenas de destinos possíveis escolheu qual? Pois é. Veio para o Brasil de Lula. Contrariando a orientação do Procurador Geral da República e do Comitê Nacional para os Refugiados, a pátria amada abriu os braços para um sujeito condenado por quatro crimes cometidos como membro de uma organização terrorista denominada PAC (Proletari Armati per il Comunismo), que atuou na Lombardia e no Vêneto no final dos anos 70.

É possível que o leitor esteja pensando no caráter explícito das relações que o coração do poder político brasileiro mantém com as mais radicais organizações de esquerda do planeta. É um raciocínio que faz sentido. E só para alargar as possibilidades de compreensão do fato, valem algumas explicitações que alinharei em sequência.

1º) Lula foi o primeiro presidente do Foro de São Paulo, entidade criada em 1990, nos moldes do Comintern soviético, para “recuperar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu”. Essa entidade congrega partidos comunistas e de várias tendências de esquerda, bem como grupos terroristas do tipo FARC e MIR chileno. 2º) Aqui em Porto Alegre, nas edições do Foro Social Mundial, o governo petista de Olívio Dutra, por duas vezes, atraiu e recepcionou a nata e a borra da esquerda mundial. Não faltou ninguém. 3º) Em 2006, o Brasil concedeu asilo político a Olivério Medina, representante da narco-guerrilha colombiana no Brasil. 4º) Em 2007, sob o impulso de um óbvio comprometimento recíproco com as FARC, Lula comprou um atrito diplomático com a Colômbia recusando-se a declará-las como organização terrorista. 5º) Na última reunião do Foro, realizada no ano passado em Montevidéu, foi prestada chorosa homenagem a Manuel Marulanda, líder das FARC, morto na Colômbia. Um amplo painel, a inspirar o evento, exibia fotos dos seis chefes de Estado que o Foro já detinha em 2008, Lula incluído. 6º) Em 2008, durante os jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, o governo Lula prestou-se para capturar e despachar, via expressa, de volta para o cativeiro de Havana, os dois atletas que se evadiram da equipe. Ambos, hoje, são párias entre os cativos da Ilha dos irmãos Castro. E por aí vai.

Mas foi por isso que Lula fez o que fez? Foi por isso que ele optou por um criminoso condenado, em prejuízo das boas relações com o governo de uma nação amiga e democrática como a Itália? Claro que não. A lógica que presidiu a decisão foi bem outra e está no âmbito do Ministério da Justiça, onde se decidem as questões relativas às indenizações pagas aos “perseguidos políticos”.

Os Proletari Armati per il Comunismo agiam com a mesma estratégia dos grupos esquerdistas que aqui no Brasil, simultaneamente e com idênticos ideais, também partiram para a luta armada, com assaltos a bancos, supermercados, empresas e onde houvesse dinheiro em quantidade que justificasse os riscos das “expropriações”. Se o governo Lula considerasse Battisti como terrorista e bandido, teria, por coerência, que considerar da mesma forma muitos de seus ministros e companheiros.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Carta de uma israelense




Prezados Snr. Ricardo Berzoini e Snr. Valter Pomar,


Em primeiro lugar gostaria de me desculpar por eventuais erros de Português, pois estou morando fora do Brasil há 40 anos. Vivo em Israel bastante tempo para poder opinar sobre o que é certo ou não fazer aqui.
Moro em Israel por livre e espontânea vontade. Poderia voltar ao Brasil, pois toda a minha familia, que adoro, mora lá. Já morei dois anos nos Estados Unidos e adorei. Mas estou aqui, em Israel, e não só porque sou judia, mas porque gosto de viver aqui, e isso por varias razões que os senhores não estão a par, pelo simples motivo de que não vivem aqui.
Aliás, eu digo isto para qualquer pessoa que não vive aqui e quer opinar. Só uma pessoa que mora em Israel tem o direito de se manifestar sobre sua sobrevivência.
Não existe pais no mundo que em tão poucos anos de existência chegou a tantas conquistas como Israel, na area de high tech, educação, pesquisa e desenvolvimento de armamentos, agricultura, construção, medicina, industria farmacêutica, biologia e etc...
Mas o que mais "mexe comigo" é como aqui as pessoas se ajudam umas à outras, mas não apenas aqui, mas mesmo fora de Israel Existem vários grupos de médicos, os melhores que temos em todos os ramos, que viajam pelo terceiro mundo e tratam de mulheres, homens e crianças. Em cada viagem dessa vai um medico interno, um cirurgião plástico, um obstetra, um pediatra, cardiologista e enfermeiras - uma ou duas. Os médicos pagam, cada um por si, todos os gastos dessa viagem (passagem, hotel - as vezes dormem em tendas no próprio povoado- comida). Os remédios, instrumentos cirúrgicos, maquinários e etc... são emprestados/doados por vários hospitais daqui. A cada viagem, outro hospital colabora.
Ainda no ramo médico - há um ou dois meses atrás, os medicos israelenses salvaram um menino do IRÃ (!!!!!) muito doente e que veio se tratar aqui. Crianças PALESTINAS (!!!!!!) cujos pais moram em casas de famílias israelenses que os recebem com amor e carinho enquanto as crianças são tratadas nos hospitais, para não ter que viajar para Gaza de noite e voltar de manhã.
Vocês não acreditam que Israel entrou em Gaza por ter direito de se defender? Quem são vocês para falar uma coisa destas? Vocês moram aqui? Vocês vivem oito anos com bombas caindo em cima da sua cabeça, arrasando com a casa, cortando pés e mãos de criancas, matando famílias?Só tenho uma pergunta para vocês: o que faria qualquer pais se fosse atacado durante 8 anos por foguetes? Vocês precisam saber que o exercito de Israel, é o único no mundo que manda distribuir panfletos avisando que vai atacar, para que os civis possam deixar o local. Mas o Hammas não permite a saída deles, pois usam as famílias como escudo. Qual é o exército que deixa entrar alimentos e produtos para tratamentos dos feridos? Vocês, pessoas inteligentes do PT sabem o que os homens do Hammas fazem com o que é enviado para as populações palestinas? Roubam tudo, pegam os produtos para si mesmos e fazem contrabando.
Vocês sabem quem é o Hamas? São terroristas que entram na casa dos palestinos em Gaza e apontando armas para a família, tomam conta da casa inteira, armazenam armas em baixo da casa, e ai de quem falar algo contra - eles matam na hora toda a família.
Porque todos os países árabes não fazem nada? o Rei Hussein matou mais de 50% deles no "Setembro Negro", quando os Palestinos queriam ficar na Jordânia - porque?
Porque o Egito, Síria, Arábia Saudita, Líbia e cia não deixam eles entrar? Porque não querem, eles são considerados os "patinhos feios" do povo Árabe.
Nós não temos nada contra os Palestinos, nós temos muitas coisas contra os terroristas do Hamas e Hizbolla. Ontem mesmo ouvi um palestino que é Doutor em Biologia contando como ele vem do trabalho para o hospital Tel Hashomer, um dos melhores em Israel, todo dia para Gaza, onde mora. Donde ele tem um trabalho como esse? Caiu do céu? Não, Israel tenta fazer de tudo para que os Palestinos possam viver melhor!
Concordo plenamente que é um horror quando crianças morrem ou são feridas, mas não se pode condenar Israel por isto. Quem deve ser condenado são estes monstros do Hamas que usam todo esse povo palestino para fazer das casas bunkers cheios de mísseis, sem dar a mínima importância para o fato de lá morarem famílias com montes de criancas. Condenem o Hamas - chegou a hora.
Nós não temos mais medo desse tipo de carta ignorante, como essa que vocês escreveram agora.
Gostaria de citar a Primeira Ministra de Israel, Golda Meir: A guerra entre Israel e os Árabes terminará só quando a mãe árabe gostar do próprio filho tanto quanto detesta Israel.
Massada não vai cair nunca mais.
Por fim gostaria muito de convidar vocês dois para passarem uns dias aquí com a gente, eu particularmente receberei vocês e os levarei a conhecer o Estado de Israel, a linda Capital Jerusalém, onde vocês poderão conhecer todos os lugares sagrados religiosos para os Cristãos, que tanto cuidamos e honramos. Além de Jerusalém, poderão ver outras cidades e lugares magníficos, como as mesquitas que renovamos a cada vez para o povo árabe poder exercer a religião com honra.

Sima Flit

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Revivendo práticas arcaicas




Revivendo práticas arcaicas, por Paulo Brossard*




O presidente Luiz Inácio tem dito que elegerá seu sucessor, e com a cobertura publicitária de que desfruta, sem precedentes, não estou a revelar nenhum segredo de Estado; em outras palavras, ele se arrogou a prerrogativa de batizar a candidata em pessoa de sua confiança, chefe da Casa Civil, servidora no próprio Palácio do Planalto; pelos dizeres do presidente, e o fez de maneira unilateral, usou de verba testamentária; fiz porque quis; ressalvados alguns muxoxos, a seleção foi acolhida mais pelo silêncio do que pelo entusiasmo, sinal de que o doador tinha domínio da matéria.
O certo é que indigitada herdeira passou a usufruir tratamento paraoficial; a prática de certos atos foi cometida a ela com a devida publicidade; como a época é dos marqueteiros, sua indumentária, que não era má e era elegante, recebeu um visual de modernidade, cores alegres, senão joviais; o cabelo, que é muito em uma mulher, passou a receber toque gracioso e que, na ausência de melhor palavra, pode dizer-se alvissareiro; até os óculos, que lhe ficavam bem, foram trocados por lentes de contato; segundo a imprensa, responsável por azia ao presidente, sic, anunciou operação jubilatória aproveitados os feriados de passagem de ano, para aperfeiçoar predicados físicos, aliás nunca deslouvados da quase presidente, ao que parece, mercê de tesoura, agulha e linha, dos atuais fazedores de estadistas.
Como ainda estamos sob o império de Machado de Assis, ocorre-me lembrar que a ele se deve o admirável apólogo A agulha e a linha, que merece ser lido ou relido. Esquecia-me de lembrar que até ao Papa foi levada a herdeira presuntiva e lá esteve exibindo a protocolar mantilha negra.Por que estou a lembrar fatos atuais e paradomésticos, sem ter sequer ideia de interpretá-los, pois o próprio presidente já deu a sua, e ele e só ele faz o sucessor, e escolhe a suposta sucedida?
Em outros tempos, disso se dizia "o escolhido foi tirado do bolso do colete do coronel", agora não sei como é seu apelido. Contudo, do fato me ocupo pelas semelhanças ocorridas há 80 anos e há 60 anos.
É sabido e ressabido que o presidente Washington Luiz, com o fito declarado de assegurar a continuidade do seu plano de estabilização monetária, interferiu na escolha de seu sucessor, ilustre político de São Paulo, com ele afinado, Júlio Prestes, quebrando a regra consuetudinária de alterar com um mineiro, que era por todos os títulos eminente, o presidente de Minas, Antônio Carlos.
A reação ensejou a candidatura Getúlio Vargas-João Pessoa, sugerida por Minas, acolhida pelo Rio Grande oficial e com o voto decisivo de Assis Brasil. Operou-se o milagre da Frente Única, depois de 40 anos de frontal e rude separação manchada por duas revoluções. E o resto é conhecido. A derrota nas urnas; a vitória nas armas. O assassínio de João Pessoa, por motivos nada políticos, a revolução, a posse de Vargas, que, ao aproximar-se o termo da presidência, oficialmente se despediu da nação.
Dois meses depois, a 10 de novembro de 1937, o golpe, a instalação de Estado Novo, a ditadura pura e simples só encerrada em 1945 e formalizado o seu termo com a Constituição de 1946, o restabelecimento da federação, sabe Deus como, em 1947. Ele também tinha um candidato "já eleito". Pois agora o testador verificou que a sua escolhida não tem crescido a despeito de todos os emplastros nela aplicados. Será por acaso, como quem não quer nada, que o arguto testador deixou escapar a fisgada? Honni soit qui mal y pense.Mas há outro aspecto a considerar.
A Justiça Eleitoral tem sido atenta, até zelosa, em relação a excessos grandes e miúdos. Ora, a munificência real com que vem sendo aquinhoada a favorita do presidente que anuncia sua eleição, meses antes do início da campanha, pode passar incólume sem ser vista pela Justiça Eleitoral? Não sei. Haverá aí propósito oculto? Mero pensamento ou propósito nem tanto dissimulado? Responda quem souber.
*Jurista, ministro aposentado do STF

A BESTA DO APOCALIPSE


A BESTA DO APOCALIPSE
Maria Lucia Victor Barbosa
9/1/2009


Dia destes, assisti pela TV a um documentário que mostrava possíveis cenas do Apocalipse. Muitas eram as possibilidades de nosso pequeno planeta ser destruído: vulcões, maremotos, terremotos, degêlo, meteóros, invasões alienígenas, Colisor de Partículas e muitos mais riscos rondam a minúcula Terra. Tudo é tão perigoso que é de se perguntar como ainda não fomos catapultados para o espaço sideral onde nossas insignificantes cinzas passariam despercebidas na vastidão cósmica.
Conclui, porém, que o maior perigo que ronda o homem é o próprio homem cuja psique jamais evolui. A humanidade como um todo continua ignorante, avara, ganaciosa, invejosa, hipócrita, mentirosa, egoísta, hedonista, cruel, violenta. Estes atributos aparecem de forma inequívoca nos jogos do poder político, intimamente ligado ao poder econômico. Mas, existem também nas relações interindividuais que se processam no meio familiar ou do trabalho onde de forma micro assomam as canalhices, os golpes de esperteza ou mesmo a violência que presenciamos no campo macro das governanças.
Ao mesmo tempo, existe uma tendência inata no ser humano, com as exceções de sempre, que o induz a se inclinar para o que é mau, abjeto, pérfido e uma necessidade visceral de se submeter á alguma pessoa ou entidade para se comprazer na igualdade que escraviza. Daí o nasce o amor a mentira, a necessidade de crer em lendas e mitos para fugir da mediocridade do cotidiano.
Estas características sempre presentes desde que o homem se pôs de pé e usou as mãos, se acentuaram ao longo do século passado e se aprofundaram nessa era de vulgaridade na qual valores e comportamentos estão massificados, confusos, difusos e a busca pelo sentido da vida se perde na pressa, no imediatismo, na superficialidade das ações e dos relacionamentos.
O repúdio a Israel, que durante anos suportou homens-bomba e foguetes disparados pelo Hamas sobre sua população é prova do que ocorre nos tempos atuais. A perseguição aos judeus, seu sofrimento nunca despertaram comiseração. Muitos negam até o holocausto, um dos piores horrores cometidos contra um povo. E assim como a multidão preferiu perdoar Barrabaz a Jesus, agora a maioria presta solidariedade ao terrorismo, o que demonstra o gosto humano pelo totalitarismo que esmaga a liberdade, pela distorção da verdade, pelo fanatismo que é o lado malígno das religiões.
Todos se apressam a palpitar sobre tema de tal complexidade, condenar Israel embalados pelo que se diz na mídia, imersos em feroz antissemitismo que, por sua vez, se liga ao raivoso antiamericanismo. Entretanto, não só os incautos das boas intenções que se apiedam dos pequenos mártires de Alá, escudos humanos do Hamas, vítimas do fundamentalismo islâmico, mas também os espertalhões ideológicos, não se dão conta do cerne da questão que foi bem apresentada por Yossi Kleim Halevi e Michael B. Oren, em matéria publicada no The Los Angeles Times e transcrita pelo O Estado de S. Paulo (08/01/2009).
Halevi e Oren mostram claramente a verdadeira natureza do conflito ao afirmar que o Hamas, assim como o Hezbollah, no Líbano, não passa de uma forma avançada do verdadeiro inimigo com o qual Israel se confronta: o Irã. Desse modo, a atual operação de Israel contra o Hamas representa um golpe estratégico ao expansionismo iraniano que engloba a "Arábia Saudita até o Líbano, por meio do Hezbolah, a Síria e os emirados do Golfo". Recorde-se que o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, mais perigoso para o mundo do que um meteóro ou terremoto, e que tem como meta destruir Israel, contrariou a pressão internacional e evoluiu rumo ao arsenal nuclear. "Dotada de armas nucleares a hegemonia iraniana no Oriente Médio seria completa". Portanto, não é difícil concluir, que uma das bestas do Apocalipse está solta.
Entrementes, nosso chanceler de direito, Celso Amorim, parte para o Oriente Médio com o fito de apresentar "idéias brasileiras". Não ficou claro se nosso chanceler de fato e responsável pela nossa desastrada política externa, Marco Aurélio Garcia, irá também. Em todo caso, as "idéias brasileiras" já são conhecidas. O Itamaraty deplorou os ataques de Israel à Faixa de Gaza em vários comunicados e o próprio presidente da República criticou asperamente os Estados Unidos e a ONU por não terem evitado a crise, como se isso fosse possível.
Quanto ao partido de Luiz Inácio, o PT, por conta de seu pendor autoritário não podia deixar de condenar Israel. Seria, então, conveniente que Berzoine e seus correligionários, para ser mais coerentes, começassem a treinar para homens-bomba e as companheiras petistas envergassem a burka. Caso contrário, poderiam ser chamados de infiéis, o que é muito perigoso.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga
mlucia@sercomtel.com.br

Discurso do Presidente


Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante almoço de confraternização com oficiais-generais das Forças Armadas
Brasília-DF, 08 de dezembro de 2008


Meu caro Nelson Jobim, ministro da Defesa,
Meu caro Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional,
Almirante Júlio Soares de Moura Neto, comandante da Marinha,
General Enzo Martins Peri, comandante do Exército,
Brigadeiro Junito Saito, comandante da Aeronáutica,
Senhores oficiais-generais,
Amigos e amigas presentes neste sexto almoço, no meu mandato, com os oficiais-generais do nosso país,

O ministro Nelson Jobim falou do projeto estratégico em que está trabalhando e que no próximo dia 11 vamos apresentá-lo ao Conselho Nacional de Defesa para, a partir de então, fazer com que a sociedade brasileira debata, com muita força, o que nós queremos para o nosso país em nível de defesa.
O Plano norteará a reestruturação e o reequipamento das Forças Armadas e ele deve muito ao empenho pessoal do ministro Jobim, ao apoio do ministro Mangabeira Unger e, por que não dizer, aos três comandantes, da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Vocês sabem que isso só foi possível ser feito agora porque, primeiro, era necessário criar as condições para que o Brasil desse um salto de qualidade. Eu tenho certeza de que vocês, como eu, aprenderam desde pequenos que em casa que não tem pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Os tempos difíceis que nós passamos em 2003, 2004 e 2005, onde os recursos da União funcionavam como se fossem um cobertor curto – quando a gente cobria a cabeça, os pés ficavam descobertos, e quando cobríamos os pés, a cabeça ficava descoberta – esse período passou. O Brasil se transformou numa nação economicamente mais justa, o Brasil se transformou, politicamente, num país mais respeitado. A nossa economia cresce, a distribuição de renda acontece, e isso nos permitiu poder, no dia de hoje, dizer para os senhores que nós estamos, mais seriamente do que nunca, pensando na reestruturação daquilo que é a garantia do nosso país, que são as Forças Armadas.
Teve um tempo em que eu falava na reconstrução das indústrias bélicas brasileiras, e hoje nós falamos na indústria de defesa, uma indústria de defesa que me deixou muito orgulhoso quando o ministro Jobim apresentou o nosso projeto. Esse projeto vai permitir que o conjunto do governo veja as Forças Armadas não apenas como uma coisa de responsabilidade do Ministro da Defesa ou do Presidente da República, mas que veja as Forças Armadas como uma peça extremamente importante para que o Brasil continue sendo um exemplo de paz, um exemplo de concórdia e um exemplo de País em desenvolvimento aqui na nossa querida América do Sul.
Vocês acompanharam, certamente, pela imprensa ou pelas falas dos seus comandantes, que nós estamos vivendo um momento extremamente especial na América do Sul. Conseguimos unanimidade para construir um Conselho de Defesa na América do Sul, estamos trabalhando seriamente para criarmos uma unidade na América do Sul através da Unasul, e estamos trabalhando como nunca trabalhamos para que o Brasil jogue o seu papel como maior economia, como maior nação da América do Sul na política de solidariedade para ajudar os países vizinhos a se desenvolverem.
Hoje, quando nós olhamos o mundo, percebemos que nessa crise econômica que estamos vivendo – e não é o Presidente da República que está dizendo, são todos os analistas que pensam e analisam a crise – é de que o Brasil é hoje um dos países mais preparados para enfrentar a crise econômica, que não nasceu, desta vez, em nenhum país periférico, nasceu exatamente no coração do mundo desenvolvido, a começar pelos Estados Unidos da América do Norte, depois a Europa, depois o Japão. Vocês estão acompanhando o noticiário e estão notando que o governo tem feito todo o esforço, tomado todas as medidas para que a gente evite que essa crise chegue aqui do tamanho que ela já está nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. É exatamente nesse momento de crise que nós temos que ter inteligência, maturidade e paciência, para não tomarmos nenhuma medida precipitada e tomarmos a medida para que a economia brasileira continue a crescer e que a gente não sofra a recessão que já está acontecendo na Europa e nos Estados Unidos.
Os senhores se lembram daquela famosa crise dos anos 90 que envolveu, primeiro a crise russa, depois a crise asiática, depois a crise mexicana, toda aquela crise envolveu um montante de US$ 200 bilhões. Essa crise de hoje já ultrapassou os US$ 4 trilhões e ainda não sabemos o tamanho que essa crise vai ter nos países em desenvolvimento.
No caso do Brasil eu tenho mostrado, com a maior sinceridade, as coisas em que eu acredito. Quando eu digo que a situação do Brasil é melhor é porque, primeiro, o Brasil teve a sabedoria de diversificar as suas relações comerciais. O Brasil sempre teve na sua balança comercial uma participação muito grande dos Estados Unidos, uma participação muito grande da Europa e uma participação muito pequena de outros países. Hoje nós temos 14% da nossa balança comercial com os Estados Unidos – já foi de quase 30% – hoje nós temos com a Europa aproximadamente 16% - também já foi de quase 30%. Não é que diminuiu, veio crescendo 20% ao ano, é que o Brasil cresceu muito com a América do Sul, o Brasil cresceu muito com a Ásia, o Brasil cresceu muito com o Oriente Médio. Isso permitiu que o Brasil tivesse uma certa tranqüilidade, maior do que muitos países que dependem quase exclusivamente de um ou de outro país.
Uma outra coisa que nos dá garantia é saber que em alguns países importantes, como a China, o PIB deles depende 40% da sua balança comercial, ou seja, as exportações significam 40% do PIB chinês. No caso do Brasil, as exportações representam 13% do PIB. Então, as condições estão muito, mas muito bem orientadas para que o Brasil não sofra a crise no mesmo volume que alguns países estão sofrendo.
Vocês viram, recentemente, o presidente eleito Obama dizer que vai fazer um programa para que até 2011 ele possa gerar 2,5 milhões de empregos. Este ano, no Brasil, até novembro nós criamos 2 milhões e 149 mil empregos com carteira profissional assinada. Isso é um feito inusitado para ao Brasil, que passou praticamente 20 anos vendo a sua economia definhar. E junto com o definhamento da economia, definhava nossa indústria, definhava o poder aquisitivo da sociedade e, por que não dizer, definhava o poder de recuperação e de reequipamento das nossas Forças Armadas.
Pois bem, nós temos 2009 um ano extremamente importante, e que iremos tomar todas as medidas em função de termos um mercado interno altamente novo, uma sociedade que não tinha poder de compra e que agora começa a ter poder de compra. Nós estamos trabalhando muito para fortalecer o nosso mercado interno. Tomamos algumas decisões importantes: primeiro, permitir que a indústria automobilística continue produzindo e vendendo, na medida em que a indústria automobilística representa 24% do PIB industrial; permitir que a construção civil continue construindo, na medida em que ela gera muitos empregos no Brasil e permitindo capital de giro para as pequenas e médias empresas brasileiras, porque elas são responsáveis por 60% dos empregos.
Mas um fato novo aconteceu: o dinheiro sumiu. Não existe dinheiro para crédito. E, também, um outro fato novo é que se criou um pânico na sociedade. Eu dizia ao Saito, na hora que vinha entrando aqui: tem uma crise verdadeira, uma crise que atingiu profundamente os países ricos e que, portanto, vai mexer com os países que exportam muito para eles, mas tem também uma crise, um pouco de pânico, ou seja, aquela crise da pessoa que mesmo tendo recursos não quer comprar porque ouviu dizer que tem uma crise. E eu dizia para o Saito: É como se a gente fosse pegar um avião e ouvíssemos dois pilotos comentando “olha, esse avião está com o motor enguiçado, é bom não subir”, ou seja, certamente nós iríamos devolver o boleto e não iríamos subir no avião.
Ora, ninguém está dando conselho para quem tem dívida fazer mais dívida. Quem tem dívida, paga a que tem e vamos tentar zerar para fazer outra. O que nós estamos querendo dizer é que o Brasil tem um potencial de crescimento que outros países não têm. E, por isso, além das decisões de atacar os setores econômicos mais vulneráveis, nós não iremos deixar parar uma obra da Petrobras. Todos vocês sabem que a Petrobras tem que fazer investimentos, até 2012, de 112 bilhões de dólares. O que ela vai ter que comprar de sondas, de plataformas, de navios, é uma coisa extraordinária e que nós não vamos parar nenhuma obra da Petrobras.
Podem estar certos que também não pararemos nenhuma obra do PAC. Pode ficar tranqüilo, General Enzo, que o Exército vai continuar fazendo as nossas rodovias, as nossas pontes, porque nós não temos nenhum interesse de parar nenhuma, e não vamos parar.
Porque desta vez essa crise pegou o Brasil mais preparado. Nós temos reserva de US$ 207 bilhões, coisa que nunca tivemos; nós temos quase 290 bilhões de compulsório, já colocamos mais de 100 no mercado, para irrigar o crédito, e vamos tomar outras medidas, se for necessário, para colocar mais dinheiro. Porque nós aprendemos, depois de vinte e poucos anos sem a economia crescer, aprendemos o gosto do crescimento, aprendemos o gosto da geração de empregos. Foram quase 11 milhões de empregos nesses seis anos de governo.
Fomos a Pernambuco, são 12 estados que já completaram o Programa Luz para Todos, ou seja, nós poderemos ser a geração a passar para a história como a geração que apagou os candeeiros neste país. Ainda tem muita coisa para fazer, nós temos o dinheiro e programa para fazer.
Portanto, esta é uma festa de Natal, eu diria, talvez de todas que eu participei com os senhores, melhor, porque a economia está crescendo, tem uma crise que se apresenta pela frente, que nós saberemos cuidar dessa crise para não causar os prejuízos que alguns torcem para causar no País, e que nós vamos trabalhar para não acontecer. Nós vamos fortalecer o mercado interno, vamos fazer com que a indústria nacional seja fortalecida.
Quando eu fui no ITA, que eu vi que o ITA produziu a sua primeira turbina, e o Brasil passa a ser o 5º país do mundo a produzir uma turbina, daqui a pouco nós vamos estar atendendo a Petrobras que, só para atender o pré-sal, vai precisar de 100 turbinas, certamente maiores e mais modernas do que a nossa, porque precisa produzir 25 megawatts cada uma, a nossa está produzindo 1 megawatt, mas quem faz de um faz de 25 também, Saito, é só colocar mais ferro e mais engenheiros para trabalhar que nós chegaremos lá.
E eu acho que esse é um momento de muita reflexão. É importante que vocês acompanhem as coisas que vão acontecer no Brasil, porque eu estou convencido que desta vez o Brasil sairá dessa crise mais fortalecido.
Eu tenho dito para todo mundo que essa crise para nós é uma oportunidade, é uma oportunidade de fazermos aquilo que o Brasil deixou de fazer durante muito tempo. Nós vamos combinar a seriedade fiscal com a responsabilidade de gerenciar o desenvolvimento deste país. Vamos fazer com que as indústrias que produzam e que geram empregos tenham o crédito necessário para que a gente possa vencer essa batalha. E eu estou convencido que a partir de 2010 esta crise já será coisa do passado aqui e em outros países. Até porque nenhum presidente vai agüentar mais de um ano com uma crise nas costas, gerando desemprego, como está nos Estados Unidos, gerando abandono de residência, como está nos Estados Unidos.
Eu tive, agora há pouco, uma reunião com os bancos brasileiros – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal –, com o Ministro da Fazenda, o financiamento nos nossos bancos continua batendo recorde todo mês. Certamente, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica irão fazer apresentações, mas nós precisamos fazer muito mais, porque tem uma parte da sociedade que está assustada e não quer comprar sequer as coisas elementares, que em qualquer outro momento a gente compraria, sobretudo em se tratando de bens duráveis. Portanto, eu quero que vocês acompanhem com carinho, não apenas a crise, mas acompanhem também as medidas que o governo brasileiro tem tomado para debelar essa crise.
Quero dizer para vocês que eu sou muito grato ao comportamento de vocês, à demonstração de solidariedade no apoio humanitário, logístico e de pessoal à Defesa Civil do estado de Santa Catarina, nessa recente catástrofe que houve naquele estado. Posso dizer para vocês, como presidente da República, mas poderia dizer como simples brasileiro, que as Forças Armadas brasileiras viraram motivo de orgulho pela atuação brilhante e extraordinária que tiveram, salvando vidas, levando ajuda, levando comida, levando roupa, levando remédio, e é uma mobilização que envolveu Aeronáutica, Marinha e Exército.
Outras ações que merecem ser relembradas aqui neste almoço de confraternização. Não é só na enchente que as Forças Armadas sabem trabalhar, Jobim. Na seca do Nordeste, a Operação Pipa, desenvolvida pelo Exército nas regiões atingidas pela seca, tem dado uma contribuição extraordinária àquelas pessoas que estão com falta d’água. Se Deus quiser, quando terminar o canal da transposição, nós iremos ter esse problema resolvido.
Apoio às operações de combate à dengue em diversos estados da Federação. Apoio com médicos e hospitais ao governo de Pernambuco durante aquela greve do setor da saúde. Apoio logístico e de reforço à segurança, prestado ao TSE nas eleições municipais. Apoio humanitário prestado ao governo da Bolívia nas últimas enchentes que assolaram as regiões do país. Ali, meu caro Saito, o presidente Evo Morales me ligou, na época em que as Forças Armadas estavam lá, para agradecer às Forças Armadas brasileiras, porque ele dizia que se não fossem as Forças Armadas brasileiras, certamente muita gente teria morrido naquela enchente da Bolívia.
Transporte de alimentos e remédios pela Marinha e Aeronáutica para o Haiti, Jamaica e Cuba após os furacões. Ajuda permanente do nosso querido recuperado Correio Aéreo Nacional na região Amazônica, levando desenvolvimento, solidariedade e cidadania às comunidades isoladas. Presença humanitária dos navios-hospitais da Marinha, conhecidos como navios da esperança, ao longo dos rios da Amazônia.
Participação da engenharia do Exército nas obras do PAC, tais como rodovias, ferrovias, aeroportos, portos, canais, pontes e viadutos. Aí é um orgulho. Quando terminar a rodovia que o Exército está construindo, eu tenho certeza, Enzo, de que o povo que passar naquela ponte, vai falar: “A estrada feita pelo Exército, certamente, é melhor do que as outras estradas”, porque é um trabalho extraordinário. Acho que o Enzo deveria convocar todos os oficiais para conhecer, porque quando nós chegamos ao governo, em 2003, o Exército não tinha sequer uma máquina para prestar um trabalho desses, porque estava tudo sucateado. Hoje o Exército se reequipou, o nosso Batalhão de Engenharia tem prestado um trabalho extraordinário, e eu penso que é assim que a gente vai criando uma irmandade entre Forças Armadas e sociedade, e sociedade e Forças Armadas.
Feliz Natal e bom Ano Novo para todos vocês.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Área Ianomami.....


HOMOLOGAÇÃO DA ÁREA IANOMAMI E O "GENOCÍDIO" DE HAXIMU - O MASSACRE QUE NUNCA EXISTIU Izidro Simões (*)


Esta narrativa é necessariamente longa, para que os brasileiros tomem conhecimento de pelo menos alguma coisa que já aconteceu e de outras que ainda estão acontecendo em Roraima e Norte do Amazonas. Passo-a-passo: Collor foi eleito e embarcou quase em seguida num avião da VASP (já era do Canhedo) e viajou pelo mundo, para encontros com os poderosos do G7 e retornou. A imprensa brasileira noticiou de longe, pois nenhum jornalista fez parte da comitiva. Tomou posse em março de 1990. Quase em seguida, viajou de Brasília para Boa Vista, capital de Roraima. Desembarcou "fantasiado" de militar, com uniforme de campanha e pose de Marechal. No palanque improvisado na pracinha defronte à estação de passageiros do aeroporto, coalhada de gente, garimpeiros, pilotos de garimpo, funcionários públicos autoridades civis e gente do povo, disse brevíssimas palavras e concluiu: "vim resolver o problema dos garimpos de Roraima". Recebeu muitos aplausos, pois para a gente de Roraima, "resolver o problema dos garimpos", foi entendida como aceitar a proposta que fora feita, de ampliação das 3 áreas garimpeiras, demarcadas por Sarney, o Presidente anterior que, cumprindo a Constituição Federal, no art. 21 – XXV, havia assinado Decreto criando as áreas do Catrimani, do Urariquera e do Santa Rosa, mas cujos limites eram diminutos para algo entre 45 e 50 mil garimpeiros. No aeroporto, Collor, PC Farias e mais uns 4 ou 5 de sua intimidade, embarcaram num avião Búfalo, da Força Aérea, e voaram para o 4º PEF (Pelotão de Fronteira) localizado em Surucucu, uma serra em forma de cone com chapada no topo (tipo meseta) lá no Oeste de Roraima, 300 Km distante de Boa Vista. Afora os íntimos de Collor, ninguém mais, nem mesmo o Comandante Militar da Amazônia ou o Comandante do 7º BIS em Roraima, tiveram permissão para ir no avião. Foi engraçado ver os repórteres da TV GLOBO, desesperados correndo pelo aeroporto, tentando obter autorização militar para ir no mesmo avião em que Collor foi, ou pelo menos, para voar num taxi aéreo até Surucucu, o que não conseguiram, aliás, nenhum jornalista conseguiu. Dias depois, pela imprensa venezuelana é que se soube em Roraima, que Carlos Andrés Pérez, então Presidente da Venezuela, num vôo direto de Caracas para Surucucu, tinha ido encontrar-se com Collor e os representantes do G7 que lá estavam. E o que toda essa gente fez por lá? Porque foram encontrar-se às escondidas lá no meio da selva e, não, em Brasília ou Caracas, sob os holofotes e com a presença da imprensa nacional e internacional? Lembremos que antes da posse, Collor tinha feito um périplo por todos aqueles países do G7. Será que era um loteamento da nossa fronteira, entrega pura e simples? Em troca do que? O que já sabemos hoje do passado de PC Farias como caixa de Collor e achacador de empresários, parece indicar a direção para as coisas que lá aconteceram. Em benefício de quem? De Surucucu, Collor voou para Manaus e de lá, para Brasília. Pérez voltou para Caracas. Na semana seguinte, soube-se o que Collor quis dizer com aquela frase: " vim resolver o problema dos garimpos de Roraima". Revogou os Decretos assinados por Sarney demarcando áreas garimpeiras, ordenando o envio de 200 policiais federais para Boa Vista, fortemente armados com grosso calibre e granadas, os quais, em diversos aviões e helicópteros, partiram para a área ianomâmi, à fim de "limpar" a área de qualquer maneira, seja qual for o significado que se possa dar para o verbo "limpar". Para quem estava lá dentro da selva, sem contato com Boa Vista, certo de que tudo havia sido legalizado, foi uma monstruosa traição que Collor fez. O mesmo sentimento de punhalada pelas costas, foi sentida pela população roraimense. De diversas maneiras, pacíficas umas, "no pau" outras, os garimpeiros foram sendo retirados na marra, para passarem fome na capital, junto com suas famílias. Seus maquinários foram quebrados ou explodidos, as balsas afundadas nos rios, as grandes e grossas mangueiras cortadas, as pistas explodidas com dinamite. É preciso relembrar que eram entre 45 e 50 mil garimpeiros, afora outros trabalhadores agregados diretos ou transversais na atividade garimpeira como cozinheiras, mecânicos, soldadores e ferramenteiros (para construção de balsas), mergulhadores, cantineiros, gerentes de serviço, comerciantes, donos de aviões (cerca de 400), helicópteros (cerca de 30), donos de balsas, de canoas de alumínio, piloteiros e canoeiros, pilotos de avião (cerca de 500), e todo o comércio da capital, sendo que no extinto Território e já novo Estado da Federação, havia sido aumentada a arrecadação de impostos em mais de 310%. Os reflexos da ação de Collor repercutiram desde Roraima passando pelo Amazonas, até São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, onde se fabricavam máquinas e peças usadas nas máquinas do garimpo, além de alimentos, que inclusive chegavam num Boeing lotado de carga, dia sim, dia não, do CEASA de São Paulo. Para ter-se um parâmetro do movimento do garimpo, os aviões fizeram o aeroporto (internacional) ser durante 2 meses no auge do tempo do garimpo, o mais movimentado do Brasil, com mais de 600 pousos e decolagens diários. Uma coisa simplesmente espantosa, por qualquer estatística! Eram cerca de 400 aviões de pequeno porte, que incluíam 4 DC3, um Curtiss Commander, 3 Beech bimotores, 1 Mitsubish e um Xingu, que só iam para pista maiores, de onde a carga era distribuída para aviões menores ou para cerca de 30 helicópteros que voavam para a infinidade de clareiras onde existiam garimpeiros. A BR (Petrobras) vendia ao redor de 40 mil litros de AVGAS (gasolina de aviação) por dia, e a SHELL outros 50/55 mil litros também diários. A BR também vendia cerca de 8 mil litros diários de QAV (querozene de aviação para helicópteros, e também para o avião Mitsubishi e o Xingu) entre os quais havia um enorme helicóptero Sikorski biturbina, do Rio de Janeiro, com capacidade para 2 toneladas de carga, e que tinha sido da TV RECORD de São Paulo, no tempo do Paulo Machado, a primeira no Brasil a possuir uma aeronave. O movimento aviatório era tanto, que alguns poucos militares de férias da Força Aérea, também chegavam à Boa Vista para se engajavam nos vôos de garimpo, que sempre era pago em ouro, o único valor que circulava nessa atividade. Para os profissionais da aviação, era de dar gosto ver um DC3 pousar lotado e sair com até meia carga, de pistas de pouco mais de 600 metros, como na Pista do Jeremias, hoje chamada Homoxi, ou na Pista do Lauro, hoje chamada Xitei e lá pelos 3.000 pés (990 metros de altitude), numa proeza que só mesmo pilotos com "braço" ou de muito "pé-e-mão" conseguem fazer. Vários já eram famosos nos vôos pela Amazônia, como o Rogério Maconha, que até deu entrevista no programa do Jô Soares. Se para o Brasil foi terrível Collor trancar as contas bancárias, em Roraima foi quase o fim do mundo, pois até o ouro despencou de preço até quase o fundo do poço. Foi uma tragédia, ver os aviões parados no pátio do aeroporto, com vigilância da Polícia Federal e gente lá dentro da área passando fome e sem saber o que estava acontecendo. Na cidade foi uma quebradeira geral no comércio e arrecadação de tributos para o novo Estado, despencando à quase nada. Aquele vôo de Collor, junto com PC Farias e uns poucos íntimos, até Surucu, para encontro com o Presidente da Venezuela e os representantes do G7, está íntimamente ligado com todo o plano de apossamento da Amazônia e suas conseqüências, passando pela Raposa / Serra do Sol e pela Cuê-Cuê Marabitanas já em início de demarcação agora em janeiro de 2009, nas nossas fronteiras do Amazonas com a Venezuela. Para melhor entender o quanto foi um danoso episódio para o Brasil é preciso saber que Carlos Andrés Pérez, na mesma época também demarcou na Venezuela, em frente da área do "povo ianomâmi" no Brasil, e para os mesmos índios, uma área de 8 milhões de hectares, na prática apagando a fronteira que ficou virtual, existente só no mapa, pois que tanto os "ianomâmi" quantos os estrangeiros que "cuidam" deles, vão e vem livremente através da fronteira e fica por isso mesmo. Os brasileiros, para entrarem na área ianomâmi, tem de possuir um documento chamado AVOAR – Autorização de Vôo em Área Restrita. Para ser conseguido, as empresas de taxi aéreo tem de solicitar com muita antecedência, através de requerimento, que deve ser assinado pela Funai, Ibama e Polícia Federal. Com todas essas assinaturas, esse documento deve ser enviado ao COMAR – Comando Aéreo, em Manaus. Lá, o coronel assinará o tal AVOAR, que será remetido via fax ou internet, para o órgão da Aeronáutica, em Boa Vista. Esse documento detalha que a autorização só é válida para tal empresa de táxi aéreo, entre os dias tais e tais, com o piloto tal, no avião tal. Se quaisquer dos itens for mudado, ainda que por motivo de força maior, o vôo não poderá ser realizado. Entretanto, estrangeiros estão absolutamente, leves, soltos e livres dessas exigências, e por isso, uma vez ou outra, o Exército descobre casualmente que algum estrangeiro está lá dentro da área ianomâmi, com o visto do seu passaporte vencido até mesmo há um ano! Afora todo esse controle documental sobre os brasileiros, o vôo também será vigiado por radar. Como se vê, as próprias autoridade brasileiras é que manietam os brasileiros e colaboram abertamente com as ONGs estrangeiras. Certa vez, durante os tempos em que a Polícia Federal estava dando "uma dura" contra os garimpeiros, numa revista no aeroporto de Boa Vista, feita em um dos aviões da SOCIEDADE ASAS DE SOCORRO que atende a MEVA – Missão Evangélica da Amazônia (grupo americano), NTB (Novas Tribos do Brasil) e o Summer of Linguistic, foi apreendida uma carabina automática de vários tiros. Dois dias depois (nada mais que isso), a arma foi devolvida por ordem direta de Brasília. Acontece que aos pilotos brasileiros não era e ainda não é permitido levar nenhum tipo de arma a bordo, mesmo que para sobrevivência na selva, em caso de acidente. Já dava prisão antes e continua dando agora, com a nova lei, mas com os "missionários", não acontece nada. Êles tem o privilégio, por serem "religiosos". Uma alemã arrogante, chamada CRHISTINA HAVERKAMP até mesmo hasteou e mantém hasteada a bandeira da Comunidade Européia, dentro da área ianomâmi, na maloca Paa-piu Novo, margem direita do médio rio Mucajaí. Tendo isso sido descoberta por um major de helicópteros da Força Aérea, a germânica "peitou" o major, ao qual declarou que não tinha de lhe dar satisfações. Ele mandou derrubar o mastro, confiscou a bandeira e relatou o fato aos seus superiores. Ela foi retirada da área pela Polícia Federal, iniciou-se um processo de expulsão do país mas, ela voltou e continua lá até hoje, no sobradão que construiu ao lado do final da pista de pouso. No decorrer dos meses da ação de retirada dos garimpeiros, determinada por Collor, as coisas foram afrouxando aos poucos. Muitos garimpeiros e alguns pilotos retornaram clandestinamente às mesmas tarefas de antes, e até auxiliados por alguns Delegados Federais, que faziam vistas grossas para as decolagens e pousos com carga e garimpeiros, tanto do aeroporto em Boa Vista, quanto da pista Cariri, na margem da BR 174, entre a capital e a cidade de Mucajaí. Isso acontecia porque esses Delegados aceitaram convites de pilotos, para conhecerem a região, os garimpos e os garimpeiros in loco e também para ver o quanto de estrangeiros (americanos na maioria) estavam na região, impunemente, aliás, como ainda acontece, havendo hoje, além dos americanos, também os italianos, os franceses, canadenses e alemães, alguns como "missionários" de ONGs, afora os brasileiros que representam essas entidades internacionais, todos labutando muito e intencionados apenas na "salvação" ou "preservação" dos índios, é claro e, apenas por puro "diletantismo", no ouro, no diamante, na cassiterita, no nióbio, na incomensurável jazida de urânio situada numa serra quase colada na Serra de Surucucu, onde está o 4º PEF – Pelotão de Fronteira, afora todas as águas, das nascentes à foz, as madeiras de lei, a bio-diversidade e a própria e portentosa floresta. O GRANDE GOLPE, são AS ÁGUAS com que ficaram – repetindo - DAS NASCENTES ATÉ A FOZ DE UMA INFINIDADE DE RIOS, "pertencendo" às ONGs. No sopé dessa serra de urânio, existia uma pista (hoje só restam vestígios – a floresta invadiu) que os americanos já tinham feito e tiveram de abandonar, porque o Exército os tirou de lá, afora mais outras 2 pistas em cima do platô de Surucucu, que já existiam antes da instalação do 4º PEF, de onde os americanos tiravam minério e onde havia um avião Cessna 180, monomotor deles acidentado, tendo eles deixado abandonados, um trator de esteira e máquinas resumidoras utilizadas em mineiração de diamantes e que ainda estão lá. Só o avião foi retirado posteriormente. Como é que um trator de esteira foi parar lá no meio da floresta sem estradas? Para quem nunca viu, parece difícil, talvez impossível mas, não é. Fizeram da mesma forma que os pilotos de garimpo fazem e também transportam burros, bois, carneiros etc. O os jipes, carretas e tratores são todos desmontados. O que é grande demais, é cortado no maçarico, em partes que cabem dentro do avião e depois, lá no local para onde foram transportados, totalmente soldados e remontados! Por isso é que a Polícia Federal encontrou até mesmo uma PATROL (para terraplanagem) nos garimpos de Roraima, na Pista do Lauro, hoje chamada Xitei e utilizada pela Diocese de Roraima que lá tem um grupo de freiras da congregação da Consolata (Itália) e da Conference de GAP (França), de onde saiu a falsa notícia da "chacina", "massacre", "genocídio" dos índios, supostamente acontecido ali nas suas vizinhanças. Na tentativa de forçarem a saída definitiva e total dos poucos garimpeiros que ainda permaneciam ou voltavam clandestinamente para a área ianomâmi, "atrapalhando" as ONGs internacionais que queriam toda a área livre de empecilhos e de "olheiros" que denunciassem as suas atividades, urdiram então um plano monumental, perverso, mentiroso, injurioso, sem escrúpulos. Era preciso algo grande, dantesco o suficiente para criar uma comoção e granjear as simpatias mundiais. Os garimpeiros são tal como os antigos bandeirantes, grandes abridores de sertão bruto. Fazem "varação" a pé, em grupos de 20/30 homens ou às vezes em apenas 4 ou 5. Caminham pela floresta imensa, por um mês ou mais, até o lugar onde pretendem explorar o ouro. Tem um sentido de orientação tão extraordinário dentro daquela selva, que isso sempre foi motivo de assombro até para os pilotos de avião, pois aqueles homens rudes orientam-se apenas pela fraca claridade que vara a copa das árvores. Seguem sempre guiados pela posição do sol, durante o dia. De repente, à partir do dia 15 de agosto de 1993, os hotéis de Boa Vista começaram a encherem-se de jornalistas brasileiros e estrangeiros e gente de TV. Muitos estranharam a novidade e perguntava-se o que estaria acontecendo, mas os visitantes não abriam-se para dar informações. Não demorou e, no dia 17 estourou a bomba: Suami Percílio Santos Filho, Administrador Regional da Funai trombeteava para o mundo todo, que tinha havido um "massacre", um "genocídio" de índios ianomâmi, promovidos por garimpeiros, através denúncia de uma freira, em Roraima! O circo estava armado, entretanto uma pergunta continuava sendo feita: como é que tantos jornalistas estrangeiros vieram para Boa Vista por antecipação, sem supostamente, saberem de nada? Uma coisa que teria acontecido escondido, lá nos confins da floresta e que ninguém, nem os garimpeiros na cidade sabiam, só seria oficialmente trombeteada aos 4 ventos alguns dias mais tarde, mas o mundo já estava antecipadamente de olho em Roraima. Isso tem ou não tem cheiro, cor, jeito de coisa "armada"? Tem cara de jacaré, olho de jacaré, boca de jacaré, couro de jacaré, rabo de jacaré, e não é jacaré? Quem quiser relembrar os fatos e saber mais, pode pesquisar no Google, digitando a palavra "IANOBLEFE" e vai encontrar diversas matérias do jornalista JANER CRISTALDO do jornal Folha de São Paulo que, juntamente com o jornal Estado de São Paulo, puseram não só em dúvida a tal "chacina", "massacre" ou "genocídio", como esmiuçaram o assunto em detalhes. O restante da imprensa nacional simplesmente embarcou na mentira, de propósito ou por irresponsabilidade, pela não averiguação dos fatos. No correr dos dias, o número dos "mortos" foi aumentando, e chegou até 120, quando Suami Percílio Santos Filho, o Administrador Regional da Funai de Roraima disse pela TV, para o Brasil e o mundo ouvirem estarrecidos, que os garimpeiros haviam aberto o ventre de índias grávidas e retalhado os fetos, afirmando haver fotos de tudo isso, coisa que, entretanto, jamais apareceu em parte alguma. Convém saber também que o Ministro da Justiça, Maurício Corrêa e Aristides Junqueira, Procurador-Geral da República, estiveram em Boa Vista, e, muito pressurosos, logo após o desembarque já davam entrevistas afirmando a existência do massacre que não tinham visto e que nunca viram, simplesmente porque nunca existiu nada disso. O jatinho em que chegaram teve de ser rigorosamente limpo, porque estava todo emporcalhado com o vômito do Ministro que, conforme os comentários da época, tinha mêdo de voar e que por isso, havia bebido muito. Nessa essa altura da agitação, com todo mundo querendo ver as fotos prometidas pela Funai, da mais de uma centena de cadáveres que o Administrador Regional da Funai, Suami Percílo Santos Filho afirmava existirem, o crime mudou de endereço: não era mais em Haximu, mas, sim, em Haximu-teri, na Venezuela, logo depois da fronteira, onde não se poderia ir para conferir. Mas, e as tais fotos que Suami Percílio afirmou na TV que existiam e que estavam em seus poder? Ninguém nunca viu. A história mudou mais vezes depois, e acabou ficando na alegação de que os cadáveres tinham sido cremados, nada restando deles e que as cinzas dos ilustres parentes estavam em cabaças, consideradas "sagradas" pelos índios. Não era possível nem mesmo obter-se um pouquinho para exame de DNA, mas teria havido dois sobreviventes do "genocídio", dois índios chamados João e outro, Japão, sendo um bem jovem e o outro, um adolescente. As famílias de ambos teriam sido massacradas mas controlando a terrível emoção, apenas os dois, sozinhos, haviam transportado meticulosamente, mais de uma centena desses retalhos humanos e sem deixar no local nem mesmo um pedacinho das tripas, um braço, uma mão ou uma ponta de dedo. Fizeram limpeza completa dos restos mortais. Fantástico mesmo, não é? Teriam feito tudo tudo isso, em apenas uma semana, em caminhos ínvios pela floresta bruta e fechadíssima, subindo descendo serras, indo e vindo infinitamente ao local da "chacina", "massacre" ou "genocídio", com espantoso e sempre absoluto controle emocional. Terminada essa terrível tarefa, teriam os dois juntado muita lenha e feito uma fogueira onde cremariam todos os restos mortais, cujas cinzas foram juntadas e distribuídas para outros indios "parentes". O extraordinário, milagroso mesmo, é que além de os dois jovens poderem ser considerados super-índios, por resistência física e emocional, ainda realizaram a espetacular proeza de conseguirem juntar uma montanha de lenha seca em pleno "inverno" amazônico (período das chuvas intensas), a fogueira não apagou e tudo queimou muito bem, só restando mesmo as cinzas, não tendo ficado intacto nem mesmo um ínfimo ossinho que fosse, dessa mais de centena de cadáveres. Mesmos nos modernos fornos crematório da atualidade, sempre restam ossos, alguns cabelos e até pele, algo entre 100 e 300 gramas. Os primitivos ianomâmi conseguiram fazer um fogueirão debaixo de chuvas intensas do inverno amazônico e não sobrou nada e tudo, absolutamente tudo, virou cinzas. Pior ainda fez a Justiça Federal, que mesmo sem nenhum cadáver ou o mais mínimo indício do suposto crime, condenou alguns garimpeiros à 20 anos de cadeia. A razão óbvia, depois de uma análise percuciente dos fatos, é que as ONGs e seus senhores "caem de pau" em cima de quem se atreve a perturbar o andamento de seus interesses, tal como agora acontece com o agricultor gaúcho PAULO CÉSAR QUARTIERO, que tem 30 anos em Roraima e, vindo bem de baixo, com trabalho árduo e sério, tornou-se um grande arrozeiro, em terras legalizadas pelo governo federal, lá no início do século 20. Agora ele, outros 9 arrozeiros e mais de 59 fazendeiros, são chamados de "invasores" da RAPOSA /SERRA DO SOL, terras que a Funai declarou por escrito, há décadas passadas, não terem índios e nem serem de seu interesse demarcatório. Repete-se com certa constância que Charles De Gaulle, o presidente da França no pós 2ª. Guerra Mundial, veio visitar o Brasil e assinou acordos que nosso país não cumpriu. Decorrente disso, teria dito: "Le Brésil nest pas un pays serieux" – O Brasil não é um país sério. Temos o direito de também achar que não é mesmo, especialmente com um Presidente como Lula, que nunca sabe de nada, e um STF absolutamente míope, pois oito de seus Ministros não conseguiram ver as clamorosas irregularidades e ilegalidades na demarcação da Raposa / Serra do Sol. Para completar, agora em janeiro/2009, Nicolas Sarkosy, o atual Presidente francês, assinou um acordo com Lula, para que a França possa "pesquisar" na nossa floresta amazônica. Precisamos dizer mais alguma coisa sobre Lula, as ONGs e os interesses internacionais? Tem um ditado mais que secular que diz: para quem sabe ler, pingo é letra. (*) Izidro Simões, jornalista MTb nº 157/10 DRT/RR, aeronauta aposentado em 2005, 42 anos de aviação, sendo 31 por TODA a Amazônia, dos quais 20 em Roraima, onde resido. izidropiloto@oi.com.br

Uma ditadura em construção


Uma ditadura em construção
O anúncio espalhafatoso de uma crise inexistente deslancha, por si mesmo, uma crise real.

Olavo de Carvalho


Não há crise de crédito nem recessão nenhuma, mas os gastos do governo americano para remediar problemas inexistentes podem criar um problema real: a hiperinflação. Os EUA ameaçam menos repetir a sua crise de 1929 do que o destino da República de Weimar em 1922, quando era preciso uma cesta de dinheiro para comprar um pãozinho. Estas são as conclusões de um relatório publicado pela firma de consultoria Celent. O autor do estudo, Octavio Marenzi, é freqüentemente citado como fonte pela The Economist, pelo Financial Times e pelo Wall Street Journal. Antes de fundar a Celent, ele foi chefe do departamento de Tecnologia da Informação do Union Bank de Zurique e consultor da Booz, Allen & Hamilton's Financial Services Group na Europa e nos EUA.
Ele afirma que os diagnósticos apresentados ao público pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, são integralmente desmentidos pelas estatísticas oficiais dos órgãos que eles mesmos dirigem. Em setembro, quando persuadiu o presidente Bush a liberar 700 bilhões de dólares em verbas de emergência, Paulson disse que o sistema financeiro estava paralisado, que os mercados de crédito haviam congelado e que os empréstimos entre bancos tinham se "reduzido substancialmente". Bernanke afirmou que os negócios estavam enfrentando "reduzido acesso ao crédito".
Tudo isso é cem por cento falso. As tabelas da Secretaria do Tesouro e do Federal Reserve mostram que, em vez de diminuir, a oferta de dinheiro aumentou - e aumentou numa velocidade jamais vista antes na história americana: 74 por cento em apenas 84 dias (15 por cento só no auge da "crise"). "Antes, observa Marenzi, esse salto aconteceria no curso de uma década ou mais."
"Sem dúvida - prossegue -, um certo número de importantes instituições financeiras e de firmas industriais está em sérias dificuldades. No entanto, dificuldades de crédito que afetem um conjunto específico de firmas não é a mesma coisa que um problema no mercado de crédito como conjunto." No geral, afirma Marenzi, este último estava funcionando muito bem. Se algum risco havia era o da hiperinflação - e a maciça injeção de dinheiro do governo só pode transformar esse risco numa realidade iminente. O relatório está em http://www.celent.com/PressReleases/20081210/WhatCreditCrisis.asp.
A conclusão de Marenzi é que Paulson e Bernanke deformaram os fatos "para justificar um acréscimo sem precedentes da intervenção governamental nos mercados". Mas os dois não fizeram isso sozinhos: a grande mídia inteira os ajudou, endossando suas palavras e abstendo-se meticulosamente de conferi-los com os dados publicados pelas instituições que eles chefiam. Foi justamente por ver que os jornalistas não cumpriam sua função que a Celent decidiu cumpri-la em lugar deles.
No entanto, é claro que os riscos não se limitam à hiperinflação. O anúncio espalhafatoso de uma crise inexistente deslancha, por si mesmo, uma crise real. A oferta de crédito caiu significativamente depois da Lei de Estabilização Econômica assinada em 3 de outubro (Emergency Economic Stabilization Act). Mas, se o remédio foi tão manifestamente culpado por reduzir ao estado de coma um paciente que estava são, não se pode dizer que esse fenômeno não teve precedentes na história da economia americana.
Num discurso pronunciado em 8 de novembro de 2002 na Universidade de Chicago, o próprio Bernanke confessou que a Grande Depressão de 1929-1933 não foi causada pela ação espontânea dos fatores econômicos, mas pelo intervencionismo nefasto do Federal Reserve. O discurso foi feito na cerimônia de homenagem ao nonagésimo aniversário de Milton Friedmann - o economista que ao longo de décadas, contra tudo e contra todos, vinha responsabilizando o Federal Reserve pela crise de 1929. Agora era um dos diretores do próprio Federal Reserve que confessava publicamente as culpas da instituição. Mas nem sempre a confissão é um ato sincero de repúdio ao crime. Pode haver nela uma ponta de orgulho secreto, que prenuncia a reincidência. Decorridos seis anos, com Bernanke na presidência, o Federal Reserve está de novo criando uma crise do nada, e, como diz Marenzi, novamente "para justificar um acréscimo de intervenção governamental nos mercados".
Mas, se é assim - e, depois de olhar a tabela anexa, não imagino como possa ter sido outra coisa -, então resta a pergunta: foi George W. Bush quem mandou Paulson e Bernanke fazerem isso? Por que um presidente que está nos últimos dias do mandato buscaria aumentar dessa maneira o poder do Executivo, se ele mesmo não poderá desfrutar dos novos instrumentos de comando? Obviamente, Bernanke e Paulson não estão entregando esses instrumentos nas mãos de George W. Bush, mas de Barack Hussein Obama. Trata-se de fazer com que o próximo presidente já assuma o cargo na condição de ditador financeiro.
Se a operação foi realizada na base do engodo e da ocultação premeditada de informações, não há nisso nada de estranho, de vez que a própria vitória eleitoral de Obama foi alcançada pelos mesmos meios: não há a menor dúvida de que, se a mídia armasse em torno do sumiço dos documentos de Obama um centésimo do escarceu que fez quanto à gravidez da filha de Sarah Palin ou das multas de trânsito de Joe the Plumber, o candidato democrata não teria tantos votos. O eleitorado foi totalmente ludibriado quanto à identidade do homem em quem votava, substituída pelo símbolo candidato negro, como se tudo quanto os votantes precisavam saber do futuro presidente fosse a cor da sua pele - e qualquer curiosidade quanto aos capítulos incertos da sua biografia fosse crime de racismo: duas premissas que a mídia inteira adotou como cláusulas pétreas do seu manual de redação durante as eleições.
Se duas gigantescas operações de desinformação são empreendidas simultaneamente, uma para forçar o povo a escolher um candidato sem fazer perguntas, outra para ajudar esse candidato a subir ao cargo já com poderes incalculavelmente aumentados, só um idiota completo poderia supor que essas duas operações foram totalmente independentes, só unidas pela mera coincidência de um sincronismo junguiano ou de uma imponderável decisão divina.
Em compensação, é verdadeira a articulação das duas manobras com uma terceira, uma quarta e uma quinta, todas convergentemente destinadas a munir de poderes especiais o próximo presidente. 1 A mais óbvia de todas é invenção pessoal de Barack Hussein Obama: a menina-dos-olhos do presidente-eleito é o seu projeto de uma força civil de segurança nacional, militância estudantil armada, paga com o dinheiro dos contribuintes para atemorizá-los e persegui-los ao menor chamado do profeta ungido (v. http://www.ibdeditorials.com/IBDArticles.aspx?id=305420655186700). 2 Enquanto o diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, advertia que as restrições de crédito para pessoas de baixa renda podem provocar distúrbios sociais, o próprio Paulson informava que o governo está preparado para enfrentar com a lei marcial as eventuais agitações e protestos que a "crise" venha a suscitar. Lei marcial significa suspensão dos direitos e garantias individuais. 3 Discretamente, alguns expoentes do pensamento militar americano preparam-se para jogar no lixo a lei Posse Comitatus, que desde 1878 proíbe o uso das Forças Armadas como instrumento de repressão interna. Um relatório do Instituto de Estudos Estratégicos do U.S. Army War College afirma explicitamente: "O Departamento de Defesa pode ser forçado a conter e reverter ameaças violentas à tranqüilidade interna. Sob as mais extremas circunstâncias, isso pode incluir o uso da força militar contra grupos hostis dentro dos EUA." (v. http://www.newsmax.com/headlines/military_domestic_use/2008/12/23/164765.html?s=al&promo_code=763E-1). Alguns conservadores, num lance de humor negro, chamam isso de Posse Obamitatus.
Aqueles seres superiores que adquirem suas certezas da contemplação diária de um aparelho de TV devem sentir-se livres, sem nenhum ressentimento da minha parte, para desprezar a convergência lógica desses fatos como pura teoria da conspiração. Mas não impedirão que, ao 61 anos de idade, eu já tenha compreendido que a obsessão de parecer normal, equilibrado e mainstream é um sintoma de insegurança muito mal disfarçado.
Olavo de Carvalho é jornalista, ensaista e professor de Filosofia

Reprodução