Notícias Militares

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

PERIGO VENEZUELANO


PERIGO VENEZUELANO

Volto ao assunto "Venezuela" por julgar que, dia-a-dia, as implicações
e conseqüências para o Brasil do que lá se passa ganham novo realce e
dimensão e por sentir que, apesar dos insistentes alertas da imprensa,
o governo federal e a sua diplomacia em particular parecem indiferente
às turbulências em curso.

Na semana passada a Assembléia Nacional Venezuelana aprovou as
polêmicas 58 emendas constitucionais, a mais preocupante delas aquela
que prorroga indefinidamente o mandato presidencial de Hugo Chaves,
que declarou pretender ficar no poder até 2031. Jovem ainda, o tempo
joga a seu favor e, ao final do período que pré-fixou, estará com 77
anos de idade e todos os atuais líderes mundiais e continentais já
terão saído da cena política.. É mais um daqueles exemplos que,
periodicamente, atormentam a história mundial e que valendo-se das
fragilidades da democracia busca a sua destruição, impondo-lhe um
poder ditatorial sob uma roupagem de amplas liberdades e aprovação
popular. Pouco a pouco, mas, talvez, já um tanto tarde, igreja,
imprensa, oposicionistas políticos e milhões de cidadãos esboçam uma
reação ante a manifesta disposição de calar as suas vozes.

Assim, a chamada "República Bolivariana" se consolida e ameaça se
espalhar pelo continente latino-americano, onde já encontra
simpatizantes e parceiros submissos na Bolívia, Equador e até mesmo na
orgulhosa Argentina, que, em busca de uns trocados, submete-se á
política de Chaves.

Mas, o perigo venezuelano não se limita ao expansionismo da sua
ideologia demodê, que intenta em implantar no continente o
"socialismo do século XXI". Encontra respaldo em uma sólida base
militar que, de forma significativa e pragmática, vai se construindo
e consolidando a fim de apoiar as suas pretensões expansionistas, com
o objetivo definido de, a médio prazo, transformar a Venezuela no
maior poder militar da América Latina, ameaçando, desde já, alguns
países com intervenção armada , como foi a recente declaração com
relação à Bolívia, país com quem celebrou um controverso acordo
militar, possibilitando a construção de numerosas bases nas suas
fronteiras, vale dizer, inclusive com a nossa.

Parece que o Brasil ainda não se apercebeu do que está ocorrendo ao
norte, quando movido pela abundância dos petrodólares Chaves promove
pesados investimentos em armamentos sofisticados, gerando uma corrida
armamentista e uma nova realidade político-militar na América do Sul.

O fantástico pacote militar venezuelano pode chegar a US$ 60 bilhões
até 2020, quando, no dizer de Chaves, a Venezuela será a mais poderosa
potência militar latino-americana. Ao começar o seu programa militar o
barril de petróleo era cotado a US$ 40,00, hoje, em torno dos
US$90,00, com possibilidades de atingir os US$ 100,0 até o final do
presente ano. Essa abundância de recursos financeiros, com
perspectivas de assim prosseguir por um longo período, é um incentivo
para a ampliação e o aprimoramento tecnológico do seu complexo
militar, abrangendo de forma ampla e equilibrada as suas forças
terrestres,navais e aéreas.

O plano de modernização em curso dará às forças armadas venezuelanas
(ou forças armadas bolivarianas) um invejável poder dissuasório, já no
ano de 2012, com investimentos estimados em US$ 30,7 bilhões,
conforme abaixo se constata:

- elevação do contingente militar de 83.000 para 500.000 homens;

- criação da Milícia Nacional Bolivariana, hoje, com aproximadamente
1 milhão de milicianos , podendo chegar a 2 milhões. Enquadrada pelo
Comando Geral das Reservas e Mobilização Nacional, sua estrutura é
paralela e não subordinada às forças armadas e destina-se a defender o
Partido Socialista Unido da Venezuela (seriam as SS venezuelanas?). Na
prática, funciona como um contrapeso político às forças armadas.

- aquisição de um lote 3 submarinos russos que pode chegar a 10,
classe Amur, de 1750 toneladas, propulsão diesel elétrica, capazes de
operar em qualquer tipo de mar (exceção dos glaciares), equipados com
4 mísseis leves de cruzeiro, 10 mísseis antiaéreos e 18 torpedos
pesados de 533 milímetros;

- modernização e atualização tecnológica de 2 submarinos de fabricação alemã;

-aquisição e ou revitalização de 138 navios de diversos tipos;

- aquisição de um lote de 800 viaturas blindadas russas, BTR-90, 20
toneladas, sobre rodas, equipadas com canhões rápidos de 30
milímetros, velocidade de 110km/h. Essa compra pode alcançar 1000
veículos, com as 200 unidades suplementares destinadas ao transporte
de tropa;

- aquisição de 100.000 fuzis automáticos russos kalashinikov, AR-103;

- aquisição de 24 super-caças Sukhoi-30, com investimento de US$ 800
milhões, ponta de lança de um ambicioso programa que pode chegar até
150 supersônicos;

- aquisição de 53 helicópteros de ataque russos (modelos MI-17,
MI-35 e MI-26);

- aquisição de 10 aviões de transporte CASA 295;

- aquisição de 2 aviões de patrulha marítima CASA 235;

- aquisição de 600.000 bombas, comuns e inteligentes, guiadas a
laser ou por GPS, compradas da Europa;

- negociação de 10 radares de defesa aérea com a Suíça e de 3
estações de radar tridimensional YPR, com a China, como parte de um
programa de US$ 150 milhões para a defesa aérea;

- mísseis antiaéreos e de longo alcance.

Será que todo esse aparato militar destina-se apenas a se por a uma
possível invasão norte-americana? Parece pouco provável.

A modernização e ampliação das forças armadas venezuelanas tem um
importante subproduto político: o apoio incondicional dos seus
integrantes à loucura bolivariana e o suporte para um longo período
ditatorial.

Chaves, na sua luta messiânica de implantar na América Latina o
socialismo do século XXI, não tem pejo de fazê-lo apenas no campo da
doutrinação ideológica. Apóstolo de um credo retrógrado, que nem o
grande Simon Bolívar foi capaz de concretizar, sonha unir os povos
latino-americanos sob sua influência e poder, de forma pacífica ou
cruenta, como recentemente ameaçou, unilateralmente, intervir
militarmente na Bolívia para apoiar Evo Morales.

Seria o caso de se perguntar qual seria a atitude brasileira face à
essa loucura política, junto às nossas fronteiras.? Iríamos tolerar,
como disse o próprio Chaves, um novo Vietnã em área diplomática do
nosso interesse imediato?

Arvorando-se portador de uma mensagem salvadora, messiânica, de
redenção das populações miseráveis, metamorfoseia-se em polícia
hemisférica apoiando os que lhe são fiéis e combatendo os que se lhe
opõem. Começa a apresentar as garras de todo caudilho: a
autoconfiança, a prepotência, a propriedade da verdade absoluta e a
firme convicção de que os fins justificam os meios.

A Venezuela tem pendências históricas com a Colômbia e a Guiana e
tornando-se uma potência militarista e expansionista pode ser tentada
a resolvê-las pela força das armas.

A médio prazo está criado um clima de grande instabilidade e apreensão
ao norte do continente sul-americano.

E o Brasil como se situa nesse desafiante contexto?

Diplomaticamente, temos demonstrado uma enorme inaptidão e
fragilidade para exercer o poder que temos. Quase que caminhamos a
reboque das idéias de Chaves. Todos os seus grandes projetos e
iniciativas - Mercosul, gasoduto sul-americano, banco do sul - mesmo
contrariando interesses brasileiros, vêm encontrando guarida e boa
vontade na nossa diplomacia, o que só faz crescer a força pessoal e
política do caudilho no hemisfério, em detrimento da tradicional
influência brasileira.

Militarmente, é ainda mais crítica a nossa situação e, talvez, isso
possa explicar a submissão da diplomacia, que não tem a respaldá-la
uma força militar dotada de real capacidade dissuasória.

A ameaça da Venezuela não se restringe apenas à parte norte do país,
Roraima em particular. O núcleo vital, Brasília incluída, estará ao
alcance dos seus aviões supersônicos, que terão a certeza do sucesso
dos seus ataques e incursões pela fragilidade da nossa defesa
antiaérea e meios aéreos de interceptação.

Os modernos BTR-90, que mobiliarão as unidades de reconhecimento e
mecanizadas venezuelanas, não encontrarão pela frente resistência de
vulto e a possível incursão ao longo da espinha dorsal da BR-174 será
um verdadeiro passeio.

No mar, o núcleo vital do País, suas plataformas de petróleo e o
intenso e fundamental comércio marítimo brasileiro ficarão seriamente
ameaçados pelos modernos submarinos Amur, que terão pela frente uma
tímida resposta da nossa Marinha.

E por que chegamos a esse quadro catastrófico e, infelizmente, muito
longe de hipotético.?

Porque há um quarto de século as forças armadas brasileiras vêm sendo
menosprezadas e contempladas com baixíssimas prioridades, se é que
alguma existe, pelas ações governamentais indiferentes às possíveis
ameaças e incapazes de estabelecerem e executarem uma política de
defesa consentânea com os objetivos de segurança do Brasil. A falta de
visão estratégica dos nossos dirigentes é abaixo da crítica.

É vergonhoso, desestimulante e quase desanimador o quadro
catastrófico revelado nos recentes depoimentos, no Congresso
Nacional, pelos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Em linguagem bem crua e real as nossas forças armadas estão muito
aquém, não têm condições de cumprir as suas missões constitucionais de
garantia da soberania e integridade territorial brasileiras.

Revanchismos, pequenez política, oportunismos, roubalheiras,
politicagens, ausência de uma postura de estadista do
comandante-em-chefe têm concorrido para as baixíssimas prioridades
dadas às forças armadas, impedindo-as de realizarem investimentos que
promovam a sua modernização e atualização tecnológica. O pouco que
recebem é para a sua vida vegetativa. E se existe uma lição que todos
temos que apreender é que forças armadas não se improvisam e
relegá-las a plano secundário é correr o inaceitável risco da
derrota. Como hoje se encontram, melhor seria chamá-las de forças
desarmadas.

É forçoso que o brasileiro em geral e as elites dirigentes em
particular tomem conhecimento do estado deplorável, vergonhoso e das
enormes fragilidades em que se encontram as suas forças armadas e que,
quando empregadas, o verdadeiro ônus do despreparo e do provável
insucesso recaia no governo, na figura do comandante-em-chefe, na
qual o Presidente da República está investido.

O quadro atual parece mais caótico do que aquele vivido nos primórdios
da Guerra do Paraguai, quando tivemos que amargar a vergonhosa
capitulação de Uruguaiana e promover a reorganização e o reequipamento
da Marinha e do Exército quando o inimigo já pisava o solo pátrio.
Mestra nos seus ensinamentos, a história registra o mal que figuras
totalitárias e caudilhescas, como a do Sr Hugo Chaves, fazem aos seus
países e à humanidade.

Mais do que nunca, o Brasil não pode menosprezar o perigo venezuelano.

* Gen Ex Refm. Luiz Gonzaga Schröeder Lessa

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Apoio ao Gen Heleno se amplia





Calaram fundo as manifestações do general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, criticando a política indigenista do governo. Em vários estados, surgem adesivos em pára-brisas em apoio ao militar, inclusive com insinuações eleitorais. Em Manaus, um adesivo com a bandeira brasileira ao fundo manifesta apoio a ele e, no Paraná, o leitor Rômulo Nogueira, de Brasília, fotografou um carro com o vistoso adesivo "Estou com o gal. Heleno e não abro!". O comandante militar fica encabulado com tudo isso e até preocupado, porque, afinal, conforme afirmou a esta coluna, jamais teve pretensões políticas. E continua sem elas.

Uma história para não lembrar



Sábado, 20 de Setembro de 2008

Marighella e o grupo Ói: uma história para não lembrar.
Esta tarde, as 15h, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, o grupo teatral gaúcho Ói Nóis Aqui Traveiz, vai apresentar o espetáculo "O Amargo Santo da Purificação". Domingo ao meio dia, caso não chova, a apresentação será na Redenção.. O espetáculo tenta contar a trajetória do político e guerrilheiro comunista Carlos Marighella. Marighella combateu as ditaduras de Vargas (1937 a 1945) e dos militares (1964-'1982) para substitui-las pela ditadura de classe, implantando o comunismo, ou seja, a eliminação de todas as formas de liberdades públicas e de propriedade, inclusive a de expressão.Eis como o jornal Zero Hora deste sábado vê Marighella: "Carlos Marighella é um ícone da esqueda. É um anticristo para a direita. Independentemente do lado, o baiano marcou sua trajetória política pela coerência - lutou contra a ditadura do Estado Novo, pegou em armas para combater o Golpe de 1964. Quando achou que só a luta armada seria a solução, rompeu com o Partido comunista e criou a Aliança Libertadora Nacional em 1968". Zero Hora não informa em nenhum momento o que de fato moveu Marighella durante toda a sua vida legal e clandestina, porque seria obrigada a informar que este líder político batalhou para acabar com a economia de mercado, o capitalismo, inclusive todas as formas de propriedade, e também com o estado democrático de direito, ou seja, todas as formas de liberdade, inclusive de informação e opinião, razões da própria existência do jornal que badala a peça do grupo gaúcho de teatro. E para substituir tudo o que não desejava, que regime político e sistema econômico defendia Marighella: o comunismo, na sua forma inicial de estatização de todas as formas de propriedade, inclusive residências e indústrias, e de ditadura de classe. Este regime e este sistema não existem mais em lugar algum do mundo, a não ser em Cuba e no Vietname, porque foi suprimido pelos próprios povos que oprimiam, a começar pela União Soviética, que nem existe mais. . O que se espera é que o grupo do Ói não tenha montado sua obra com recursos da LIC, ou seja, dos impostos que eu, você, todos nós, entregamos para essa gente produzir espetáculos espertos como este. Aliás, Marighella é o líder máximo do PCdoB, o Partido da candidata Manuela D'Ávila, que nem toca no nome do seu ícone e sequer usa os símbolos que sempre idolatrou. O dinheiro da LIC virou assunto para investigações policiais, já que se descobriu que é usado também para todos os tipos de fraudes, falsificações e desvios.

http://www.polibiobraga.com.br/

SERVIÇO MILITAR



Fui convocado para o serviço militar. Se eu vier a servir neste ano atrapalhará minha carreira? – Lopes
Atualmente, pelo que sei, prestar serviço militar depende mais da vontade do jovem, porque os convocados são em número muito maior que as vagas. Logo, a escolha provavelmente será sua. Pensando no curto prazo, você deslancharia mais em sua carreira sendo estagiário que recruta. Porém, se experiência pessoal conta, foi servindo que eu absorvi dois conceitos vitais para minha vida profissional: disciplina e hierarquia. Não perdi nem a rebeldia nem a ironia, mas aprendi a usá-las na hora certa e na dose certa. Em retrospecto, o ano que passei no Exército foi mais útil para minha carreira do que a pós-graduação.
(NOSSA CARREIRA, COLUNA DE MAX GEHRINGER, PUBLICADA NA REVISTA ÉPOCA DE 11 DE AGOSTO DE 2008

domingo, 21 de setembro de 2008

A GREVE,O BABALHÃO,O FALSO ASTRO E A GURRILHEIRA

A GREVE , O BOBALHÃO , O FALSO ASTRO E A GUERRILHEIRA
Porto Alegre,RS,17 de setembro de 2008.
RUI GARAVELO MACHADO

A GREVE , O BOBALHÃO , O FALSO ASTRO E A GUERRILHEIRA
- ... qual o pior ?....


Ontem (16/09/08) , nos noticiosos noturnos em (quase) todas as TVs , algumas notícias despertaram minha atenção - entre tantas.

A greve de servidores de Hospitais , no NE e as imagens do Sr LULA em várias oportunidades , em especial , em Palácio , quando da recepção de Autoridade da NORUEGA.

Já ,à tarde , em gravação da TV Senado , foi possível assistir a mais uma encenação do personagem "O BOBALHÃO " magnificamente interpretado pelo Senador SUPLICY. . Ninguém irá/poderá me convencer que o Senador SUPLICY não está - permanentemente - interpretando o papel de um abobado/bobalhão/idiota.
Não é possível que isso não seja verdadeiro e o Senador SUPLICY seja , em realidade , o que demonstra ser em Plenário.
É , sem sombra de dúvidas , um homem na interpretação (permanente ) de um deficiente.


Mas , retornando à greve:
- servidores de Hospitais que se declaram em greve sem uma prévia notícia e/ou sem deixar uma parcela significativa para atender às necessidades normais ( que são anormais pela quantidade de pacientes e pela super deficiência no atendimento ) são uns irresponsáveis ; nada - repito : NADA poderá justificar uma greve desencadeada dessa maneira ; é irresponsabilidade.

O Sr LULA , por seu turno , e como é de praxe , se apresenta em público como uma astro da música sertaneja , isto é , pouco alfabetizado, dizendo um amontoado de besteiras e asnices e se sentindo um fora de série .

O pior , o pior mesmo , é a platéia que o aplaude como se um sábio fosse.
Diga ele ( Sr LULA ) qualquer estultice e a choldra que o segue e serve de claque , vai à loucura . São bastante parecidos com as platéias de shows que nem sabem o que dizem e/ou que cantam. Observem a estupidez das letras .

E , nos últimos meses , o Sr LULA não dá um passo e nem sobe nos Palanques - o que faz diuturnamente - sem estar acompanhado da Ministra DILMA .

Por derradeiro e em conseqüência disso , fui reler um Artigo escrito pelo Cel ERILDO sobre uma Reunião do então Cmt/EB - Gen Ex ALBUQUERQUE - no CPORPA ; ao final , o Exmo Sr General elogiou a Ministra DILMA , declinando as mil virtudes (sic ) daquela senhora.
Diz o Cel ERILDO - com uma sábia e larga visão - que não conseguiria aceitar aquilo se não fosse um Soldado Disciplinado e Respeitador da Hierarquia.
Sábias , serenas , sensatas palavras as do Cel ERILDO , no entanto , é triste - muito triste - para Velhos Soldados , entre os quais me incluo , ver Generais e , no caso , o Comandante do EXÉRCITO BRASILEIRO incensando uma guerrilheira e ativista do que houve de pior entre os anos de 1964 e a Anistia.

Pobre EB.
Pobre País.

RUI GARAVELO MACHADO

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O Exército que temos e o Exército que precisamos


O Exército que temos e o Exército que precisamos

Por Coronel Gélio Augusto Barbosa Fregapani, 15 de setembro de 2008

A História está cheia de exemplos de derrotas de bons exércitos que pararam no tempo. Durante uma guerra, os exércitos evoluem se ainda tiverem oportunidade, mas a deusa da vitória só sorri para quem, se antecipando, soube quando, por que e como mudar.
Querendo preparar o nosso Exército para vencer nas guerras que podem acontecer , devemos primeiro identificar quais as ameaças à nação que possam justificar uma guerra, em que tipo de guerra teríamos que lutar e, finalmente como poderíamos vencer tal guerra.

Exércitos servem para garantir, pela força, os objetivos nacionais. Isto só funciona se for forte suficiente e adequado ao tipo de luta que se pode prever. Ainda que os Objetivos Nacionais devam ser definidos pelos governos, todos conhecem alguns deles que necessariamente devem ser garantidos pela força: a Independência; a Integridade Territorial, a Autonomia em face de pressões militares e a Ordem Interna. Consideramos que não existe ameaça à Independência. A independência é um fato consolidado e irreversível. Entretanto quanto aos outros objetivos...

Até a década de 60, a Amazônia não era motivo de preocupação. Era tida como Região Amortecedora — na nossa Geopolítica e na de alguns ‘brasilianists’ norte-americanos. A partir de então, os oficiais em serviço na área iniciaram a detectar sinais de perigo. Mesmo para os desavisados a Amazônia passou a ser algo mais do que uma região ocupada por uma densa floresta tropical em 1986, quando milhares de cidadãos europeus assinaram documento que foi submetido ao Congresso Constituinte no Brasil com a intenção de que fosse incorporado ao texto da Carta Magna que estava sendo elaborada, dando às tribos indígenas o status de Nação. Na década de 90 as pressões internacionais atingiriam um grau alarmante.

No ocaso da Guerra Fria, já estava evidente que a ameaça estava ao norte, e não partia de nossos vizinhos, mas de povos mais evoluídos contando com forças muito superiores. Para esta última hipótese, estudos do Estado Maior mostravam nossa completa inferioridade não só de efetivos como principalmente de armamentos e tecnologia

Reconhecida como principal, ameaça, a ambição estrangeira pela Amazônia, evidenciou-se que entre os cenários possíveis haveria o de confronto militar. Os dois sub-cenários mais prováveis: a secessão de terras indígenas apoiadas pelas grandes potências ou a simples tomada a “manu militari” para se apoderar de matérias primas, sempre nas desabitadas mas altamente mineralizadas serras do norte da Amazônia.

Obviamente que, em qualquer dos casos, enfrentaríamos um inimigo infinitamente superior, impossível de vencer em campo raso, que contará com supremacia aérea e naval e ainda terá ao seu lado as tribos indígenas industriadas pelas ONGs. No caso de secessão de terras indígenas, mesmo apoiadas militarmente por países desenvolvidos, a guerra provavelmente se circunscreveria às terras do norte da Amazônia. No caso de agressão militar aberta, numa tentativa de quebra da vontade nacional podemos esperar bombardeios seletivos como das hidrelétricas, tomada ou destruição das plataformas de petróleo, bloqueio naval, bombardeios e mesmo tomada de cidades, centros industriais e de decisão. Em ambos os casos, o tamanho do território nacional impede uma ocupação total, o que significa que sempre teremos uma base para contra-atacar.

Identificada a ameaça, a boa doutrina aponta o método a ser seguido: perguntamos se a nossa organização, nossos equipamentos e nossos procedimentos conteriam a ameaça. Caso negativo, o que necessitaremos modificar nos procedimentos, equipamentos e organização para garantir o sucesso. Trataremos aqui, para esta hipótese, apenas da preparação das Forças de Terra abstraindo a ação das demais Forças armadas e da também indispensável Defesa Civil. Mesmo limitando o estudo ao Exército, será necessário alguma “quebra” de paradigmas. Algo difícil, pois abarca aspectos de ordem cultural e requer mudanças na doutrina e nos conceitos organizacionais e operacionais, porém devemos encarar a necessidade da transformação da Força Terrestre como inevitável se quisermos vencer, ou mesmo termos uma oportunidade de dissuadir o adversário de por seus planos em execução.

- O Exercito que temos. Como está?

Com parcos recursos o Exército Brasileiro faz grande esforço para manter algum poder de combate. Tal como na maioria dos Exércitos atuais, a brigada e a divisão são os tipos de Grande Unidade permanente. A brigada com 2 a 5 batalhões e a Divisão com 2 a 5 Brigadas, sempre com as unidades complementares de artilharia, engenharia comunicações e apoio logístico. A estrutura é flexível; seria adaptada para o combate campal se fosse dotada de material atualizado.

Possuímos quatro divisões razoavelmente completas (ainda que dotadas de material defasado), sendo as demais incompletas. Poucas unidades e apenas uma brigada são constituídas por tropa profissional. A maioria das unidades, sujeita ao ciclo anual de incorporação e baixa dos conscritos quase nunca está pronta para o combate. Em sua maioria os batalhões têm boas condições de montar patrulhas de combate, mas não de atuar como uma unidade em combate moderno. Em operações, podem ser empregadas brigadas orgânicas ou Forças-Tarefa compostas por elementos de uma ou mais brigadas, como acontece nas Forças de Paz enviadas ao exterior.

Convencido que não teria inimigos a altura na América do Sul, o Exército deu mais ênfase à mobilização do que ao pronto emprego. A dimensão do País e a experiência da Guerra do Paraguai reforçavam a certeza que, uma vez atacado, as forças vivas da nação teriam condições de reagir e montar o exército que fosse necessário. Durante um século nossas hipóteses de guerra versavam em torno da herança colonial, contra os castelhanos da Argentina ou mesmo contra uma coligação de países do Cone Sul. Para aquela guerra estávamos relativamente preparados: bastava retardar o inimigo até uma linha defensiva, agüentar lá até que o nosso potencial fosse mobilizado, quando passaríamos a ofensiva. Isto não aconteceu. Em vez disso tivemos que enviar uma Força Expedicionária contra a Alemanha, e só conseguimos juntar uma Divisão, assim mesmo equipada pelos nossos aliados. A partir daí, com a Guerra Fria, esta hipótese foi perdendo força, avultando as necessidades da defesa interna, aliás, bem sucedida, e a pressuposição que numa próxima guerra, nossa participação seria com nova força expedicionária. Que a defesa do território se resumiria a questões intestinas.

As falhas do sistema, já vivenciadas por ocasião da FEB, evidenciavam cada vez que devia ser montada com rapidez uma força expedicionária, mesmo que fosse só um batalhão em missão de paz. Avultou a necessidade de haver tropas de pronto emprego e de mobilidade aérea para as operações internas. Mesmo carente de recursos, o Exército preparou como pode tropas de pronto emprego e criou uma aviação própria. Para enfrentar a hipótese de confronto com forças muito superiores, especialmente nas serras do norte da Amazônia, estudos do Estado Maior mostravam nossa completa inferioridade não só de efetivos como, principalmente, de armamentos e tecnologia. Temos consciência de que uma nossa unidade militar com o armamento e o equipamento existentes, que se choque em campo raso com uma unidade dotada com armamento e equipamento modernos, se desmanchará como um pote de barro trombando com um pote de ferro.

Nosso Exército, da forma em que está não tem possibilidade de superar esta ameaça, quer se circunscreva às áreas ambicionadas da Amazônia quer inclua atuação nos pontos chaves do espaço ecúmeno nacional visando quebrar a vontade de resistir. Podemos agüentar bombardeios em nosso território, por muito prejuízo que cause. Havendo invasão de espaço povoado, até poderemos responder com guerrilhas rurais e urbanas, se as tivermos preparado com antecedência; entretanto mesmo as tropas de pronto emprego não teriam como fazer face ao poderoso inimigo em batalha campal, e a tão necessária mobilidade aérea, indispensável face ao tamanho do nosso território, é completamente inútil quando o inimigo tem a supremacia no ar.

Caso o inimigo se limite a estabelecer uma “Zona de Exclusão” no estilo que houve nas Malvinas abrangendo apenas as reservas indígenas da fronteira (Ianomami, Raposa, Uai-Uai, Atroari e outras, - exatamente nas mineralizadas serras do norte), reação possível somente com as tropas existentes no local da invasão ou com as que conseguirmos levar até lá. Com certeza se repetiriam, em nossos pelotões de fronteira, episódios como o de Antonio João em Dourados, de significado moral, mas de nulo efeito operacional. Os atuais pelotões de Fronteira são marcos da nacionalidade, mas em termos bélicos não têm maior significação; ao contrário, por não serem auto-suficientes, terão que ser sustentados logisticamente mesmo estando fora da área atacada em ocasião em que todos os meios disponíveis serão necessários em combate. Só articulando com antecedência se poderia contar com o auxílio de umas poucas tribos indígenas e principalmente dos garimpeiros.

No momento, para evitar a atuação de inimigo muito superior em apoio à independência de nações indígenas, o Exército aposta no que lhe resta: a dissuasão que possa ser provocada pela certeza de que faríamos uma guerrilha infindável na selva, estratégia denominada “de resistência”; transfere toda a tropa que pode para a Amazônia, mas ainda está longe de ter a força necessária nas proximidades das serras da fronteira, o verdadeiro teatro das prováveis disputas, onde se encontram as cobiçadas jazidas de minérios estratégicos.
Considera-se inevitável a supremacia aérea inimiga. O bloqueio aéreo dos rios e estradas nos impedirá de levar para lá um só batalhão sem atravessar centenas de quilômetros de selva. Isto significa que deveríamos estar lá antes da guerra.

Resumindo: Exército tem boas condições de superar as ultrapassadas hipóteses de Guerra e de atuar eficazmente na segurança interna, mas está com o dispositivo, a organização equipamento e armamento inadequado para enfrentar as principais ameaças que podemos vislumbrar.

- Muito bem, e daí? – Qual o próximo passo?

Antes de pensarmos qual o tipo de Exército que nos convém, façamos algumas considerações sobre a natureza das guerras na atual conjuntura.

Dia a dia as armas são aperfeiçoadas e novas aparecem. Os mísseis, cada vez mais portáteis se revelam eficazes contra aeronaves, contra pessoal e principalmente contra carros de combate. A situação destes últimos se assemelha a do cavaleiro medieval quando do aparecimento do mosquete; pensava-se que ainda haveria muitas flechas e lanças, e que a armadura deveria ser conservada. Foi necessário um século de perdas sangrentas para aprender que o mosquete era o novo rei. O mesmo acontece agora; a mobilidade continua importante, a blindagem não. Os exércitos modernos (ainda não é o nosso caso) podem identificar alvos pela assinatura eletrônica, pelo calor e podem destruir qualquer alvo identificado. Em conseqüência, as armas devem ficar longe da guarnição, manejadas por controle remoto ou então não apresentar alvos compensadores ou ainda se deslocar rapidamente após o tiro.

Devemos também considerar que, com a ampliação das áreas urbanas, a concentração das riquezas e nós de comunicação nas cidades, o combate tende a ser cada vez mais em ambiente urbano. Será vantajoso reavaliar a organização e o equipamento criado para o combate campal na hipótese dos combates se desenvolverem predominantemente em cidades. Já no presente, com as armas acionadas por controle remoto, e cada vez mais no futuro as armas serão dotadas de sensores que apontarão e decidirão quando atirar. Algumas elementares (minas e armadilhas) são empregadas desde muito tempo, mas o futuro nos promete a grande ampliação do uso de armas com sensores que decidirão por si quando atirar ou explodir. Muito da camuflagem será o como “enganar” os sensores.

Por fim, pode-se esperar que os alvos serão fugazes; as situações evoluirão com muita rapidez e as comunicações não serão confiáveis, tal o espectro de interferências. Em conseqüência dificilmente haverá oportunidade de informar novos dados para receber ordens. Desta forma valerá a iniciativa, boa ou não, dentro de um objetivo geral tipo “fazer algo que ajude a ganhar a guerra”. A História está cheia de exemplos de derrotas de bons exércitos que pararam no tempo. De exércitos que se prepararam para a guerra que passou. Durante a guerra, os exércitos que não cedem podem evoluir, mas a guerra de hoje pode não ser longa suficiente. A deusa da vitória sorri para quem, se antecipando, soube quando, por que e como mudar.

Já reconhecemos como principal a ameaça de ataque de forças muito superiores, e selecionamos os dois principais cenários: a secessão de terras indígenas, guerra necessariamente circunscrita ainda que apoiada pelas grandes potências, ou a simples tomada por estas, a “manu militari” das mineralizadas serras do norte da Amazônia. Já vimos que, neste caso tenderia a haver ações inimigas no restante do território visando quebrar a vontade nacional por bombardeios seletivos como das hidrelétricas e a tomada ou destruição das plataformas de petróleo e mesmo tomada de cidades centros industriais e de decisão.

Obviamente que, em ambos os casos, enfrentaremos um inimigo que contará com supremacia aérea e naval, impossível de vencer em campo raso. Considerando que não poderemos vencer exércitos muito superiores em campo aberto, nos resta a selvas e as cidades, que reduzem de muito a eficiência dos equipamentos superiores e são reconhecidamente locais adequados à defesa. Nas cidades contaríamos com o auxílio da população. Na selva, nossa superioridade de conhecimento do terreno fica diminuída se o inimigo tiver ao seu lado as tribos indígenas industriadas pelas ONGs.

Também concluímos que dificilmente conseguiríamos deslocar tropas para o local da invasão. Sabemos também que é impossível uma ocupação total do território nacional, e que sempre teremos uma base para contra-atacar. Articulando com antecedência, se pode conseguir, nas serras da Amazônia a cooperação de umas poucas tribos indígenas e principalmente dos garimpeiros.

Resumindo: Já que o nosso dispositivo, nossos meios e nosso procedimento se mostram inadequados para enfrentar as ameaças que identificamos, devemos adaptá-los o quanto antes. Conseguindo em tempo útil talvez até possamos evitar a guerra. Enquanto nossas forças forem reconhecidamente insuficientes, deixam de ser um elemento de dissuasão e passam a ser mais um atrativo.

- O Exército que precisamos

Recordando: considerando que, na hipótese de combatermos exércitos muito superiores, não poderemos enfrentá-los em campo aberto. Nos restará a selva, que reduz de muito a eficiência dos equipamentos superiores e as cidades, reconhecidamente locais adequados à defesa e onde a população é brasileira. Sendo a guerra circunscrita à área em disputa, ou seja, abrangendo as reservas Ianomami, Raposa-Serra do Sol, Uai-Uai Atroari-Uaimiri, (exatamente nas mineralizadas serras do norte) a guerra será na selva, mas o bloqueio aéreo dos rios e estradas nos impedirá de levar para lá um só batalhão sem atravessar centenas de quilômetros de selva. Isto significa que devemos estar lá antes da guerra. Caso a guerra se estenda além da área ambicionada certamente haverá bombardeios e ocupação de cidades, especialmente as portuárias, exigindo também uma adequação para a nova situação

Baseado nessas premissas, proporemos:

1- Alterações no dispositivo
2- Alterações no recrutamento e formação
3- Alterações na organização
4- Alterações nos armamentos e equipamentos
5- Alterações nos procedimentos de combate

1 - ALTERAÇÕES NO DISPOSITIVO
Objetivo: localizar a tropa para fazer face à ameaça.

Considerando que a principal ameaça estará nas serras do Maciço Guianense (as serras que separam nosso País dos vizinhos do norte), é lá que devemos reunir, com o máximo de antecedência, as tropas de combate especializadas e as de apoio, também especializadas à região. Como exemplo, nas áreas Ianomâmi e Raposa-Serra do Sol, os atuais pelotões de Fronteira necessitam ser transformados com urgência em tropas de combate. Penso ser factível no momento transformá-los em Companhias Especiais, com quatro pelotões de Infantaria de Selva e um pelotão de defesa de base, que é o atual pelotão de Fronteira. Outras companhias necessitam ser criadas nas áreas Tiriós, Uai-Uai e Atroari. Essas Companhias Especiais devem preparar a guerra no local, estocando gêneros e munição em locais ocultos e se ligando com antecedência com garimpeiros e índios leais. Cada pelotão de Selva, com quatro grupos de combate, e deve ser dotado de mísseis portáteis, inclusive anti-aéreos. Estas companhias “de emboscada” devem ter condições de desenvolver operações independentes, juntamente com seus aliados índios, caboclos locais e garimpeiros.

A massa das tropas de combate que não forem localizadas na região onde se espera o combate seja localizada nas cidades que forem mais ameaçadas (Belém, Manaus, Boa Vista, Brasília, Rio, Salvador etc.), e especializadas, em combate em localidade. Nas proximidades da sede dos Comandos Militares de Área um batalhão de comandos pára-quedistas e da Capital Federal também um de Operações Especiais. Excelente medida já foi a criação de Bases Logísticas, liberando tropas para saírem e atuar em outros locais.

- 2 - ALTERAÇÕES NO RECRUTAMENTO E FORMAÇÃO
Objetivo: Ter tropas sempre prontas para uma reação imediata e reservas para uma ação prolongada.

Considerando que, nas atuais condições, nossas tropas são pouco mais do que escola de recrutas, os quais só estarão treinados no final do ano de instrução, e assim permanecerão por poucos meses; considerando ainda que os quadros, empenhados na instrução de recrutas e na administração têm pouco tempo e pouco estímulo para exercitar sua função primordial, qual seja, - bem comandar sua fração em combate, - a mudança se faz necessária quer no recrutamento, quer na preparação dos soldados e dos quadros.

2.1 – Recrutamento e formação de soldados

Por muitas razões, nos convém o recrutamento universal. Entretanto, a pequena quantidade de conscritos que podemos incorporar anualmente não passa de 0,5% dos rapazes em idade militar. É necessária uma reformulação, não só para que seja recebida alguma instrução militar, mas para que seja incutida e cultivada a noção de Pátria e dos valores indispensáveis à nacionalidade. A solução são os “Tiros de Guerra”. Será fácil estabelecê-los nas cidades, um por cem mil habitantes. Isto atenderá a 10% dos jovens, o que ainda é pouco mas bem melhor do que os atuais 0,5%. É óbvio que os reservistas/atiradores terão melhores condições de, liderados pelos próprios diretores do Tiro de Guerra, de desencadearem guerrilhas em seus locais de formação do que se não tivessem alguma instrução militar.

A incorporação na tropa, para voluntários, só após o Tiro de Guerra. Como o uso de armamento moderno não é assunto para amadores, nos parece conveniente o engajamento mínimo de três anos, mas na tropa não mais será necessário perder tempo com os ensinamentos elementares de ordem unida, armamento individual e procedimento em situações diversas. A tropa passa a ser tropa e não escola de recrutas como na atualidade. As escolas de recrutas seriam os Tiros de Guerra.

2.2 – Recrutamento e formação de sargentos e de oficiais temporários

O ideal é transformar os CPOR em Centros de Preparação de Quadros da Reserva – CPQR. Um por Região Militar. Estes formariam sargentos temporários no primeiro semestre e oficiais temporários no segundo. Livres da formação básica militar, já que seria requisito para a matrícula o serviço no Tiro de Guerra, (com ingresso mediante concurso) o CPQR ensinaria a ser sargento, e em função específica. Todos os terceiro sargentos seriam temporários. A partir de 3 anos de sargento poderiam fazer concurso para o Curso de Aperfeiçoamento, na ESA, onde, concluído o curso, seriam promovidos a segundo sargentos a passariam a profissionais, de carreira. Assim o Exército teria todos os terceiros e segundos sargentos que necessitasse, sem se preocupar com o gargalo nas promoções. Analogamente no segundo semestre seriam formados os oficiais temporários. Requisitos para prestar concurso: ter concluído o curso de sgt e sido aprovado em um vestibular. Tal como no curso de sargentos, a formação será para funções específicas, a partir dos ensinamentos aprendidos nos cursos de sargento (cobrados no concurso).

Na tropa não haveria recrutas. Isto nos permitirá que a mantenhamos permanentemente em condições de pronto emprego, livrando-as da atual função de serem pouco mais do que escolas de recrutas, ao contrário da situação atual, em que as tropas só estão em condições de emprego poucos meses por ano.

2.3 Recrutamento e formação de oficiais de carreira

Ter cursado um Tiro de Guerra deve ser um dos pré-requisitos para os candidatos á Escola Preparatória, que equivaleria a um curso de sargentos no CPQR. Para o ingresso, uma média ponderada da prova intelectual com um exame psicotécnico que possa medir a vocação guerreira. Um chefe militar não pode ter como aspiração uma carreira dedicada à burocracia de tempo de paz.
Quando a pátria está em perigo, todos entram na luta, mas o sucesso é mais difícil quando ela não é conduzida por guerreiros vocacionados.

- 3 - ALTERAÇÕES NA ORGANIZAÇÃO
Objetivo: adequar a organização para aproveitar ao máximo as inovações tecnológicas e as particularidades do terreno de selva e do ambiente urbano, onde se espera a busca das decisões.

A aceitação cega da tradição faz com que, muitas vezes, os militares não percebam que a situação mudou. Um exemplo disto foi a lenta morte da cavalaria hipomóvel, muito depois de sua obsolescência no campo de batalha. Nosso sistema de organização em armas e serviços, herdados da História, já deixou de ser útil desde que a complexidade da organização impôs idênticas funções em muitas tarefas das diferentes armas e serviços atuais. Assim, o soldado que maneja uma metralhadora tem a mesma função na atual Infantaria, Cavalaria ou Intendência, não se justificando mais estarem “presos” a uma arma ou serviço. Tratando-se de graduados e de oficiais, mais ainda se acentua a possibilidade de “intercâmbio”, chegando ao auge entre oficiais de Estado Maior, cujo ecletismo felizmente é adotado nas Grandes Unidades.

Sendo o atual sistema de armas e serviços ultrapassado e passível de aprimoramento, sugerimos que as unidades sejam definidas por sua finalidade e, seus componentes, por especialidade. Assim haveria unidades de assalto, de choque, de guerra urbana, de guerra na selva, de reconhecimento, de apoio de fogo, de apoio ao movimento, de apoio logístico, de guarnição e o que mais for necessário. As especializações de pessoal que forem comuns se tornam intercambiáveis nos diversos tipos de Unidades.

Além da organização geral, o Estado Maior deverá estudar a adequação de todos os escalões, a começar pelos elementares. Como exemplo vejamos o Grupo de Combate. Considerando que a moderna psicologia de combate nos indica que normalmente, em cada agrupamento reunido apenas um homem combate e os outros acompanham,­ convém seja criada uma fração elementar de três homens, que é o menor grupamento com psicologia de grupo. Esta fração só pode ser a esquadra, certamente a ser comandada por um cabo. Em conseqüência o grupo de combate ficará composto por três esquadras de três homens cada. A partir daí, cada escalão deverá ser adequado ao ambiente, visando à futura necessidade que terão de agir muitas vezes sem ligação com os escalões superiores e, o quanto possível, sem cauda logística. Naturalmente o Estado Maior do Exército terá que estudar a organização conveniente para todos os escalões, e o respectivo equipamento.

- 4 - ALTERAÇÕES NOS ARMAMENTOS E EQUIPAMENTOS
Objetivo: Aproveitar as evoluções tecnológicas no que estiver ao nosso alcance, cuidando de minimizar os efeitos da superioridade tecnológica do inimigo

Ameaçando a utilidade das armas tradicionais, as novas armas ameaçam fazer uma revolução na guerra, que corre paralela à evolução das táticas. Houve um momento na história em que o tiro do mosquete varou a armadura do cavaleiro. Isto foi reconhecido de imediato, mas se pensou que ainda haveria muitas flechas e que valeria a pena manter a couraça. A mobilidade continuou importante, mas a armadura não. O mesmo acontece hoje com a blindagem face aos mísseis, cada vez mais portáteis, e a ameaça aérea, esta capaz de varrer completamente o carro de combate do campo de batalha. Em nossa hipótese de guerra contamos que o inimigo terá a supremacia aérea. Contamos também que poderá atingir, com mísseis guiados por GPS, o que quer que tenha sido localizado pela imagem, pelo som, pela assinatura eletrônica e outros meios. E teremos que nos adequar a esta situação.

O rumo da adequação passa pela camuflagem, pelo uso de túneis e subterrâneos, pelos alvos simulacros para atrair o fogo inimigo, pela mobilidade e pelas armas distanciadas das guarnições, neste caso aceitando sua destruição depois de cumprida sua tarefa. Para enfrentar a ameaça aérea, mísseis adequados e dispersão. Veículos maiores serão armadilhas mortais. Podem ser usadas motocicletas, dentro do “conceito dragão”, isto é deslocamento motorizado e combate a pé. A maior viatura imaginada para o ambiente descrito é o “boogie” ou bugre como chamado em alguns locais, armado com um poderoso míssil.

O primeiro cuidado será com a adequação do equipamento individual. Tal como o armamento, o equipamento atualmente usado foi pensado para o uso no campo. O armamento ideal de uma esquadra de três homens seria um míssil portátil, um fuzil 762 de precisão com luneta e um FM. Com o homem do míssil, ainda uma submetralhadora, que continua sendo a melhor arma para o combate aproximado. É verdade que isto complica a logística. Complica, mas facilita o combate. O tiro de precisão a longa distância é o mais mortífero e o que causa maior efeito moral. O FM é a base do poder de fogo. Melhor que seja de calibre 556 para poder ser transportada mais munição, diminuindo a necessidade logística. O míssil portátil uma vez disparado com sucesso terá cumprido sua finalidade e o soldado ainda terá a sua submetralhadora, que continua sendo a melhor arma para o combate aproximado. Tudo fácil de ser fabricado. Mísseis elementares são de fácil fabricação por qualquer fabricante de fogos de artifício.

A Avibrás está em condições de igualar os melhores do mundo, os Karl Gustav suecos, e de planejar e fabricar mísseis maiores, capazes de fornecer eficaz apoio de fogo e contra-bateria. Obviamente necessário para este tipo de guerra, o desenvolvimento de minas e outras armas acionadas por controle remoto. Quanto ao ambiente urbano, pensar em armas com jogo de espelhos que permitam o tiro com o atirador abrigado por uma esquina. Substituir as ferramentas de sapa, inúteis nas cidades, por picaretas de minerador ou algo similar para abrir paredes. Importante equipamento: extintores de incêndio. Quanto ao armamento das demais tropas especializadas, é só seguir a mesma metodologia. Em todos dar especial ênfase a armas que possam ser acionadas de longe, por controle remoto ou mesmo com sensores que acionem o disparo ou a explosão.

- 5 - ALTERAÇÕES NOS PROCEDIMENTOS DE COMBATE
Objetivo: entender a forma de luta com a qual possamos vencer um exército superior e tecnologicamente mais avançado.

Premissas da guerra

1ª terá supremacia aérea;
2ª as nossas comunicações não serão confiáveis ou mesmo serão impossíveis;
3ª a superioridade de fogo do inimigo tornará inconveniente o enfrentamento onde as condições geográficas não limitem a eficácia do armamento superior.

Em conseqüência, neste contexto, pouco adiantaria apenas dotarmos algumas brigadas com material moderno; mas devemos evitar o combate campal, levar a guerra onde a superioridade inimiga possa ser reduzida ou neutralizada por fatores ambientais, ou seja as cidades e as florestas. É necessário o intenso uso de minas e de armas acionadas a distância. Contra elas é difícil a defesa e os contra-ataques destruirão armas, mas não causarão baixas. Acima de tudo será necessário desenvolver uma forte doutrina que privilegie a iniciativa.

Sabemos que em ambiente onde haverá interferência contínua nas comunicações, onde será impossível de haver sigilo, as comunicações não serão confiáveis e as ordens recebidas podem ser apenas um engodo da interferência eletrônica do inimigo. Os alvos fugazes e as situações fluidas tenderão a exigir ação imediata, não comportando a espera de nova orientação. Isto exigirá iniciativa em todos os escalões. Claro, algumas iniciativas serão erradas e até podem causar dano, mas no seu conjunto será altamente vantajoso. Esta é a única forma de enfrentar esse tipo de guerra. Aos comandantes, nos vários escalões, caberá dar a orientação geral. Num ambiente fluído, onde as comunicações serão inexistentes ou inconfiáveis, apenas a capacidade de decisão dos combatentes poderá ser usada para aproveitar as oportunidades de reagir em tempo útil. Isto é uma nova forma de disciplina, muito mais consciente a que teremos que nos acostumar.

Talvez o nosso País não tenha escolhido ser potência; certamente também não é por sua vontade que é objeto de cobiça, - isto tudo é uma imposição da geografia. O desafio com que hoje nos defrontamos é escolher entre defender o que é nosso ou desistir de aproveitar as benesses em minérios com que o Criador nos brindou. Já dizia o grande Bismarck: “Riquezas minerais em terras de povos que não querem ou não podem utilizar deixam de ser vantagens para se tornar um perigo para seus detentores”.

Direitos, sabemos que o Brasil tem sobre seu território. Aqui cabe uma expressão do nosso Ruy Barbosa:

“PAÍSES QUE CONFIAM MAIS EM SEU DIREITO DO QUE EM SEUS SOLDADOS, ENGANAM A SI MESMO E CAVAM SUA RUINA”

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

História secreta da invasão de Roraima




HISTÓRIA SECRETA DA INVASÃO MILITAR DE RORAIMA.


“BRASIL! ACIMA DE TUDO!


“SENHOR, UM PALMO DE TERRA QUE SEJA, EM SENDO BRASILEIRA , DEVE SER DEFENDIDA PELOS BRASILEIROS, A FERRO, A FOGO E A SANGUE!.”
Barão do Rio Branco.
D.A.N
<<>>
REPASSO COMO RECEBI.

HISTÓRIA SECRETA DA INVASÃO MILITAR DE RORAIMA

- depoimento de uma testemunha ocular -


No momento em que tanto se fala da cobiça internacional sobre a Amazônia, da ação de ONGs de todos os tipos agindo livremente na região Norte, de estrangeiros vendendo pedaços da nossa floresta, da encrenca que está sendo a homologação da Raposa/Serra do Sol, de índios contra índios, de índios contra não-índios, das ações ou omissões da Funai, do descontentamento das Forças Armadas com referência os rumos políticos que estão sendo dados para esta quase despovoada mas importantíssima parte das fronteiras da nação, é mais do que preciso falar quem sabe, quem conhece, quem vivencia ou quem tenha alguma informação de importância.

Assim sendo, para ficar registrado e muito bem entendido, vou contar um acontecimento de magna importância, especialmente para Roraima, e do qual sou testemunha ocular da História.

Corria o ano de 1993 – portanto, já fazem 15 anos. Era governo de Itamar Franco e as pressões de alguns setores nacionais e vários internacionais, para a homologação da Raposa/Serra do Sol, eram fortes e estavam no auge. Tinha-se como certíssimo de que Itamar assinaria a homologação.
Nessa época, eu era piloto da empresa BOLSA DE DIAMANTES, que quinzenalmente enviava compradores de pedras preciosas para Uiramutã, Água Fria, Mutum e vizinhanças.

No dia 8 de setembro de 1993, aí pelas 17:00, chegamos em Uiramutã, e encontramos a população numa agitação incomum, literalmente aterrorizada. Dizia-se por toda parte, que Uiramutã ia ser invadida, que havia muitos soldados “americanos”, já vindo em direção à localidade.
A comoção das pessoas, a agitação, o sufoco eram tão grandes que me contaminou, e fui imediatamente falar com o sargento PM que comandava o pequeníssimo destacamento de apenas quatro militares, para saber se ele tinha conhecimento dos boatos que circulavam, e respondeu-me que sabia do falatório. Contou-me então que o piloto DONÉ (apelido de Dionízio Coelho de Araújo), tinha passado por Uiramutã com seu avião Cessna PT-BMR, vindo da cachoeira de ORINDUIKE, no lado brasileiro, (que os brasileiros erradamente chamam de Orinduque), contando para várias pessoas, que havia um acampamento enorme, com muitos soldados na esplanada no lado da Guiana, na margem do rio Maú, nossa fronteira com aquele país.

Aventei a necessidade de que o sargento, autoridade policial local, fosse ver o que havia de fato e falei com o dono da empresa, que aceitou, relutante e receioso, emprestar o avião para o sargento. Como, entretanto, o sol já declinava no horizonte, combinamos o vôo para a manhã seguinte.
Muito cedo, o piloto Doné e seus passageiros, que tinha ido pernoitar na maloca do SOCÓ, pousaram em Uiramutã. Eu o conheci nessa ocasião, e pude ouvir dele um relato. Resumindo bastante, contou que na Guiana havia um grande acampamento militar e que um avião de tropas estava trazendo mais soldados para ali.

Estávamos na porta da Delegacia, quando chegou uma Toyota do Exército, com um capitão, um sargento e praças.,vindos do BV 8. Ele ia escolher e demarcar um local para a construção do quartel de destacamento militar ali naquela quase deserta fronteira com a Guiana. BV 8 é antigo marco de fronteira do Brasil com a Venezuela, onde há um destacamento do Exército, na cidade de Pacaraima. Muito interessado e intrigado com o fato, resolveu ir conosco nesse vôo.
O capitão trazia uma boa máquina fotográfica e emprestei a minha para o sargento. O vôo foi curto, apenas seis minutos. Demos tanta sorte, que encontramos um avião para transporte de tropas, despejando uma nova leva de soldados, no lado guianense. Voando prá lá e prá cá, só no lado brasileiro, os militares fotografavam tudo, e o capitão calculou pelo número de barracas, uns 600 homens, até aquele momento.
Fiz diversas idas e vindas e, numa delas vi o transporte de tropas decolando e virando para a esquerda. Exclamei para o capitão: eles vem pra cima de nós! Como é que você sabe? Perguntou. Viraram para a esquerda, que é o lado do Brasil e, não da Guiana, respondi. Girei imediatamente a proa para Uiramutã e, ao nivelar o avião, o capitão me disse muito sério: estamos na linha de tiro deles! Foi então que olhando para a direita, vi à curta distância e, na porta lateral do transporte, um soldado branco, com um fuzil na mão.

Confesso que foi um grande susto! O coração parecia-me bater duas e falhar uma. Quem conhece a região, sabe que ali naquela parte, o Maú é um rio muito sinuoso. Enfiei o avião fazendo zig-zag nesses meandros, esperando conseguir chegar em Uiramutã. Se atiraram, não ficamos sabendo, mas após o pouso, havia muita gente na pista, que fica juntinho das casas. Agitadas, contaram que aquele avião tinha girado duas vezes sobre nós e a cidade, tomando rumo de Lethen, na Guiana, onde há uma pista asfaltada, defronte de Bomfim, cidade brasileira na fronteira.
Com esse fato, angustiou-se mais ainda a população, na certeza de que a invasão era iminente. O capitão determinou ao sargento e a mim, que fizessemos imediatamente um relatório minucioso, para ser envido ao comando da PM, em Boa Vista e partiu acelerado de volta ao pelotão de fronteira no BV 8.
Na delegacia, o sargento retirou o filme da minha máquina fotográfica, para enviar ao seu comando e eu datilografei um completo relatório que ele colocou em código e transmitiu via rádio para Boa Vista. Naquela época, o chefe da S2 da PM ( Seção de Inteligência), era o major Bornéo.

Uns quatro dias depois que cheguei desse giro das compras de diamantes, tocou a campainha da minha casa, um major do Exército. Apresentou-se e pediu-me para ler um papel, que não era outro, senão aquele mesmo que eu datilografara em Uiramutã , e do qual o comando da PM enviara cópia para o comando do Exército em Boa Vista. Após ler e confirmar que era aquilo mesmo, pediu-me para assinar, o que fiz. Compreendi que tinha sido testemunha de algo grande, maior do que eu poderia imaginar, e pedi então ao major, para dizer o que estava acontecendo, uma vez que parte daquilo eu já sabia. Concordou em contar, desde que eu entendesse bem que aquilo era absolutamente confidencial e informação de segurança nacional. Concordei.
Disse o major, que a embaixada brasileira em Georgetown tinha informado ao Itamarati, que dois vasos de guerra, um inglês e outro, americano, haviam fundeado longe do porto, e que grandes helicópteros de transporte de tropas, estavam voando continuamente para o continente, sem que tivesse sido possível determinar o local para onde iam e o motivo.
Caboclos guianenses (índios aculturados) tinham contado para caboclos brasileiros em Bomfim, cidade de Roraima na fronteira, terem os americanos montado uma base militar logo atrás da grande serra Cuano-Cuano, que por ser muito alta e próxima, vê-se perfeitamente da cidade. O Exército brasileiro agiu com presteza, e infiltrou dois majores através da fronteira, e do alto daquela serra, durante dois dias, filmaram e fotografaram tudo. Agora, com os fatos ocorridos em Orinduike, próximo de Uiramutã, nossa fronteira Norte, fechava-se o entendimento do que estava acontecendo.

E o que estava acontecendo? As pressões internacionais para a demarcação da Raposa / Serra do Sol apertavam, na certeza de que o Presidente Itamar Franco assinaria o decreto. Em seguida, a ONU, atendendo aos “insistentes pedidos dos povos indígenas de Roraima”, determinaria a criação de um enclave indígena sob a sua tutela, e aí nasceria a primeira nação indígena do mundo. Aquelas tropas americanas e as inglesas, eram para garantir militarmente a tomada de posse da área e a “nova nação”.
Até a capital já estava escolhida: seria a maloca da Raposa, estrategicamente localizada na margem da rodovia que corta toda a região de Este para Oeste, e divide geográfica e perfeitamente a região das serras daquela dos lavrados roraimenses – que são os campos naturais e cerrados.

Itamar Franco – suponho – deve ter sido alertado para o tamanho da encrenca militar que viria, e o fato é que, nunca assinou a demarcação.

Nessa mesma ocasião (para relembrar: era começo de setembro de 1993), estava em final de preparativos, o exercício periódico e conjunto das Forças Armadas nacionais, na cidade de Ourinhos, margem do rio Paranapanema, próxima de Sta. Cruz do Rio Pardo e Assis, em São Paulo , e Cambará e Jacarezinho, no Paraná.

Com as alarmantes notícias vindas de Roraima, o Alto Comando das Forças Armadas mudou o planejamento, que passou a chamar-se “OPERAÇÃO SURUMU” e, como já estava tudo engrenado, enviou as tropas para Roraima. Foi assim que à partir da madrugada de 27 de setembro de 1993, dois aviões da VARIG, durante vários dias, Búfalos, Hércules e Bandeirantes despejaram tropas em Roraima. Não cabendo todas as aeronaves militares dentro da Base Aérea, o pátio civil do aeroporto ficou coalhado de aviões militares. Chegaram também os caças e muitos Tucano. Veio artilharia anti-aérea, localizada nas cercanias de Surumu, e foi inclusive expedido um aviso para todos os piloto civis, sobre áreas nas quais estava proibido o sobrevôo, sob risco de abate.
Tendo como Chefe do Comando Militar da Amazônia (CMA), o general de Exército José Sampaio Maia – ex-comandante do CIGS em Manaus, e como árbitro da Operação Surumu, o general de Brigada Luíz Alberto Fragoso Peret Antunes (general Peret), os rios Maú, Uailã e Urariquera enxamearam de “voadeiras” cheias de soldados. Aviões de caça fizeram dezenas de vôos razantes nas fronteiras do Norte. O Exército também participou com a sua aviação de helicópteros, que contou com 350 homens do 1º, 2º e 3º esquadrões, trazendo 15 Pantera (HM-1) e 4 Esquilos, que fizeram um total de 750 horas de vôo. Vieram também cerca de 150 páraquedistas militares e gente treinada em guerra na selva. A Marinha e a Força Aérea contribuíram com um número não declarado de homens, navios e aeronaves.

Dessa maneira, não tendo Itamar Franco assinado o decreto de demarcação da Raposa / Serra do Sol e, vindo essas forças militares para demonstrar que a entrada de soldados americanos e ingleses em Roraima, não seria feita sem grande baixas, “melou” e arrefeceu a intenção internacional de apossar-se desta parte da Amazônia, mas não desistiram.
Decepcionando muito, embora sendo outro o contexto político internacional, Lula fez a homologação dessa área indígena, contestada documentalmente no Supremo Tribunal e, ainda tentou à revelia de uma decisão judicial, retirar “na marra”, os fazendeiros e rizicultores (“arrozeiros”) dessa área, que como muita gente sabe – inclusive os contrários – tem dentro dela propriedades regularmente documentadas com mais de 100 anos de escritura pública e registro, no tempo em que Roraima nem existia, e as terras eram do Amazonas. Agora, entretanto, os interesses difusos e estranhos de muitas ONGs, dizem na internet, que esses proprietários são “invasores”, quando até o antigo órgão anterior ao INCRA, demarcou e titulou áreas nessa região, e que a FUNAI, chamada a manifestar-se, disse por escrito, que não tinha interesse nas terras e que nelas, até aquela ocasião, não havia índios.

As ONGs continuam a fazer pressão, e convém não descuidar, porque nada indica que vão desistir de conseguir essas terras “para os índios”, e de graça, levarem além de 1 milhão e 700 mil hectares – quase o tamanho de Sergipe – tudo o mais que elas tem: ouro, imensas jazidas de diamantes, coríndon, safira de azul intenso, turmalina preta, topázio, rutilo, nióbio, urânio, manganês, calcáreo, petróleo, afora a vastidão das terras planas, propícias à lavoura, área quase do mesmo tamanho onde Mato Grosso planta soja que fez a sua riqueza.
Isso, é o que já sabemos, porque uma parte disso foi divulgada numa pesquisa da CPRM – Cia. de Pesquisa de Recursos Minerais, em agosto de 1988 (iniciada em 1983), chamada de Projeto Maú, que qualifica essa parte da Raposa/Serra do Sol, como uma das mais ricas em diamantes no Brasil, sendo o mais extenso depósito aluvional de Roraima, muito superior ao Quinô, Suapi, Cotingo, Uailã e Cabo Sobral. Essa pesquisa foi inicialmente conduzida pelo geólogo João Orestes Schneider Santos e, posteriormente, pelo também geólogo, Raimundo de Jesus Gato D´Antona, que foi até o final do projeto, constatando a possibilidade da existência de até mais de 3 milhões de quilates de diamantes e 600 Kg de ouro. Basta conferir a cotação do ouro e diamantes, para saber o que valem aquelas barrancas do rio Mau, só num pequeno trecho.

A “desgraça” de Roraima é ser conhecida internacionalmente na geologia, como a maior Província Mineral já descoberta no planeta. Nada menos que isso!
E o que ainda não sabemos? Essa pesquisa, feita em pouco mais de 100 quilômetros de barranca do rio, cubou e atestou a imensa riqueza diamantífera da área. Entretanto, o Estado de Roraima ainda tem coríndon, manganês, calcáreo e urânio, afora mais de 2 milhões e 100 mil hectares de terras planas agricultáveis, melhores que aquelas onde plantam soja no Mato Grosso.

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Izidro Simões
izidropiloto@oi.com.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

7 de setembro em Curitiba

Amigos,

Publicado em nosso site a participação da BPVMA na parada militar de 7 de setembro em Curitiba. Acessar reportagem com video e fotos clicando no link abaixo:

http://www.bpvma.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=167&Itemid=47

Saudações,
L.Roberto L.Soares
Presidente - BPVMA
www.bpvma.com.br

terça-feira, 9 de setembro de 2008

UM GRANDE ENSINAMENTO


Pelo extrato, a entrevista parece ter sido muito positiva. Parabéns ao Gen Cerqueira, que já começa saindo das sombras e da mudez.
Acho que ele e quem está na DSM devem prestar muita atenção à pretendida reformulação da Lei do Sv Militar. É a MELHOR DE TODAS AS LEIS BRASILEIRAS, consolidada sobre posturas que vêm desde o Brasil-Colônia. É UMA VASTA EXPERIÊNCIA QUE O TEMPO SÓ FEZ CONSOLIDAR. NUNCA CONSEGUIRAM DERRUBAR UM SÓ DOS SEUS ARTIGOS, TÃO SÁBIOS FORAM OS SEUS LEGISLADORES ! Parece que tinham uma “máquina do tempo” diante de si, pois tudo continua ajustado ao progresso e às modernidades. Aqueles que alegavam razões de consciência para não servir ( pegar em armas ) ERAM DISPENSADOS DE INCORPORAÇÃO. Mas não sei que grupo ( talvez para nos testar ...) quis um “Serviço Alternativo ao Serviço Militar”; pois foi-lhes concedido, sem alterar em nada a LSM. Só que, ao que parece, ninguém jamais quis se valer dele !!! E os políticos demagogos - e boa parte da imprensa - haviam feito um escarcéu ! Parecia que havia milhares de candidatos... De tempos em tempos aparecem figuras que querem o facho dos holofotes à custa do Serviço. A quase totalidade NEM SABE DO QUE SE TRATA E, PRINCIPALMENTE, DO SEU VALOR PARA O PAÍS E PARA OS INDIVÍDUOS !
Vamos abrir o olho !
Fraternal abraço,
César Souza

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REPASSANDO MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL O DIA/RJ, CONTENDO PALAVRAS DO GEN DE EXÉRCITO, COMANDANTE DE OPERAÇÕES TERRESTRES.


O DIA - 7 SET 2008 - RJ

General Raymundo Nonato: 'Um grande ensinamento'

Rio - Comandante de Operações Terrestres do Exército, general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho fala com entusiasmo do serviço militar obrigatório. “O maior ensinamento para o jovem é que, quando ele entra, é o ‘eu’, e quando sai, é o ‘nós’”, diz. O general é uma das autoridades que comanda as discussões sobre a mobilização de soldados. Abaixo principais trechos da conversa dele com O DIA sobre treinamento e a atuação do Exército nas ações de segurança pública, uma das preocupações dos jovens em idade de se alistar.

SELEÇÃO ATUAL
“No Serviço Militar fazemos uma seleção de voluntários. Normalmente a classe que procura mais é a menos privilegiada. No Exército, o jovem encontra um provável bom emprego. O salário do recruta não é muito alto, mas se depois de um ano ele prorroga o tempo de serviço, o que chamamos de engajamento — e que pode ser estendido por no máximo sete anos — o ordenado mais do que dobra. Além de agregar apoio social, porque tem direito a atendimento médico, recebe roupa para trabalhar e alimentação. O serviço passa a ser compensador.”

PREPARAÇÃO
“O Serviço Militar tem a duração de um ano dividido em três períodos: básico (o jovem chega no início do ano e durante dois meses vai se adaptar à vida militar e receber treinamento mínimo), qualificação (esse período, que vai até agosto, prepara o soldado nas diversas áreas, como infantaria, cavalaria, artilharia e logística) e adestramento (é o treinamento em conjunto, uma vez que a guerra não é individual, é coletiva).”

PERFIL HERÓICO
“O perfil do soldado brasileiro é conhecido mundialmente graças a nossa participação em conflitos internacionais. Nossos homens são conhecidos por serem bravos no combate sem deixar a humanidade de lado. Eles têm coração. Na Segunda Guerra Mundial, o nosso soldado tirava do seu próprio sustento para dar para aquela família italiana necessitada.”

ENSINAMENTO
“O maior ensinamento para o jovem que passa pelo Serviço Militar é que quando ele entra, é o ‘eu’ e quando sai, é o ‘nós’. É um trabalho de coletividade. Ele dorme com o pessoal, come junto e sofre, porque têm muitas atividades que são duras. É um grande ensinamento que ele leva para o meio civil. Trabalhei doze anos na Brigada de Infantaria Pára-quedista e no dia em que o soldado recebe a boina, muitas mães vinham ao meu encontro me agradecer e diziam: ‘Nossa, o senhor fez muito pelo meu filho’. Eu respondia: ‘Não, ele é que fez por ele mesmo’".

O NOVO SOLDADO
“O soldado do futuro tem que ser visto com certa cautela. Faço um paralelo: a armadura e o soldado do futuro. Está voltando a armadura com outras características. O soldado antigamente usava aquela armadura com o elmo (espécie de capacete), que pesava mais de 30 quilos. Temos que tomar cuidado para não agregar peso porque o homem que está lá na frente quer equipamento moderno sem perder leveza.”

OPERAÇÕES DE PAZ
“O Exército tem conduzido a operação no Haiti muito bem, apesar das denúncias montadas que às vezes são divulgadas pela imprensa. Estão pegando cadáveres e dizendo que o número aumentou desde que o Brasil chegou lá. Na rua você encontra cadáveres o tempo todo. Lá o pessoal morre e coloca o corpo na rua. Sobre gastos, a ONU repõe a maior parte. Porém, esse dinheiro não volta para a Força, vai para o Tesouro. No Haiti, o problema é segurança pública, atuar contra bandidos mesmo, e nossa missão foi a de estabelecer a paz.”

SEGURANÇA PÚBLICA
“Com o mandato da ONU você pode usar a força e até matar para a própria defesa ou para a defesa de outro, diferentemente daqui do Brasil. A questão é extremamente difícil. Primeiro porque tem o aspecto político. Temos no Rio mais de 30 mil PMs. Por que esse pessoal não é empregado? A missão é segurança pública. Se o Exército for entrar em todas as operações, é melhor extinguir a PM e o Exército passa a assumir tudo.”

VÁCUO DE PODER
“Quando o Exército atua na Garantia da Lei e da Ordem, a gente requisita a polícia para que trabalhe conosco. Não temos que trabalhar nas ações policiais. Fazemos a operação de força, dissuasão. O uso do Exército não resolve o problema (de segurança pública). Quando a tropa sai de lá, tudo volta a ser o que era. O que existe ali é vácuo de poder. Quando se cria um vácuo desses, outro poder ocupa o espaço. É o que aconteceu nas áreas de favela. Como o Estado deixou um vácuo não estando presente, o bandido ocupou aquele vácuo de poder.”

ELEIÇÕES
“A atuação do Exército durante campanha eleitoral é um fato inédito. O Exército nunca atuou nesse tipo de operação. Já atuou no dia da eleição para mobiliar escolas, garantir a votação, a apuração e, em determinadas áreas, como na Amazônia, até transporta urna, sempre acompanhado por fiscais.
A situação é nova. O TSE pediu alegando falta de garantia para candidato e imprensa subirem o morro. O documento diz ainda que existem bandidos escolhendo seus próprios candidatos. Isso para mim é segurança pública. Quando há cerceamento da liberdade de deslocamento, entra-se na área de segurança pública, o que poderia ser resolvido pelo próprio Estado. No Rio, o efetivo da PM é maior que o do Exército. Há dois anos ninguém pediu ao Exército para fazer segurança na campanha eleitoral. Como é que agora estão pedindo para fazer isso? Isso revela como é que em dois anos a situação muda.”

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

MALETAS DA ABIN

Laudo atesta que maletas da Abin permitem fazer grampo
Mas elas precisam ser acopladas a dispositivos que agência pode não ter
Tânia Monteiro, BRASÍLIA



Laudo elaborado por engenheiros do Exército e entregue ao Palácio do Planalto comprova que dois dos equipamentos apresentados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para ser periciados são capazes de fazer interceptações telefônicas, conforme informações obtidas pelo Estado. Para isso, no entanto, ressalva o laudo, tais equipamentos devem ser acoplados a outros. Não há informação se a Abin possui esses equipamentos que precisam ser acoplados para que se proceda a escuta telefônica, já que coube à agência de inteligência escolher os equipamentos para que o Exército periciasse. Cerca de dez aparelhos foram analisados. Ontem o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reafirmou que a Abin tem aparelhos capazes de fazer grampos. A perícia atendeu a pedido do Gabinete de Segurança Institucional, que desejava eliminar suspeitas sobre seu trabalho. O resultado do laudo provocou tensão no Planalto. Um grupo de assessores propôs filtrar as conclusões dos militares para divulgar a versão de que a maleta da Abin era incapaz de fazer escutas, ignorando a ressalva do laudo que revela o potencial ofensivo do equipamento quando acoplado a outros aparelhos. Não bastasse a divergência técnica, um componente político contribuiu para que o Palácio adiasse a divulgação oficial do laudo prevista para hoje. Se a nota do Planalto optasse por afirmar a idoneidade do equipamento da Abin, Jobim sairia desmoralizado. A solução foi optar pela divulgação do laudo por Jobim em seu depoimento na CPI dos Grampos, na próxima semana. Alguns dos equipamentos analisados pelos militares constam da lista de compras feitas pelo Exército, em Washington, apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ministro da Defesa, durante reunião de coordenação política do governo. Jobim informou que, ao contrário do que se dizia, a Abin possuía, sim, equipamentos para fazer grampos e apresentou uma lista deles. A divulgação dessa relação pelo ministro rendeu-lhe uma convocação para prestar esclarecimentos aos parlamentares. Ontem, em entrevista, ele disse que vai ao Congresso, mas não tem muito o que explicar. "Não conheço nada do assunto dos grampos. Minha participação nisso foi entregar ao presidente a relação dos aparelhos adquiridos pela Abin, comprados pela Comissão de Compras do Exército em Washington", declarou Jobim. "Vou ao Congresso dizer exatamente isso. Quem grampeou ou deixou de grampear, isso são hipóteses que não tenho de dizer." O ministro contestou a acusação da Abin de que o Exército possui os mesmos equipamentos e, portanto, se a Abin pode fazer grampo, o Exército também pode. "Não estamos discutindo o Exército. O foco é a Abin." O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, também não quis polemizar. "Não sei que equipamentos a Abin tem", disse ele. Questionado se o Exército conta com equipamentos para fazer grampos, reagiu: "O Exército tem equipamentos para fazer varredura".

VOCÊ JÁ FOI A RORAIMA?



VOCÊ JÁ FOI A RORAIMA?
MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA
5/9/2008



Enquanto o escândalo que envolve espionagem do presidente do STF e de altas figuras da República, espera para ser suplantado pelo da semana seguinte, a conflituosa questão da Reserva Raposa Serra do Sol deixou de freqüentar os noticiários. Espera-se pela decisão do STF para saber se apenas alguns poucos índios poderão ficar sobre uma imensa área de Roraima enquanto rizicultores serão expulsos.
Também no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina o governo que agraciar índios aculturados que hoje preferem um Pajero ao Pajé, com vastidões territoriais. Isso sem falar nos quilombolas, ou seja, aqueles que se dizem descendentes dos escravos e que também terão sua vingança contra o branco mau.
Parece que um frenesi de redenção populista acometeu o governo Lula. Todas as “dívidas” históricas devem ser pagas, inclusive, a países latino-americanos. Para a Bolívia, onde habita um povo sofrido e governa um companheiro com o charme politicamente correto da descendência indígena, o governo Lula doou instalações da Petrobrás com prejuízo de um bilhão e quinhentos milhões de dólares para o Brasil. Muito também já foi doado a países africanos e agora se prepara a doação de Itaipu para o presidente, ex-bispo e companheiro Fernando Lugo.
Recordemos que nas colônias da América Espanhola, por volta de 1771, o mestiço denominado crioulo, meio espanhol, meio índio, ao mesmo tempo dominado e discriminado pelo europeu que lhe negava acesso às esferas mais altas do poder, e dominador e discriminador em relação ao “mau selvagem”, descarregou sobre este seu complexo de inferioridade.
A partir de 1810, porém, quando se inicia o processo de independência das colônias hispânicas, uma ideologia inversa à que existia fez com que os crioulos de declarassem “índios de honra”. Emergiu o “bom selvagem” que passou a ser cantado em verso e prosa.
No Brasil não havia as civilizações adiantadas dos Astecas, dos Maias, dos Incas e nossos índios se encontravam no nível pré-histórico. Hoje devem restar poucas tribos em estado primitivo, mas, mesmo assim, parece haver um propósito da parte do governo Lula de exaltar o mito do “bom selvagem”. De novo a velha tática de dividir para governar que joga negros contra brancos, pobres contra ricos e agora índios contra “não índios”, termo que é mais uma pérola da língua petês.
Muito a propósito, um amigo virtual, Gilberto, de Curitiba, me perguntou: “Você já foi a Roraima”? Disse-lhe que não e ele seguiu pelo e-mail dizendo:
“Eu já fui, na década de 70, quando esses arrozeiros estavam desbravando aquela região sem estradas, sem médicos, sem comunicações”.
“Sobrevoei a região até a fronteira da Venezuela”. “Dava medo”. “Estávamos em um monomotor e eu sabia que se tivéssemos uma pane, desceríamos em um ermo onde ninguém nos acharia antes de sermos comidos pelas feras ou pelos mosquitos”.
“Foi ali que os arrozeiros se estabeleceram. Pacificamente, sem matar um só índio, até porque sobra terra para pouco índio (menos de um por quilômetro quadrado).
“Esse pioneiros, se fossem do MST, teriam toda proteção do governo petista porque seriam sem-terra ocupando uma área abandonada, de acordo com o direito de posse garantido pela Constituição”.
“Mas eles não são do MST”. “Não vivem sustentados pelas bolsas-esmolas nem comem o que lhes é enviado pelo governo em cestas básicas”. “Os arrozeiros prosperam com seu trabalho e sua coragem, o que é um crime aos olhos da esquerda”.
“Então, devem ser expulsos para em seu lugar virem os índios que nada farão com aquela terra, exceto vender seus recursos para quadrilhas de brancos e comprar caminhonetes importadas, como tem acontecido em todas as reservas indígenas”.
“Outro dia assisti a um documentário sobre esse caso e achei muito emblemática uma passagem: depois de um monte de asneiras de antropólogos sobre a preservação da ‘cultura indígena’, o documentário passou a mostrar um bando de índios entrando num barco a motor e se embrenhado pela floresta para caçar macacos”. “Sim, matar macacos para comer faz parte da ‘cultura indígena”. “Mas como aqueles índios caçaram”? “Caçaram com espingardas modernas que não davam a mínima chance aos nossos pobres primos arborícolas”. “Ao final, voltaram no mesmo barco a motor e, chegando à maloca, o chefe do bando disse: ‘agora, de acordo com nossa cultura, vamos fazer sopa de macaco”.
“Que lindo, é preciso preservar isso, uma atividade tipicamente indígena, herdada de ancestrais milenares: barco a motor e caça com espingarda”.
“Agora imagine se os luminares do PT resolverem restaurar as culturas indígenas destruídas pelo branco no Brasil?” “Uma das primeiras coisas que retornará será o canibalismo praticado pelos tupinambás. E se os mexicanos, seguindo o exemplo, resolverem restaurar a antiga cultura asteca, haja coração, no sentido mais lato da expressão”.
Será, pergunto, que os petistas sonham em restaurar o comunismo tribal em pleno século 21? Duvido, eles adoram as delícias do capitalismo. E os índios também.
Maria Lucia é socióloga, professora, escritora.
mlucia@sercomtel.com.br

CAUSOS DA INFANTARIA



Subject: causos da Infantaria


Raimundo Floriano
Insígnia de Subtenente do Exército
As piadas da caserna se repetem a cada ano, podendo ser adaptadas a qualquer tempo, espaço, posto ou graduação. O que vou fazer aqui não é contar mais uma, e sim lembrar grandes amigos dos velhos tempos, de quem não tenho notícia há mais de quatro décadas, desde que fui licenciado.
O Subtenente é militar escolado, traquejado, disciplinado e competente, qualidades sem as quais jamais alcançaria a mais alta graduação no âmbito das praças. Se o Capitão Comandante de Subunidade representa o pai da dos recrutas, o Subtenente, por ser mais vivido e mais experiente, poderia ser o avô, aquele sujeito bacana, compreensivo, que quebra qualquer galho. Nos três anos em que atuei como Furriel, Sargento que cuida da folha de pagamento dos praças, exerci minhas funções na Reserva – sala de trabalho do Subtenente e Almoxarifado da Companhia, cujo material emprestado só sai dali mediante cautela, uma espécie de recibo –, onde convivi com três excepcionais chefes, todos mineiros.
Na Companhia de Petrechos Pesados - 1, do 12º Regimento de Infantaria, em Belo Horizonte, MG, comecei, recém-saído da EsSA, com o Subtenente Bertucci – só me recordo do seu nome de guerra –, um ex-combatente, que atuou no Teatro de Operações na Itália. Logo em seguida, após sua promoção a 2º Tenente e transferência para outra Unidade, veio o Subtenente Assis Dias Brasil, Saco B – militar que, convocado para a guerra, chegou até a embarcar, mas, antes de chegar a destino, o conflito acabou –, que muito me ensinou para o bom desempenho de minhas atribuições profissionais e contribuiu sobremaneira na minha formação moral. Vou contar um caso envolvendo o Subtenente Bertucci. Foi no ano de 1958, quando o 12º Regimento de Infantaria, o Doze de Ouro, passava do sistema hipomóvel para o motorizado.
Vocês não avaliam o rebu que tocou nas Reservas dos Subtenentes, em especial nas Companhias de Petrechos Pesados - CPP, cujos morteiros e metralhadoras eram transportados nos lombos dos muares.
Na Reserva da CPP-1, não tínhamos tempo para dizer arroz. Deveríamos recolher, em curto espaço de tempo, todo o material a substituir, como carroças, reboques, cozinhas portáteis, selas, cangalhas, brides, cabrestos, rédeas, focinheiras, antolhos e o escambau, além dos mencionados muares. Tudo isso registrado minuciosamente, no Livro-Carga, ficando toda a operação sob o comando e a responsabilidade do Subtenente da Companhia, ou seja, do Subtenente Bertucci.
Esse, assoberbado com tantos afazeres, era constantemente interrompido por algum dos envolvidos na operação, trazendo-lhe problemas os mais diversos. Por isso, tomou uma atitude assaz acertada. Toda a vez que lhe aparecia qualquer desses enrolados, ele sustinha sua lengalenga, dando-lhe a terrível ordem: "TRAGA ISSO POR ESCRITO!" Não falhava, o sujeito saía, encontrava uma solução para o caso e nunca mais voltava à Reserva com mais outro.
Mas essa tática não funcionou com o Cabo Rufino, que labutava com os muares lá nas baias. Certo dia, ele chegou nervoso na Reserva e começou um interminável blablablá, interminável não, porque o Sub o cortou com a ordem: "ESCREVA ISSO!" O Cabo Rufino retirou-se, mas não demorou. Em pouco tempo, estava ele de volta com seu relato:
"PARTICIPO-VOS QUE O BURRO 45, VULGO BONIFÁCIO, ENTROU ALOPRADO NO NOSSO DORMITÓRIO, LÁ NAS CAVALARIÇAS, ZURRANDO E ESCOICEANDO, O QUE RESULTOU NA QUEBRA DE UM POTE DE BARRO E DE UMA MORINGA DO REFERIDO METAL."
O Subtenente Brasil muito me orientou para o Exército e para a Vida. Era um estudioso da Língua Portuguesa, o que me fez também tomar gosto pela boa leitura e até a comprar o meu primeiro dicionário, um Aurélio, que me acompanhou de 1958 até janeiro de 1972, quando a Reforma Ortográfica acabou com o acento diferencial, tornando-o obsoleto.
A nossa Reserva era, portanto, uma sala de estudo, pois estávamos constantemente tirando as nossas dúvidas e as dos colegas que nos procuravam. Dispúnhamos, para fornecimento ao pessoal escalado para serviço externo, de dois tipos de armas de cano curto: o revólver SMITH & WESSON e a pistola COLT, ambos de calibre 45.
Pois bem, eis que, senão quando, aparece-nos o Terceiro Sargento Baldomero, Ferrador, com esta preciosidade de cautela: "RESSEBÍ DA REZERVA DA CPP-1, PARA O SERVIÇO DE PATRULHA NA ZBM, UM REVOLVER CIMITE OESSE, CALIBRE 45".
Ao ler o documento, o Subtenente Brasil não conteve sua perplexidade e chamou o Sargento no saco:
– Sargento Baldomero, esta cautela está eivada de erros!
O Sargento tirou o corpo fora:
– Seu Sub, a culpa não é minha. Quem datilografou isso foi o Cabo Laurentino, eu só fiz assinar!
O Subtenente insistiu:
– Mas como é que você assina um documento sem ler antes? Os outros erros até que dão pra passar, mas este CIMITE está demais da conta!
Baldomero não se deu por achado:
– Pois é, Seu Sub, na hora eu até falei para o Laurentino: "Cabo Velho, esse CIMITE é com C cedilhado!"
O terceiro foi o Subtenente Haroldo Batista, já na Polícia do Exército de Brasília. Um espelho para todos nós. Natural de Patos de Minas, bem mais novo que os já citados, atualizado, culto e bem-humorado, participava – sem perder a autoridade, nem quebrar a liturgia do cargo – de todas as brincadeiras e jogos no Alojamento e no Cassino dos Sargentos, quando estávamos aquartelados, de prontidão – e isso, no início dos anos 60 era mais comum que o período de normalidade. Árduos tempos.
Como os que prestaram o serviço militar devem saber, todo Cabo é "Cabo Velho" e todo Subtenente é "Seu Sub". Na Aeronáutica, por exemplo, os Suboficiais são assim nomeados: Sub Bessa, Sub Pereira, Sub Martins, etc. Pois bem, o Subtenente Haroldo, que topava qualquer parada, qualquer contratempo, jamais admitiu que o chamassem de Sub. Não tenho notícia de outro que assim procedesse. E a exceção era para todos, do Comandante ao Corneteiro.
Se um subordinado desatento o chamasse de Sub, imediatamente ele o enquadrava: "Tome a posição de sentido para falar comigo." E, em seguida, dava-lhe uma mijada daquelas. Se fosse um superior seu, aí sim, ele é que tomava a posição de sentido, se apresentava e inquiria: "Sub o quê, Meu Senhor? Subsolo, submarino, sub-raça? Eu Sou é Subtenente do Exército, de acordo com a lei!"
Desarmava qualquer cristão!


ACONTECEU NA EsSA
Para os que não serviram, vai ser difícil captar a sutileza do lance que ora narro. Por isso, achei de bom alvitre dar uma pequena explicação, antes de enfiar a cara no sucedido.
De acordo com os regulamentos militares, a tropa também faz continência ao deslocar-se, olhando à direita ou à esquerda, conforme o local em que esteja o oficial, quer seja Tenente ou Marechal. Deu pra entender? Então, prossigamos.
Na EsSA - Escola de Sargentos das Armas, a quantidade de oficiais transitando por suas ruas – ruas sim, porque a Escola é uma pequena cidade – é deveras marcante. E o aluno tem que ficar atento para prestar as honras, sob o risco de ter uma anotação desabonadora na sua ficha ou, no mínimo, levar uma mijada.
Certa manhã primaveril, lá ia o Aluno Abdala, na função de Chefe da Turma B-8, conduzindo a mencionada para a sala de aula. De repente, não mais que de repente, surge-lhe um superioríssimo, caminhando em sentido contrário. Então, o nosso herói emitiu o comando:
– Turma, sentido! Olhar à esqueeeeeerdá!
E já ia levar a mão à pala – só o que comanda é que faz a continência –, quando percebe ser a autoridade apenas um Subtenente. Mas o Abdala era esperto, sabia se virar, não acusou o golpe. Daí, lascou em alta voz:
– Turma, ultima foooooorma! Subtenente não tem direeeeeeitô!
Insígnia de Subtenente do Exército
As piadas da caserna se repetem a cada ano, podendo ser adaptadas a qualquer tempo, espaço, posto ou graduação. O que vou fazer aqui não é contar mais uma, e sim lembrar grandes amigos dos velhos tempos, de quem não tenho notícia há mais de quatro décadas, desde que fui licenciado.
O Subtenente é militar escolado, traquejado, disciplinado e competente, qualidades sem as quais jamais alcançaria a mais alta graduação no âmbito das praças. Se o Capitão Comandante de Subunidade representa o pai da dos recrutas, o Subtenente, por ser mais vivido e mais experiente, poderia ser o avô, aquele sujeito bacana, compreensivo, que quebra qualquer galho. Nos três anos em que atuei como Furriel, Sargento que cuida da folha de pagamento dos praças, exerci minhas funções na Reserva – sala de trabalho do Subtenente e Almoxarifado da Companhia, cujo material emprestado só sai dali mediante cautela, uma espécie de recibo –, onde convivi com três excepcionais chefes, todos mineiros.
Na Companhia de Petrechos Pesados - 1, do 12º Regimento de Infantaria, em Belo Horizonte, MG, comecei, recém-saído da EsSA, com o Subtenente Bertucci – só me recordo do seu nome de guerra –, um ex-combatente, que atuou no Teatro de Operações na Itália. Logo em seguida, após sua promoção a 2º Tenente e transferência para outra Unidade, veio o Subtenente Assis Dias Brasil, Saco B – militar que, convocado para a guerra, chegou até a embarcar, mas, antes de chegar a destino, o conflito acabou –, que muito me ensinou para o bom desempenho de minhas atribuições profissionais e contribuiu sobremaneira na minha formação moral. Vou contar um caso envolvendo o Subtenente Bertucci. Foi no ano de 1958, quando o 12º Regimento de Infantaria, o Doze de Ouro, passava do sistema hipomóvel para o motorizado.
Vocês não avaliam o rebu que tocou nas Reservas dos Subtenentes, em especial nas Companhias de Petrechos Pesados - CPP, cujos morteiros e metralhadoras eram transportados nos lombos dos muares.
Na Reserva da CPP-1, não tínhamos tempo para dizer arroz. Deveríamos recolher, em curto espaço de tempo, todo o material a substituir, como carroças, reboques, cozinhas portáteis, selas, cangalhas, brides, cabrestos, rédeas, focinheiras, antolhos e o escambau, além dos mencionados muares. Tudo isso registrado minuciosamente, no Livro-Carga, ficando toda a operação sob o comando e a responsabilidade do Subtenente da Companhia, ou seja, do Subtenente Bertucci.
Esse, assoberbado com tantos afazeres, era constantemente interrompido por algum dos envolvidos na operação, trazendo-lhe problemas os mais diversos. Por isso, tomou uma atitude assaz acertada. Toda a vez que lhe aparecia qualquer desses enrolados, ele sustinha sua lengalenga, dando-lhe a terrível ordem: "TRAGA ISSO POR ESCRITO!" Não falhava, o sujeito saía, encontrava uma solução para o caso e nunca mais voltava à Reserva com mais outro.
Mas essa tática não funcionou com o Cabo Rufino, que labutava com os muares lá nas baias. Certo dia, ele chegou nervoso na Reserva e começou um interminável blablablá, interminável não, porque o Sub o cortou com a ordem: "ESCREVA ISSO!" O Cabo Rufino retirou-se, mas não demorou. Em pouco tempo, estava ele de volta com seu relato:
"PARTICIPO-VOS QUE O BURRO 45, VULGO BONIFÁCIO, ENTROU ALOPRADO NO NOSSO DORMITÓRIO, LÁ NAS CAVALARIÇAS, ZURRANDO E ESCOICEANDO, O QUE RESULTOU NA QUEBRA DE UM POTE DE BARRO E DE UMA MORINGA DO REFERIDO METAL."
O Subtenente Brasil muito me orientou para o Exército e para a Vida. Era um estudioso da Língua Portuguesa, o que me fez também tomar gosto pela boa leitura e até a comprar o meu primeiro dicionário, um Aurélio, que me acompanhou de 1958 até janeiro de 1972, quando a Reforma Ortográfica acabou com o acento diferencial, tornando-o obsoleto.
A nossa Reserva era, portanto, uma sala de estudo, pois estávamos constantemente tirando as nossas dúvidas e as dos colegas que nos procuravam. Dispúnhamos, para fornecimento ao pessoal escalado para serviço externo, de dois tipos de armas de cano curto: o revólver SMITH & WESSON e a pistola COLT, ambos de calibre 45.
Pois bem, eis que, senão quando, aparece-nos o Terceiro Sargento Baldomero, Ferrador, com esta preciosidade de cautela: "RESSEBÍ DA REZERVA DA CPP-1, PARA O SERVIÇO DE PATRULHA NA ZBM, UM REVOLVER CIMITE OESSE, CALIBRE 45".
Ao ler o documento, o Subtenente Brasil não conteve sua perplexidade e chamou o Sargento no saco:
– Sargento Baldomero, esta cautela está eivada de erros!
O Sargento tirou o corpo fora:
– Seu Sub, a culpa não é minha. Quem datilografou isso foi o Cabo Laurentino, eu só fiz assinar!
O Subtenente insistiu:
– Mas como é que você assina um documento sem ler antes? Os outros erros até que dão pra passar, mas este CIMITE está demais da conta!
Baldomero não se deu por achado:
– Pois é, Seu Sub, na hora eu até falei para o Laurentino: "Cabo Velho, esse CIMITE é com C cedilhado!"
O terceiro foi o Subtenente Haroldo Batista, já na Polícia do Exército de Brasília. Um espelho para todos nós. Natural de Patos de Minas, bem mais novo que os já citados, atualizado, culto e bem-humorado, participava – sem perder a autoridade, nem quebrar a liturgia do cargo – de todas as brincadeiras e jogos no Alojamento e no Cassino dos Sargentos, quando estávamos aquartelados, de prontidão – e isso, no início dos anos 60 era mais comum que o período de normalidade. Árduos tempos.
Como os que prestaram o serviço militar devem saber, todo Cabo é "Cabo Velho" e todo Subtenente é "Seu Sub". Na Aeronáutica, por exemplo, os Suboficiais são assim nomeados: Sub Bessa, Sub Pereira, Sub Martins, etc. Pois bem, o Subtenente Haroldo, que topava qualquer parada, qualquer contratempo, jamais admitiu que o chamassem de Sub. Não tenho notícia de outro que assim procedesse. E a exceção era para todos, do Comandante ao Corneteiro.
Se um subordinado desatento o chamasse de Sub, imediatamente ele o enquadrava: "Tome a posição de sentido para falar comigo." E, em seguida, dava-lhe uma mijada daquelas. Se fosse um superior seu, aí sim, ele é que tomava a posição de sentido, se apresentava e inquiria: "Sub o quê, Meu Senhor? Subsolo, submarino, sub-raça? Eu Sou é Subtenente do Exército, de acordo com a lei!"
Desarmava qualquer cristão!

A vala do Cemitério de Perus



A vala do Cemitério de Perus

Publicado no site http://www.averdadesufocada.com/



José Dirceu antes da plástica e de mudar de nome. Se tivesse a infelicidade da falecer de qualquer uma das milhares de causas possíveis, não se achariam os parentes, seria enterrado e esquecido. Existem muitas maneiras de se perder a vida, mas se estiver na lista dos desaparecidos, só existirá um culpado.
Os militantes das organizações terroristas, quando entravam na clandestinidade, abandonavam a família, os estudos, os amigos, a profissão e até o próprio nome. Tudo passava a fazer parte do seu passado.Para viver na clandestinidade, necessitavam de nova história de vida, de novos amigos, de novo nome, de nova identidade. Para isso não hesitavam em fraudar a lei. Nesse sentido, o mais comum era obterem uma nova certidão de nascimento, com o nome que passariam a usar. Com essa certidão compareciam a um serviço de identificação do governo, onde eram identificados e de onde saíam com uma nova carteira de identidade, legítima e válida para todos os efeitos legais. A partir desse momento, por meios criminosos, oficialmente, passavam a ser outra pessoa. Essa situação, em caso de arrependimento, era de longa e difícil reversão. Só poderia ser conseguida através da Justiça.
A exemplo deste fato, o jornal "O Globo" de 14/01/2007 publicou matéria de Evandro Éboli sob o título: "A dupla identidade de um clandestino na democracia". Segundo o publicado, Carlos Augusto Lima Paz recebeu, em1972, do PC do B, uma identidade falsa com o nome de Raimundo Cardoso de Freitas. Em 1985 ele entrou na justiça para retomar sua real identidade, mas não teve sucesso. Somente em dezembro de 2006, a Comissão de Anistia aprovou o direito de Raimundo voltar a ser quem é: Carlos Augusto.
Outro procedimento era receberem do Serviço de Inteligência da organização identidades falsas. As cédulas das carteiras de identidade, em branco, eram conseguidas nos assaltos aos Postos de Identificação do governo e as certidões de nascimento, em branco, também eram obtidas em assaltos aos Cartórios de Registro. Assim agindo, evitavam ser reconhecidos e presos caso procurassem um posto de identificação policial.
Creio que esse foi o caso de José Dirceu. Ao retornar de Cuba, ingressou no Brasil já com uma nova e falsa identidade, o que o permitiu continuar com suas atividades clandestinas. Casou, registrou um filho e fez negócios, usando essa falsa identidade. Creio que não foi fácil para José Dirceu, após a Lei da Anistia, voltar a usar o seu nome de batismo e deve tê-lo conseguido através da Justiça.
Só os Serviços de Informações possuíam fotos, geralmente desatualizadas, dos principais militantes das organizações terroristas.
Caso um militante, usando uma identidade com o nome diferente do seu, morresse num acidente, dificilmente seria reconhecido pelas autoridades policiais que atendessem a ocorrência.
Quando, porém, entre os documentos apreendidos em poder do morto era encontrado material subversivo, armas, bombas, etc, o DOPS ou o DOI (no caso de São Paulo) eram informados.
José Dirceu, se falecesse num acidente ou por doença, em Cruzeiro d'Oeste, nos idos de 1975 a 1979, teria sido sepultado legalmente com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Melo. Hoje, seu nome certamente estaria incluído na lista de desaparecidos políticos e os órgãos de segurança acusados de ocultação de cadáver.
Quando um terrorista, usando uma identidade obtida de modo criminoso, morria em combate, tínhamos que seguir os procedimentos normais para sepultá-lo.
Como seu nome não constava na nossa relação de terroristas procurados, ficávamos na dúvida, mas tínhamos a certeza de que, normalmente, por medida de segurança, eles trocavam suas identidades. Começava, então, o nosso trabalho em saber quem ele era na realidade.
Às vezes, pela fotografia, um companheiro de militância o reconhecia. Outras vezes, pesquisando no álbum de fotografias, por semelhança, obtínhamos seu nome verdadeiro.
Obrigatoriamente, eram tiradas as impressões digitais pelas autoridades policiais encarregadas do sepultamento e comparadas com as da carteira de identidade que portava. Confirmado que eram idênticas, o sepultamento era feito com o nome constante na carteira.
Suas impressões digitais eram enviadas aos Serviços de Identificação para que suas fichas datiloscópicas fossem comparadas e o verdadeiro nome oficialmente identificado. Isso demandava tempo.
No inquérito policial, aberto para apurar a morte, essa situação da dupla identidade era declarada, mas só a Justiça poderia fazer o morto voltar à sua primeira identidade.
Normalmente, as famílias nem sabiam de seu falecimento, apesar de noticiados em jornais, pois desconheciam os seus paradeiros. O morto era enterrado numa cova rasa, mas com a exata localização no cemitério. A qualquer momento, a sepultura poderia ser encontrada. Não era, portanto, sepultamento clandestino.
Em São Paulo, a maioria dos terroristas mortos em combate foi sepultada no Cemitério Dom Bosco, no bairro Perus.
Passado o prazo legal, que penso ser de cinco anos, como acontece em todos os cemitérios do País, se a família não retirasse os restos mortais e os colocasse num nicho ou em um jazigo, eles seriam exumados e enterrados numa vala comum, juntamente com as ossadas de outras pessoas que se encontrassem na mesma situação. A esquerda, dentro do quadro de revanchismo a que se impôs, explora essa situação e acusa as autoridades de enterrar os "presos políticos" em cemitérios clandestinos e com nomes falsos.
Em 1990, Luiza Erundina, então prefeita de São Paulo pelo PT, com a força do seu cargo, ajudou a esquerda nesse processo de "denúncias", criando a Comissão Especial de Investigações das Ossadas de Perus.
Em 4 de setembro daquele ano, a prefeitura de São Paulo abriu com grande estardalhaço, com manchetes e mais manchetes na mídia, a Vala de Perus, localizada no Cemitério Dom Bosco, na periferia da cidade, onde estavam enterradas 1.049 ossadas de indigentes e, possivelmente, de alguns terroristas.
Ainda em setembro desse ano, no dia 17, instalou-se na Câmara Municipal de São Paulo uma CPI para investigar as "irregularidades" na Vala de Perus.
De acordo com www.desaparecidospoliticos.org.br:
"em seis meses de atividades da CPI, foram realizadas 42 sessões ordinárias, uma extraordinária, várias diligências ao Sítio 31 de março de 1964, em Parelheiros, três visitas à Secretaria de Segurança Pública, cinco à Prefeitura Municipal, uma ao DHPD, duas ao Departamento de Comunicação Social da Secretaria de Segurança Pública, duas à Polícia Federal, duas ao Cemitério de Perus e duas à UNICAMP."
O Sitio 31 de Março, de propriedade do senhor Joaquim Rodrigues Fagundes, foi incluído nas investigações por vingança, pois eles não aceitavam que um sítio tivesse esse nome. Inventaram que nele estavam enterrados os corpos de muitos "desaparecidos". As máquinas da prefeitura revolveram o solo do sítio, deixando-o em uma situação lastimável. Como já se esperava, nada foi encontrado. Tudo não passou de um teatro, montado para a imprensa que, aliás, "esqueceu" de publicar o resultado das escavações.
No dia 09/04/2003, o Serviço Funerário do Município de São Paulo publicou no Portal Prefeitura de São Paulo, sob o título: "SFMSP ajuda a resgatar a história política do Brasil", uma matéria da qual destacamos:
"O Serviço Funerário também participou ativamente da localização das ossadas de mais de mil militantes políticos que foram assassinados e enterrados em vala clandestina do Cemitério de Perus. No dia 4 de setembro de 1990, os corpos foram exumados para análise e identificação."
Segundo a ONG Tortura Nunca Mais, foram 358 os mortos e desaparecidos em todo o Brasil e no exterior, incluídos os do Araguaia, os que se suicidaram, os que faleceram em acidentes de carro, os mortos em passeatas e arruaças.
Já Nilmário Miranda, em seu livro Dos filhos deste solo, aponta 420 mortos, dos quais 23, segundo ele, não têm motivação política e um dos "mortos", Wlademiro Jorge Filho, está vivo (página 468 do seu livro). O número portanto cai para 396 mortos.
De onde esse Serviço Funerário da Prefeitura, na época de Marta Suplicy do PT, tirou os mais de mil militantes políticos, enterrados na Vala de Perus?
Por que mentir de forma tão leviana? Por que empregar a teoria de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, de que a mentira, muitas vezes repetida, se torna uma verdade? Qual o interesse da prefeitura e por que a irresponsabilidade em afirmar o que é inverídico?
Segundo a matéria, nenhum terrorista foi morto em combate com os órgãos de segurança, todos foram assassinados, e a vala comum, que sempre existiu, passou a ser clandestina.
Segundo o site www.desaparecidospoliticos.org.br/perus.htm-25k- :
- Em 1973, a família dos irmãos Yuri e Alex de Paula Xavier Pereira descobriu que Yuri estava enterrado no Cemitério de Perus. Procurando o administrador do cemitério, localizou no livro de registros o sepultamento de João Maria Freitas, nome falso usado por Alex.
- Em junho de 1979, alguns familiares foram ao Cemitério de Perus e localizaram outros militantes mortos, sob identidade falsa, como Gelson Reicher, enterrado com o nome de Emiliano Sessa, e Luís Eurico Tejera Lisboa, enterrado como Nelson Bueno.
- Em 1992, foram identificados na Vala de Perus Denis Antônio Casemiro, considerado desaparecido, e Frederico Eduardo Mayr.
- No Cemitério de Perus foram identificados três esqueletos em covas individuais, como sendo de Helber José Gomes Goulart, Antônio Carlos Bicalho
Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones.
- No mesmo cemitério foram identificados os esqueletos das covas onde estavam enterrados Hiroaki Torigoe e Luís José da Cunha. Seus ossos foram retirados e enviados para o DML/UNICAMP.
A respeito do que está publicado nesse site, podemos acrescentar que:
- Denis Antônio Casemiro não é desaparecido. Segundo o livro de Nilmário
Miranda e Carlos Tibúrcio, foi enterrado com o verdadeiro nome.
- Hiroaki Torigoe faleceu em 05/01/72. Sua morte foi publicada no dia
seguinte no jornal O Estado de S. Paulo, onde consta o seu verdadeiro nome.
Apesar de se saber, através de fotografias, o nome de nascimento, foi enterrado com o nome dos documentos que portava ao morrer: Massamiro Nakamura.
Torigoe só foi identificado oficialmente depois de prolongada busca nos órgãos de identificação para a comparação das suas impressões digitais.
- Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher morreram no dia 20/01/1972, em tiroteio com uma equipe do DOI, após terem abatido a tiros de metralhadora o cabo Sylas Bispo Feche, desta equipe. As suas mortes foram tornadas públicas dois dias depois, em matéria do jornal O Estado de S. Paulo, onde constam seus nomes verdadeiros. Foram sepultados com os nomes constantes nos documentos que usavam ao morrer, João Maria Freitas (Alex) e
Emiliano Sessa (Gerson). Em novembro de 1980, a família de Alex retirou do Cemitério de Perus os restos mortais dos dois irmãos, Yuri e Alex, e os sepultou no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro. A família de Gelson Reicher, após exumar seu corpo no Cemitério de Perus, o sepultou no Cemitério Israelita.
- Frederico Eduardo Mayr, ao morrer no dia 24/02/1972, foi enterrado com o nome que usava: Eugênio Magalhães Sardinha.
- Yuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Corrêa e Marcos Nonato da Fonseca faleceram em 14/06/1972. A noticia de suas mortes foi publicada no dia 18/06/1972 pela imprensa, inclusive pelo Diário Popular, onde aparecem seus nomes verdadeiros.
- Helber José Gomes Goulart faleceu em 16/07/1973. Usava os nomes falsos de Walter Aparecido Santos e Acrísio Ferreira Gomes. Os jornais Folha da Tarde e Jornal do Brasil, do dia 18/07/1973, publicaram sua morte, com sua foto e nome verdadeiro.
- Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones faleceram em 30/11/1973. Suas mortes foram publicadas na imprensa, inclusive no jornal O Globo de 01/12/1973.
Recentemente, em 03/09/2005, os jornais do País publicaram matéria a respeito das ossadas de Flávio Carvalho Molina. Segundo o jornal Correio Braziliense:
"Flávio Carvalho Molina foi enterrado com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta, no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Posteriormente, seu corpo foi exumado e transferido para uma vala comum, junto com os restos mortais de outros presos políticos, enterrados como indigentes. Em 1990, a vala foi aberta e 1.049 ossadas exumadas, entre elas as de Molina."
A notícia é tendenciosa. Como já expliquei, Flávio tinha de ser sepultado com o nome que usava ao morrer, isto é Álvaro Lopes Peralta. Assim, o corpo foi encaminhado para autópsia ao Instituto Médico Legal, órgão do governo do Estado de São Paulo, a quem cabia, por força de prescrição legal, a responsabilidade pelo sepultamento. Também, quem lê a noticia é induzido a pensar que as 1.049 ossadas eram de "presos políticos" e não de indigentes.
A bem da verdade, Flávio Carvalho Molina foi sepultado na cova 14, rua 11, quadra 2, gleba 1, registro 3.054. Isso consta no Inquérito Policial, enviado à 2ª Auditoria Militar, em São Paulo. Se a sua família tivesse lido os jornais da época e se tivesse procurado as autoridades, como o fez em julho de 1979, saberia onde estava enterrado o seu ente querido e poderia, como o fizeram outras, tê-lo exumado, evitando que, após cinco anos, sua ossada fosse sepultada na vala comum, juntamente com indigentes.
Que fique bem claro, Flávio Carvalho Molina não foi enterrado clandestinamente nem com nome falso; paradoxalmente, o último nome que usava também era verdadeiro.
Em junho de 2006, a mídia publicou, com grande destaque, a identificação da ossada de Luís José da Cunha, o "Crioulo", que morreu em combate em meados de 1973 e teria sido enterrado no cemitério de Perus como indigente.
Ao final da década de 60, "Crioulo", após regressar de Cuba, onde fizera curso de treinamento de guerrilha, destacou-se como um militante e terrorista de prestígio na sua organização, sendo escolhido membro do Comando Nacional da ALN em 1973.
Com a experiência desse treinamento, desempenhou importante papel na formação de vários jovens que se atiraram na luta armada, levando muitos a morte.
Foi segurança e homem de confiança de Marighella, o ideólogo do terror.
No dia 29/06/2006 o Correio Braziliense publicou a seguinte matéria:
"A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos anunciou ontem a identificação, por amostras de DNA, da ossada do guerrilheiro Luís José da Cunha, mais conhecido como "Crioulo", da Ação Libertadora Nacional (ALN). Emboscado em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, por uma equipe do Destacamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). "Crioulo" foi morto em junho de 1973 e enterrado como indigente no Cemitério de Perus, na zona oeste da capital paulista.
Os autos da autópsia, recuperados pela Comissão de Mortos em 1995 revelaram que ele foi "brutalmente torturado até a morte e teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação, só possível agora com os avanços da medicina legal", segundo o presidente da comissão Marco Antonio Barbosa.
Nos arquivos do regime militar, o laudo original, assinado pelo médico Harry Shibata, descreve a morte como conseqüência de um tiro em confronto com a polícia. "Só a autoria já colocava o laudo sob suspeição e agora fica provado que era mais uma farsa", disse Barbosa, ao lado da viúva de "Crioulo", a também ex-militante da ALN Amparo Araújo. "Os ossos foram localizados há 15 anos durante as escavações no cemitério, para onde a Oban, destinada a eliminar inimigos do golpe militar, mandava as vítimas. A maior prova de que "Crioulo" foi submetido a tortura, como demonstra o segundo laudo determinado pelo governo, é que, na foto cadavérica, aparecem 11 lesões graves, típicas de suplício, só no rosto dele"."
Profissionais competentes se fossem comprometidos com a verdade; se tivessem o interesse de resgatar o fato e o comparar com as versões para bem informar; e se explorassem a veia investigativa que estimula e diferencia o profissional da informação dos profissionais de ocasião, por certo pesquisariam nos jornais de São Paulo/SP de julho de 1973 e encontrariam artigos sobre o assunto em questão, o que lhes permitiria informar aos leitores com maior precisão.
O bom e competente jornalista dá um colorido especial ao fato e às circunstâncias que o envolvem, estimulando a elaboração de uma matéria que mais se aproxime da verdade, enquanto que o repórter sectário e manipulador constrói e deforma a história, segundo interesses e conveniências políticas e ideológicas.
A respeito da morte de Luís José da Cunha, "Crioulo", ocorrida em julho de 1973, e não em junho como publicou o Correio Braziliense, os fatos se passaram como a seguir é descrito:
Durante uma ronda realizada por uma Turma de Busca e Apreensão do DOI, às 14 horas e 30 minutos do dia 13/07/1973, na altura do nº 2000 da Avenida Santo Amaro, foi observado um indivíduo com as características de Luís José da Cunha. Estabelecido o cerco, o suspeito foi abordado para identificação, reagindo violentamente com sua pistola automática e procurando se evadir.
Na tentativa de fuga, o terrorista procurou se apropriar do carro onde estavam as jovens Silvia Maria B. Prata, RG 6.094.658, e Patrícia Maria Ernesta Cennacchi, ferindo-as levemente com sua pistola. As duas foram socorridas no Pronto Socorro Santa Paula.
Após intenso tiroteio, o suspeito caiu ferido, vindo a falecer quando transportado para o Pronto Socorro Santa Paula.
O morto, confirmadas as suspeitas, era Luís José da Cunha, que, na ocasião,
portava documentos falsos com o nome de José Mendonça dos Santos.
Como "Crioulo" não foi preso e nem interrogado, seu "aparelho", situado na rua Bom Pastor nº 2326, bairro do Ipiranga, São Paulo/SP, só foi localizado no dia19 de janeiro de 1974. Nele foram encontrados documentos falsos com os nomes de Luís de Oliveira, Oswaldo de Almeida e Antonio Milton de Morais, cinco recibos de entrega de Declaração de Rendimentos e duas vias do CIC nº 413841488, em nome de Luiz de Oliveira. A Receita Federal foi avisada para dar baixa desses nomes falsos, declarados por "Crioulo".
Luís José da Cunha foi enterrado no Cemitério de Perus com o nome falso que portava, em uma cova identificada. Sua morte foi publicada com destaque na imprensa. O Jornal da Tarde, de São Paulo/SP, no dia 14 de julho de 1973, um dia após a sua morte, publicou matéria, onde consta o nome verdadeiro de "Crioulo".
Como a família não procurou os restos mortais desse dirigente nacional da ALN no prazo legal, seu corpo foi exumado e transferido para o ossuário do cemitério.
A exploração política, ideológica e comercial do assunto, o desrespeito ao tema e às pessoas envolvidas, emocionalmente ou não, e as acusações grosseiras e infundadas que não resistem a uma pesquisa séria e cuidadosa, permite refutar com lógica, com equilíbrio, com fatos e com provas, a farsa dessa calúnia.
É ridícula e sem nexo a afirmativa do presidente da Comissão de Mortos de Familiares e Desaparecidos, Marco Antonio Barbosa, de que "Crioulo" teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação e ser sepultado como indigente, o que demonstra a má fé da afirmação.
Se é verdade que a cabeça foi encontrada separada do corpo, a hipótese provável é que a separação tenha ocorrido no ato da exumação da cova rasa para o sepultamento na cova coletiva.
Como se pode verificar, os corpos de todos esses terroristas não foram enterrados clandestinamente. Foram enterrados oficialmente, com os registros feitos na administração do cemitério. As autoridades do DOPS e do IML que providenciaram os seus sepultamentos jamais ocultaram seus cadáveres. Todos foram sepultados em covas individuais, todas identificadas.
A farsa do Cemitério de Perus, publicada com alguma insistência e de forma irresponsável, sem nenhum cuidado jornalístico de preservação da verdade, nem mesmo pelo denominado jornalismo investigativo, continua até hoje enganando o povo e acusando, de maneira sórdida, as autoridades policiais, daquela época, de ocultação de cadáveres. A repercussão na imprensa dos sepultamentos de Flávio Carvalho Molina e de Luís José da Cunha demonstra do que eles são capazes quando querem mentir.
Retirado do livro " AVerdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" - do Cel Ref Carlos Alberto Brilhante Ustrta