Notícias Militares

domingo, 30 de agosto de 2009

ANISTIA, DE NOVO




Anistia, de novo.

Ternuma Regional Brasília

Gen. Bda Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Uma das preocupações e determinações das FFAA foi não reagir, em hipótese alguma, diante das acusações e distorções sobre si e sobre os seus integrantes encetadas ou patrocinadas pelo desgoverno. “Para não levantar marola”, dizem alguns. “Por conveniência”, concluem outros. Por receio, por vergonha, por... E assim, tem sido.

Um silêncio culpado? Um mutismo de impotência?

Hoje, na vigência do “politicamente correto”, ainda que imoral ou indecente, os poucos militares, da reserva ou até civis que acompanham e repudiam as renitentes exposições e pressões sobre o estamento militar correm o risco de serem patrulhados ideologicamente em razão de comentários que possam ser considerados fora de hora, extemporâneos ou ofensivos às nossas “otoridades”.

Não importa um Sarney, um Congresso corrompido, uma autoridade, desafiadoramente, usar um colar de folhas de coca em degradante cumplicidade com um companheiro do Foro de São Paulo, um ministro engajado na marcha pela legalização da maconha, uma ministra comprovadamente mentirosa e sua assessora estar prestes a ocupar uma vaga no STM, graças aos seus bons serviços (e que serviços).

Já não basta o uso desavergonhado dos cargos ocupados às escâncaras pelos “companheiros” nas entidades públicas e nas autarquias, eles avançam, sem qualquer obstáculo em outras searas. Nada importa.

O correto é aplaudir a decisão que condenou a Daslu a 94 de prisão. É o povo contra os ricos. Porém, uma companheira ocupar uma vaga no STM é a coisa mais natural do mundo. Como é de praxe, “vocês têm que me engolir”. E engolimos, ou melhor, degustamos.

No resto, é preservar o “princípio da autoridade”, por mais canalha que ela seja. O povo votou nela.

O combate à subversão foi uma história de vergonha que, portanto, deve ser apagada, pelo menos a versão dos militares. No entanto, não basta apagar os acontecimentos, é preciso reescrevê-los, contar novas versões, emparedar os militares no muro da vergonha e achincalhá–los, a tal ponto, que se escoe de seu corpo exangue a última gota de coragem.

A questão da anistia, que no passado recente, não era um “cavalo de batalha”, com a ascensão e a perpetuação da canalha no poder, erigiu-se num formidável instrumento de pressão. Sempre, haverá um novo aspecto a ser abordado, um monumento a ser erigido, uma solenidade a ser perpetrada, um livro a ser escrito, uma data a ser comemorada, um esqueleto a ser exposto e uma vitória a ser cantada.

Tivéssemos a certeza de que o assunto nunca mais seria abordado pela canalha petista, concitaríamos para que as Forças Armadas, arbitrariamente, sem preliminares e sem julgamentos, prendessem a todos os acusados, suspeitos, parentes, aparentados, amigos e simpatizantes dos acusados e entregassem suas cabeças aos seus acusadores.

Meus amigos, fossem todos os “torturadores” relacionados pela esquerda enforcados e esquartejados em hasta pública, como o herói Tiradentes, e chutados os restos dos já falecidos, ou suas cinzas jogadas nas profundas do inferno, nem assim o assunto estaria encerrado. É o moto-perpétuo do achincalhe.

Netos, bisnetos e quantos reivindicarem, serão beneficiados, ainda, com reparos financeiros e as polpudas indenizações já pagas e que serão reajustadas, pois é preciso manter a questão na mídia, provocar debates, acuar e amedrontar. A Comissão da Anistia que o diga.

Escutamos algumas “imparciais” autoridades, que, inclusive, poderiam obstar a nojenta perseguição, declararem que o problema é da “justiça”. Escaldados, vemos tais declarações de falsa neutralidade, como um subterfúgio para permitir o prosseguimento da caçada.

Não sem razão, na iminência da decisão do STF, tememos a sua “proverbial” imparcialidade. Afinal, suas decisões são de fazer corar estátuas de pedra.

DESMILITARIZAÇÃO DA PM


Desmilitarização da PM

Uma das discussões mais frequentes e intermináveis na área de Segurança Pública, pelo menos no Rio de Janeiro, é aquela que confronta os defensores de uma total desmilitarização dos agentes de Polícia com os que sustentam o modelo baseado nas tradições e na hierarquia das Forças Armadas brasileiras. Há uma terceira corrente, com a qual me identifico muito, que lamenta o fato de a PM ter, ao longo de décadas de maus governos estaduais, mantido o pior do militarismo e descartado suas características mais saudáveis.

Há que se ponderar que, exatamente pelo fato de a Briosa ter se submetido a diversos e horríveis governos estaduais, a comparação com as FFAA é demasiado injusta. Vide os vídeos que anexo neste texto, a continuação da série “Guerreiros”, da TV Record, obra do repórter Vinícius Dônola e do produtor João Pinheiro, ele mesmo um ex-Militar com pleno conhecimento dos ritos e do ethos vigente nas FFAA. Não há como comparar a força federal, mantida a ferro e fogo, sedimentada em Academias Militares elencadas entre as melhores do mundo, com uma corporação estadual destruída pelo revanchismo de governos ditos “democratas”. Por mais que os homens de um e de outra tenham a mesma tenacidade e a mesma sagacidade, sem contar a coragem, o Exército Brasileiro, por exemplo, resistiu até mesmo à tragédia popularesca em que se transformou nossa democracia, repleta de currais eleitorais, propagação da ignorância, compras de votos e jogos sujos de poder.

Vamos nos remeter ao filme “Tropa de Elite”, na cena em que o capitão Nascimento estende a bandeira do BOPE acima até mesmo da bandeira brasileira sobre o caixão do aspirante Neto. Ali, Nascimento explica por que o BOPE precisa tanto destes ritos, destas tradições: o BOPE seria como uma seita, uma maçonaria, e precisa de todo aquele aparato psicológico para que seus homens resistam à corrupção e prossigam na missão suicida de todos os dias. Não fossem todos os cânticos, o sentimento de irmandade, as orações e o duro treinamento, os Caveiras não poderiam se chamar assim e dificilmente resistiriam às tentações e ao fogo diário.

Pois o que Nascimento fala sobre os Homens de Preto, podemos falar também sobre os Homens de Azul: para estes, o militarismo cumpre a mesma função que os rituais em relação ao BOPE. Se hoje parece consenso que a PM do Rio precisa de SALÁRIO e de um melhor controle (inclui-se Corregedorias), é lícito dizer que faz parte deste melhor controle também o militarismo. A farda inibe a má-prática. O posto, o quepe, são fatores que pelo menos ajudam – seria, no entanto, ingenuidade dizer que impedem completamente. Sem a farda, não haveria a cobrança pela ostensividade, pela clareza, pela transparência.

Costuma-se citar a Polícia Civil como exemplo de excelência desmilitarizada. Fico em dúvidas, porque as condições de trabalho péssimas dos policiais civis não permitem números de excelência, e creio que no trabalho de prevenção ao crime o procedimento seja obrigatoriamente diferente. Imagine o leitor um vilarejo com comércio, pequena indústria, plantações, locais para lazer, livrarias, lojas de roupas. A vida, toda em harmonia. Sua missão é tirar a paz do local, mas você só pode fazer um movimento.

É claro que você vai tirar do local a Polícia ostensiva e fardada. Sem Polícia não há urbanização, não há ocupação de território, não há convivência. Já com a Polícia fardada e ostensiva, há sensação de paz, segurança e legalidade, a presença do estado fica mais evidente. E quando projetamos para o indivíduo, o agente policial, podemos acreditar que toda a disciplina e noção de hierarquização e economia de meios que ele ganha no ethos militar o torna mais eficiente para essa sociedade. Com o militarismo vem a "consciência da missão". Esta é sem dúvida uma das características saudáveis. Já as tradições malditas e os fatores de retrocesso, estes estão muito bem descritos pelo coronel PM Emir Larangeira em seu fundamental livro
"O Espião".



Início Textos de terceiros 30/08 - Isso, sim, é Estado
30/08 - Isso, sim, é Estado
Por ELIANE CANTANHÊDE - Folha de São Paulo
BRASÍLIA - Nunca antes neste país se viu crise de tamanha proporção na Receita Federal. O que as dezenas de "renunciantes" reclamam é da ingerência política num órgão essencialmente técnico. De Estado, não do governo de plantão. Na Petrobras, onde há histórias mal contadas e contas mal somadas, o corporativismo não se armou para defender a empresa de ingerências externas e partidárias. Ao contrário, sucumbiu a elas, numa simbiose que gerou todo um aparato para reações iradas -não contra os que querem tomá-la de assalto, mas contra os que os denunciam.

Texto completo

No Banco do Brasil, houve uma guerra surda entre funcionários de carreira e sindicalistas oportunistas, e o governo foi obrigado a desocupar o que tinha ocupado indevidamente: praticamente todas as diretorias e todas as chefias de órgãos e fundações vinculados. O final foi favorável. Por enquanto...

A Receita não repete a Petrobras nem o BB. Nem prevalece o corporativismo partidário, nem guerras surdas. A reação é pública e faz barulho. O que vale não é a voz do partido, da conveniência pessoal, do oportunismo político, do amém a tudo o que seu mestre mandar lá do Planalto e que sua mestra mandar lá do palanque. O interesse público prevalece sobre o partidário.

Só isso justifica que quadros dentre o que há de melhor na administração pública abdiquem de cargos, títulos, vantagens e digam um sonoro "não". Uma Lina Vieira sozinha não seria capaz de tanto. Uma corporação sólida e invulnerável a "patrões" provisórios é.

É isso o que se espera de um país sério e democrático. Que seus funcionários não apenas estejam acima de qualquer suspeita e que a máquina de fiscalização e eventual punição esteja azeitada mas que tenham consciência do seu papel e não se deixem subjugar.

A Receita se transforma num paralelo com empresas estatais e com o Congresso. No Senado, pode tudo. Na Receita não. Ali não se revoga o que é irrevogável.




30/08 - Isso, sim, é Estado
Por ELIANE CANTANHÊDE - Folha de São Paulo
BRASÍLIA - Nunca antes neste país se viu crise de tamanha proporção na Receita Federal. O que as dezenas de "renunciantes" reclamam é da ingerência política num órgão essencialmente técnico. De Estado, não do governo de plantão. Na Petrobras, onde há histórias mal contadas e contas mal somadas, o corporativismo não se armou para defender a empresa de ingerências externas e partidárias. Ao contrário, sucumbiu a elas, numa simbiose que gerou todo um aparato para reações iradas -não contra os que querem tomá-la de assalto, mas contra os que os denunciam.

Texto completo

No Banco do Brasil, houve uma guerra surda entre funcionários de carreira e sindicalistas oportunistas, e o governo foi obrigado a desocupar o que tinha ocupado indevidamente: praticamente todas as diretorias e todas as chefias de órgãos e fundações vinculados. O final foi favorável. Por enquanto...

A Receita não repete a Petrobras nem o BB. Nem prevalece o corporativismo partidário, nem guerras surdas. A reação é pública e faz barulho. O que vale não é a voz do partido, da conveniência pessoal, do oportunismo político, do amém a tudo o que seu mestre mandar lá do Planalto e que sua mestra mandar lá do palanque. O interesse público prevalece sobre o partidário.

Só isso justifica que quadros dentre o que há de melhor na administração pública abdiquem de cargos, títulos, vantagens e digam um sonoro "não". Uma Lina Vieira sozinha não seria capaz de tanto. Uma corporação sólida e invulnerável a "patrões" provisórios é.

É isso o que se espera de um país sério e democrático. Que seus funcionários não apenas estejam acima de qualquer suspeita e que a máquina de fiscalização e eventual punição esteja azeitada mas que tenham consciência do seu papel e não se deixem subjugar.

A Receita se transforma num paralelo com empresas estatais e com o Congresso. No Senado, pode tudo. Na Receita não. Ali não se revoga o que é irrevogável.

ABIN DA VERDADE




ABIN da verdade



Ernesto Caruso, 28/08/2009



Era essa ABIN que a nação brasileira desejava a serviço do Estado, colaborando na segurança das instituições e que fosse uma entidade com credibilidade.

O senador Heráclito Fortes - DEM, ontem na tribuna, só não chamou de santinho o Gen Félix, Chefe do Gabinete da Segurança Institucional, sobre o seu papel no exercício das funções, particularmente no caso da ida ao Planalto da ex-secretária Lina Vieira para o encontro com a ministra Dilma, sem registro de imagens como informado pelo ministro, mas relembrando as investigações obscuras (aquelas escutas telefônicas entre autoridades, maletas e CPI) a que desqualifica chamando a ABIN de escola de arapongagem. Assim, procura demonstrar a sua inutilidade por não proteger o Palácio do Planalto e pelo desvio de função.

Discorre sobre os equipamentos caríssimos adquiridos e na hora que se precisa de uma prova, informa-se que já foi apagada. Questiona a si próprio:

-“um homem da formação do general Félix, militar que deve ter tido, ao longo dos seus anos de caserna, exemplos a seguir, submeter-se a um vexame de, para proteger arapongas, assumir papelão dessa natureza?”

E completa:

- “Digo isso com tristeza, porque acho que o general Félix está envolvido numa seara que não foi sua originalmente, que é a da espionagem. Primeiro, passou a ser aconselhado pelo Sr. Paulo Lacerda, que, após criar dificuldades inventadas para o próprio Governo, recebeu um exílio de ouro em Portugal, recebendo em Euro, com direito a queijo da Serra da Estrela e a vinhos de boa cepa.”

Se nos reportarmos ao contrato, vamos tirar as dúvidas, que jogos de palavras, como as do próprio líder do governo, senador Jucá, tentam encobrir como as que as imagens ficarão arquivadas só por 30 dia e os dados por seis meses.

O item 5.9.4. do contrato impõe que “As matrizes de vídeo deverão concentrar as imagens que estão sendo captadas pelas câmeras e deverão ser em quantidade adequada ao número de câmeras utilizadas.”

A seguir o 5.9.5.: “Os gravadores digitais deverão ter capacidade de armazenamento compatível com a quantidade de câmeras utilizadas, não devendo ter capacidade de gravação inferior a 30 dias, devendo ainda os mesmos ser dotados de sistema de backup, permitindo assim a rápida recuperação no caso de ocorrência de panes.”

O item 5.9.7 destaca a capacidade dos servidores e a importância do backup, “Os servidores de controle centrais assim como os de Banco de Dados deverão possuir alta disponibilidade ....., assim como possuírem sistema de backup de informações, devendo ser utilizadas máquinas com capacidade de processamento que permitam acréscimo, de no mínimo, 50% do total da carga de processamento estimada.”

De acordo com item seguinte, “O sistema de Banco de Dados a ser utilizado deverá possuir capacidade de armazenamento de registros por um período mínimo de 06 (seis) meses, para daí os dados serem transferidos definitivamente para uma unidade de backup.”

Além disso, o contrato dá importância ao passado e ao futuro no que concerne a registros, confira: 5.9.9. Os registros hoje existentes no sistema ora utilizados deverão ser importados para a Base de Dados a ser implantada pela contratada, evitando assim descontinuidade de serviços. Devem ser previstas as seguintes quantidade mínimas de registros: a) Quantidade de registros atuais: 2.600 autoridades e servidores; 1.800 terceirizados e prestadores de serviço; 3.500 veículos cadastrados; 600 visitantes por dia. b) Quantidade de registros futuros: respectivamente, 20.000; 10.000; 10.000 e 50.000.

Se nos lembrarmos do dia a dia das reportagens sobre crimes, acidentes, balas perdidas, ocorrências em prédios, assaltos a lojas, encontros fortuitos em shoppings e saguão de aeroporto, em muitas delas são apresentadas imagens que ajudam na prisão dos criminosos. Ora, se pode alegar que tais imagens são salvas na iminência dos fatos, mas quando se coloca em risco a segurança de um Palácio de governo, a capacidade de arquivo dos equipamentos modernos e o custo que representam, qualquer justificativa nesse sentido é pueril e ofende a inteligência dos outros.

Mais constrangedor ainda é ver, que o presidente do Democratas protocolou representação na Procuradoria Geral da República questionando a conduta administrativa do General Félix.

A bem da verdade, quem está mentindo?



Para atenuar o desprazer acima, recordo do Dia do Soldado comemorado no mesmo Senado e das palavras do senador Artur Virgílio exaltando os feitos militares na Amazônia, em particular no Estado do Amazonas, que representa, exaltando as figuras do Gen Heleno e do Gen Matos que o sucedeu sublinhando o patriotismo que orna e dignifica o soldado/índio/mestiço que defende aquele imenso território.

NOTA DE APOIO


Associação dos Oficiais da Brigada Militar manifesta apoio ao procurador gaúcho Gilberto Thums

A Associação dos Oficiais da Brigada Militar divulgou nesta segunda-feira 13 de abril uma nota de apoio ao Procurador de Justiça Gilberto Thums, que na semana passada, informou que irá se afastar das questões que envolvem o Movimento dos Sem-Terra (MST) por estar sofrendo pressões insuportáveis de entidades de direitos humanos. Por sua coragem e lucidez o manifesto merece todo nosso apoio.

Abaixo, a nota
A Associação dos Oficiais da Brigada Militar vem a público manifestar seu apoio às iniciativas de restabelecimento das normas constitucionais e infraconstitucionais realizadas pelo Ministério Público do Estado do RS, em especial, pela iniciativa do procurador de justiça Gilberto Thums, em face das reiteradas ações de desrespeito à integridade física e do direito à propriedade perpetrada por chamados 'movimentos sociais' encabeçados pelo MST.

O histórico de esbulho e destruição deste autodenominado 'movimento social', que não passa de um movimento organizado que busca a instauração de um Estado totalitário em nosso país, requer do poder público, em especial do fiscal da lei, o MP, ações eficazes para que a lei não reste desmoralizada e o direito de cada cidadão de viver em paz em sua propriedade, no campo e na cidade seja respeitado.

O desgaste institucional do Ministério Público é uma mera decorrência de sua função, assim como nós, Policiais Militares, que apesar de ver nosso sangue derramado pelas ações criminosas do MST, convivemos com críticas ferozes de facções partidárias e organizações defensoras da desordem institucionalizada.

Nunca esqueçamos o saudoso Cabo PM Valdeci, assassinado a golpes de foice por integrantes do MST na Capital de nosso Estado, pois fatos como esse devem ser lamentados, porém não esquecidos.

É vergonhoso que o Ministério Público tenha de recuar por 'pressões' de quem desrespeita a lei, traz o terror aos produtores rurais e se coloca acima da Constituição.

N.da R. Os grifos são nossos
Fonte: Site Diego Casagrande

O APARELHAMENTO E O EFEITO DOMINÓ


O APARELHAMENTO E O EFEITO DOMINÓ

Percival Puggina





Que Estado, Governo e Administração são coisas distintas, parece mais ou menos evidente. Não fosse assim teriam o mesmo nome, não é verdade? Em todo caso, vamos explicitar um pouco isso. O Estado nacional moderno é uma instituição politicamente organizada, com povo e território, que possui soberania reconhecida interna e externamente e se rege por uma Constituição. Sobre o conceito de governo existem incontáveis divergências entre os autores, mas em resumo podemos afirmar que governo é uma função intermediária, própria do Estado Moderno, que se caracteriza pela definição das políticas públicas. Na dimensão que mais nos interessa aqui, governo é o grupo que cumpre essa tarefa. Administração, por seu turno, é o corpo funcional dos quadros do Estado que tem a seu encargo dar efetividade às políticas públicas. Ufa! Chega de teoria que isso, como diria Lula, dá uma canseira danada.



Do que ficou acima, transparece, entre outras coisas, que o Estado e a Administração são permanentes, ao passo que o governo é transitório. Portanto, confundir esses três elementos é erro descomunal. E fazer com que as três funções sejam assumidas pela única dentre elas que é transitória, constitui equívoco ainda maior. Pois saiba, leitor, que é isso o que acontece no Brasil, desde a proclamação da República. O presidente é chefe do Estado, do Governo e da Administração.



O sujeito, em tese, assume por quatro anos e tem a caneta mais pesada do mundo. Ele não só pode aparelhar o Estado e a Administração segundo conveniências pessoais ou partidárias, como faz isso mesmo, de modo sistemático, sem qualquer constrangimento legal, porque, de fato, tudo está sob o manto vermelho de seu poder czarista.



Dificilmente transcorre um dia sem que transpareçam evidências do que afirmo. A demissão de Lina Vieira da chefia da Receita Federal desencadeou o efeito dominó de inúmeras outras demissões. Os titulares desses postos, assim procedendo, estavam expressando discordância com o aparelhamento político-partidário daquela instituição do Estado. Ou não? Outro exemplo da semana. A sobrecarregada pauta do STF trouxe novamente às primeiras páginas o episódio do caseiro Francelino e a quebra de seu sigilo bancário. Por mais que os advogados dos acusados e quatro ministros esgrimissem argumentos sobre a insuficiência de provas, até a Raika (cadela do meu neto) sabe: a) quem esperava obter benefício do delito cometido e, e b) quem, se não deu a ordem para o delito ser praticado, omitiu-se em agir contra os que lhe colocaram nas poderosas mãos a evidência do delito. A invasão da privacidade do Francelino resultou do aparelhamento da Administração. O resultado no STF resultou do aparelhamento do Estado.



Nem mesmo países com cultura política superior se expõem aos riscos de tamanha concentração de poder (ou será que esses países alcançaram cultura política superior porque não se expõem a tais riscos?). Neles, quando ocorre troca de governo, vagam umas poucas dezenas de cargos. Aqui dezenas de milhares! Dezenas de milhares de militantes partidários são inseridos nos postos de mando da administração pública, aparelhando toda a administração para colocá-la em harmonia com interesses político-partidários e eleitorais. Como decorrência dessa organização vigarista do Estado, perde a sociedade, perde o Estado, perde a Administração e se desacreditam os governos, a política e a democracia.

sábado, 29 de agosto de 2009

NOTA DO CLUBE MILITAR


EM SE COMPRANDO TUDO DÁ … VOTOS

Os homens são tão simplórios, e se deixam de tal forma dominar pelas
necessidades do momento, que aquele que saiba enganar achará sempre
quem se deixe enganar.(Maquiavel)

Nunca na história deste país se fez tão pouco caso da honra, de tal
maneira se desprezou a ética, tanto se usou de meios escusos para
corromper, para enlamear instituições, para comprar consciências. A
amarga sensação que fica é a da total perda, por parte de um grande
número de homens públicos, de qualquer noção de honestidade, de
dignidade, de honradez.

O atual governo, contrariando todos os princípios apregoados enquanto
estava na oposição, abandonou completamente o decoro no trato da coisa
pública e partiu para o uso de um verdadeiro rolo compressor,
comprando tudo e todos a sua volta, desde que possam, de alguma forma,
interferir em seus objetivos.

Recordemos o esquema do mensalão, quando um grupo de aliados do
Presidente, gente de dentro do governo, usou meios escusos para
organizar a maior quadrilha jamais montada em qualquer lugar do mundo,
com o objetivo de comprar o apoio de parlamentares e, em última
instância, perpetuar no poder seu grupo político.

O então Procurador-geral da República, Dr Antônio Fernando de Souza,
apresentou uma denúncia contundente contra os principais envolvidos no
escândalo. Ficou de fora o Presidente da República que alegou
desconhecer o esquema. Em termos jurídicos, a desculpa valeu. O
Procurador-geral retirou-o da denúncia por não ter encontrado
evidências firmes de seu envolvimento. Agora, firulas jurídicas à
parte, parece pouco provável que alguém, dotado de capacidade de
reflexão, tenha acreditado na história. A ser verídico o
desconhecimento, cairíamos na dúvida que, à época, circulou na
internet: será que temos um Presidente aparvalhado, incapaz de
entender fatos que acontecem ao seu redor, protagonizados por seus
mais íntimos colaboradores?

Em outra vertente, há o Bolsa Família, sem dúvida o maior programa de
compra de votos do mundo. Trata-se de um programa que gera
dependência, antes de estimular o desenvolvimento humano. As pessoas
atendidas, recebendo o benefício sem nenhuma necessidade de
contrapartida, ficam desestimuladas até de buscar emprego. Mesmo a
CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) chegou a afirmar que
o programa “vicia” e que deixa os beneficiários “acomodados”.

Não é que alguém seja contra a minorar a aflição de quem tem fome. O
problema é que o programa parte de uma premissa falsa ao confundir
pobreza com fome. A esses últimos é mais do que justo assistir com
recursos públicos. Aos pobres, a melhor ajuda que o governo poderia
dar é investir corretamente em educação. Mas não, confundindo
conceitos, prefere manter um Bolsa Família hiperdimensionado, gastando
recursos que fazem falta à educação, uma vez que, assim como está, o
retorno nas eleições, em termos de votos, tem sido muito compensador.

A comprovação de que não são todos os pobres no Brasil que estão
famintos veio de uma pesquisa do IBGE, realizada em 2004 – Pesquisa de
Orçamentos Familiares. Em uma parte dessa pesquisa, ficou constatado
que o índice de pessoas abaixo do peso estava menor do que aquele
considerado normal pela OMS. E, para a perplexidade dos que acenam com
a necessidade de combater a fome para manter e ampliar o programa,
verificou-se que, entre nós, a obesidade é um problema mais crítico do
que a fome.

Não satisfeito em aliciar parlamentares para sua base de sustentação
política e populações desassistidas para aumentar suas possibilidades
eleitorais, o governo trata, também, de evitar qualquer problema nas
ruas, em termos de manifestações públicas de desagrado contra os
muitos desvios de ética praticados por seus correligionários e
aliados. Nada melhor, então, do que colocar a União Nacional dos
Estudantes igualmente em seu balcão de negócios.

É assim que o governo, da mesma forma que faz com sindicatos, resolveu
patrocinar a UNE. As verbas federais, dessa forma, passaram a irrigar
o movimento estudantil, seja em termos de patrocínio, como aconteceu
em seu último congresso nacional, seja com a destinação de alguns
milhões para a reconstrução de sua sede, seja, ainda, com o pagamento
de generosas “mesadas” a seus dirigentes.

Com isso, foi neutralizado o espírito combativo que era a marca do
movimento estudantil e eliminou-se toda possibilidade de agitações de
rua indesejáveis. Um exemplo disso ocorreu no referido congresso,
quando houve um protesto contra a CPI da Petrobras. Em outros tempos,
seria a UNE a primeira a se mobilizar para exigir a completa
elucidação dos fatos. Agora, sem sequer conhecer os resultados de uma
CPI que nem começou, faz o protesto. Passam por cima da necessidade de
se investigar denúncias de irregularidades em uma empresa cujo maior
acionista é o governo, em um congresso que era patrocinado por esse
mesmo governo. E o presidente da UNE tem a desfaçatez de dizer que não
vê nada de errado nisso.

Com a prática da compra indiscriminada de todos que possam atrapalhar
os desígnios do governo, este foi perdendo todos os escrúpulos.
Conseguindo manter níveis elevados de popularidade, julga-se acima do
bem e do mal, capaz de tudo, inclusive de defender crimes praticados
por aliados, pouco se importando com a ética e com a moralidade
pública. Pouco se importando com a evidência de que está corrompendo
os brios de toda uma nação que, em um dia não tão distante, teve
orgulho de se proclamar brasileira.

Gen Ex GILBERTO BARBOSA DE FIGUEIREDO

Presidente do Clube Militar

O CASEIRO E O POLÍTICO


O CASEIRO E O POLÍTICO

Era um “garoto” que amava os Beatles e os Rolling Stones.

O Francenildo, como o garoto, acreditava na vida, na verdade, nos deveres dos cidadãos e nos políticos.

Francenildo era um humilde caseiro, não tinha maldade, confiava nas pessoas e era cheio de boas intenções. Tinha fé na justiça, aprendera que havia o bem e o mal, e pensava que sabia qual era a diferença entre o certo e o errado.

Um dia viu, e noutros, também, um conhecido político, à época Ministro da Republica, numa certa casa, onde reuniam - se mafiosos e outros celerados, além de moças de fino trato.

Estranhou o entra – e - sai, e para a sua desgraça, contou o que vira.

Foi um dia funesto para o Francenildo. Desde então, para ele, a terra tremeu, um buraco negro se abriu, e de roldão afundou direto na fornalha que aquece as chamas do inferno.

Desmoralizá - lo foi a palavra de ordem.

Reviraram a sua vida, a sua intimidade, a sua alma, e até a sua conta bancária.

Desiludido, fugiu.

Nós, diligentemente, aprendemos com o Francenildo, o “abelhudo”, que “nem tudo é o que parece”.

O que o ingênuo Francenildo não sabia, era que naquele solar, reuniam - se inocentes membros de uma confraria beneficente, indivíduos acima de qualquer suspeita, uns tantos “aloprados” que buscavam, no recesso da mansão, um pouco de sossego, sob os acordes de plangentes harpas e amenas tertúlias.

Usufruíam os inocentes de uma paz que somente um mísero detrator, como o Francenildo, poderia macular. Além disso, com a moderna evolução da Genética, o político que ele pensou ter visto, nada mais era do que um clone, ou na pior das hipóteses, um sósia.

Seu testemunho foi desmoralizado, seu sigilo bancário violado, seu emprego foi para o espaço, e não adianta procurar pelo responsável. Ele não existe.

Assim, engolfado no turbilhão da politicagem, Francenildo tornou - se “o mentiroso”, o verdugo de um ilibado parlamentar. Sem razão plausível, Francenildo buscara difamar um probo. E a troco de que? Fama? Poder? Glória? Dinheiro?

É inútil alegar que foi apenas para cumprir o dever de dizer apenas a verdade. Os juízes não acreditaram. Ora, quem no Brasil de hoje é capaz de dizer a verdade?

Algo de podre existia por detrás daquela ingenuidade.

Segundo as brilhantes conclusões e sublinhando pertinentes dúvidas dos ilibados juízes, como se esperava, o político escapou ileso, ou melhor, engrandecido. O Francenildo, por sua vez, acabrunhado, tem mais é que agradecer a magnanimidade dos magistrados que não o prenderam.

Graças ao Francenildo, devemos colher alguns ensinamentos, dos quais já adivinhávamos: não olhe, não escute e, principalmente, não fale.

Por isso, quando você ver algo estranho, por mais suspeito que possa parecer, uma propina, um assalto, uma mentira, um golpe, um ato desonesto, não vos cabe reclamar, o bom senso determina que você feche os seus olhos, ou que olhe para os lados, que disfarce, assobie, mas que não comente, morra de vergonha, engula em seco e desista, pois você não é a palmatória do mundo, e cale - se para sempre.

Estes são os novos tempos. Os fins justificam os meios.

Se não atender aos nossos conselhos, você poderá entrar numa roubada como o Francenildo.

Resumo da ópera: o “inocente garoto” morreu crivado de balas no Vietnã; o Francenildo aprendeu na pele como é duro ser correto, ou que entestar um político do PT é meter - se em tremenda fria.

Brasília, DF, 29 de agosto de 2009

Gen. Bda Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira

CARTA A UM BANDIDO



Carta para um bandido!
(ATRIBUIDA A UM DELEGADO DE POLICIA)




Senhor Bandido,

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua
imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro
atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de
entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos de atividade policial, tenho acompanhado
suas "conquistas" quanto à preservação de seus direitos, pois os
cidadãos e especialmente nós policiais estamos atrelados às suas
vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa
obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento
justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito às suas
vítimas. Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois ensinaram-me
que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o
Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos
e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da
polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o
policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala
perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou
pelo menos sua arma é a primeira a ser suspeita.

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não
possuímos dependência digna para você se ressocializar. Porém, quero
que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço
social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da
sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a
sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam
qualquer grevista envergonhado. Presença de advogados, imprensa,
colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você
consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é
seu direito, vamos respeitá-lo.

Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa
obrigação também aumentará. Precisamos nos proteger. Ter nossos
direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um
policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais
sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para
que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será
acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos
Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve
execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês
morreram em pleno exercício de seus direitos.

Autor: Wilson Ronaldo Monteiro - Delegado da Polícia Civil do Pará

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Não é missão do Exército


w: Não é missão do Exército combater o narcotráfico



E é muito bom que algumas pessoas em posição de destaque digam o que
precisa ser dito!

Não é missão do Exército combater o narcotráfico

Para o general, falta vontade política para tirar as Forças Armadas da
obsolescência

Leandro Prazeres
Da equipe de A CRÍTICA

Ninguém fala mais alto que o general Luis Cláudio Mattos, 62, na sede
do Comando Militar da Amazônia (CMA). Responsável por 26,3 mil homens
espalhados pelo maior comando regional da América Latina, Mattos não
impressiona pelo tom de sua voz, mas pelas palavras.

Em entrevista concedida à A CRÍTICA, ele se desarma. Diz que o combate
ao narcotráfico não é "missão" do Exército, que falta vontade política
do governo para reaparelhar as Forças Armadas e que, se pudesse,
conduziria a política externa brasileira com mais firmeza.

Sobre as bases colombianas utilizadas pelos EUA e o aumento do poder
bélico venezuelano Mattos se mostra tranquilo, mas revela que os
serviços de inteligência brasileiros estão atentos a esses movimentos.

A CRÍTICA: O que muda para o Brasil a partir da utilização de bases
colombianas pelos Estados Unidos?
General Luis Cláudio Matto: Não muda absolutamente nada. Isso é um
problema interno de soberania da Colômbia. Não fizemos nenhuma
modificação da nossa estratégia em razão desse fato específico.

A CRÍTICA: Essa declaração contrasta com as reclamações do Itamaraty
sobre o assunto. Esse desconforto diplomático ainda não chegou aos
militares?
General Luis Cláudio Matto: Na minha avaliação não há motivo para
preocupação, mas eu entendo que a preocupação do Itamaraty é uma coisa
perfeitamente aceitável. O que é bom frisar é que esse problema das
bases não caracteriza nenhuma ameaça militar para nós. Se nossa
inteligência tivesse dado conta disso, aí sim, adotaríamos uma outra
atitude.

A CRÍTICA: Os serviços de Inteligência estão apurando os reais
interesses por trás desse acordo?
General Luis Cláudio Matto: Não só a inteligência militar, mas a
inteligência brasileira. Por isso que eu digo que não tenho
preocupação. Esse trabalho nos abastece.

A CRÍTICA: Até que ponto o aumento do poderio bélico colombiano e
venezuelano têm mudado a estratégia de Defesa brasileira na Amazônia?
General Luis Cláudio Matto: Nós vivemos numa conjuntura em que temos
um relacionamento excelente com todos os nossos vizinhos.
Evidentemente que nós não acompanhamos esse aumento do poder militar
da Venezuela, da Colômbia e do Chile. Mas isso é problema interno de
cada País. Se os países julgam que, em vez de resolver alguns
problemas, é melhor aumentar o poder militar. é decisão soberana do
País. Nós militares (brasileiros), particularmente, temos muitas
carências que se fossem solucionadas talvez, os vizinhos encarassem
como aumento do nosso poderio bélico, mas são carências que temos há
muitos anos.

A CRÍTICA: A nova Estratégia Nacional de Defesa (END) prevê o
deslocamento de unidade para a Amazônia. Isso não é reflexo desse
aumento de poder militar dos nossos vizinhos?
General Luis Cláudio Matto: Não. Reflete uma preocupação que se tem há
muito tempo de nós aumentarmos o nosso poder militar na Amazônia pra
garantir a soberania. Se isso fosse motivado pelo aumento do poder do
vizinho, isso teria que ocorrer com muito mais rapidez. Qual é o
grande ganho da END para as forças armadas? É a colocação da Defesa
Nacional na agenda. Antes, só se via as forças armadas como
autoritárias e repressoras.

A CRÍTICA: Venezuela e Colômbia saíram da condição de países amigos
para a condição de pontos de instabilidade na América do Sul?
General Luis Cláudio Matto: Eu acho que não. As Farcs, realmente, são
um desconforto muito grande. Imagina você ter um movimento contra o
governo se arrastando durante tanto tempo. Mas isso é um problema
interno deles que podem nos afetar se as guerrilhas entrarem no nosso
território. Por isso estamos vigilantes. A mesma coisa na Venezuela.
As decisões de lá podem agradar ou desagradar. Será que está bom pra
eles? O dinheiro do petróleo poderia ser colocado para o país crescer,
prosperar, mas se o presidente (Hugo) Chávez resolveu aumentar o seu
poder militar, é decisão soberana e são os venezuelanos que tem que
avaliar.

A CRÍTICA: Quais as principais preocupações militares na Amazônia?
Nossos vizinhos, o narcotráfico.
General Luis Cláudio Matto: Tudo isso nos incomoda. Mas o que nos
incomoda mesmo é a vigilância da nossa fronteira. São 11 mil km. Nós
temos preocupação com isso, estamos vigilantes na nossa fronteira.
Temos dispositivos colocados na nossa fronteira e não tenho a menor
dúvida de que farão face a qualquer tipo de ameaça; a nossa estratégia
é preparada para isso. Temos forças presentes e forças que podem ser
deslocadas rapidamente em caso de invasão. É importante dizer que uma
invasão não acontece do dia pra noite.

Falta de aperfeiçoamento tecnológico nas Forças Armadas

A CRÍTICA: Há previsão de descontingenciamento dos recursos do projeto
Calha Norte?
General Luis Cláudio Matto: Há pedidos e solicitações, mas não sei
dizer se há previsão. Nós somos, modéstia a parte, bons planejadores.
Para nós, o principal problema não é a quantidade de recursos, mas a
regularidade. O que acontece hoje é que se faz um planejamento e a lei
orçamentária contempla o Exército com recursos. Aí começa o ano e
aquilo tudo fica contingenciado. Não adianta ficar conversando ou
discutindo. Temos que tentar obter aquele recurso. O Chile tem a lei
do cobre que destina um porcentual de tributos às Forças Armadas.

A CRÍTICA: O senhor acredita que isso poderia ser aplicado no Brasil
com o Pré-Sal, por exemplo?
General Luis Cláudio Matto: Com certeza. É capaz de ter alguma coisa
do Pré-Sal voltada para a Marinha. Poderíamos ter um pra cada Força
Armada. Nós sabemos que é uma coisa que não aparece. Soberania não
aparece. Defesa é algo que não aparece. Isso já foi pensado e visto.
Vira Projeto de Lei. Mas na hora que bate no Congresso você imagina a
discussão.

A CRÍTICA: Então falta vontade política para destinar mais recursos
para as Forças Armadas?
General Luis Cláudio Matto: Poderia dizer que sim. Agora, tanto o
Executivo quanto o Legislativo, eles pensam na alocação dos recursos
de acordo com a sua vontade. Realmente, se houvesse uma vontade
política de aporte de recursos, com toda certeza, eles apareceriam.

A CRÍTICA: Seu antecessor, General Heleno, disse que as Forças Armadas
do Brasil estão obsoletas. O senhor concorda com ele? O que seria
prioridade no reequipamento das Forças?
General Luis Cláudio Matto: Concordo totalmente com o Heleno. Por isso
é que está acontecendo esse planejamento todo. Esse pensamento é para
tirar as forças armadas da obsolescência. Temos planos pra cada área.
Por exemplo, nós temos carência de blindados. Existe uma carência de
artilharia antiaérea e são perfeitamente aplicáveis na Amazônia.
Comunicações é outro exemplo. Nós conseguimos nos comunicar com todas
as nossas tropas, mas existe uma necessidade muito grande de um
aperfeiçoamento tecnológico nessa área.

A CRÍTICA: Como executar uma Estratégia Nacional de Defesa tão ousada
com um orçamento tão minguado? O senhor teme que isso fique no papel?
General Luis Cláudio Matto: Esse é o grande problema. Vai depender de
vontade política. Nós sabemos que nós não vamos poder colocar mais 28
pelotões de fronteira nesses 11 mil km da noite pro dia, mas nós já
tínhamos alguns desses pelotões planejados, então se não tivermos
dinheiro para os 28, vamos atender aqueles que já havíamos pensado.

A CRÍTICA: Fontes dos bastidores da Polícia Federal se queixam que,
apesar de ter mais gente e mais equipamento, o Exército não cumpre seu
papel de polícia na faixa de fronteira no combate ao narcotráfico.
General Luis Cláudio Matto: Se alguém falou isso é porque não conhece
a nossa missão constitucional. Não é missão do exército o combate ao
narcotráfico. Não é missão do Exército fazer missão humanitária,
ajudar na seca e nem nas cheias, mas quando tem uma tragédia, veja lá
se não tem um militar ajudando. O nosso dever é a defesa da Pátria.
Foi criada uma lei nos dando poder de polícia para nos dar segurança
quando, na fronteira, encontrássemos alguma ação suspeita, mas ninguém
sai do quartel para combater o narcotráfico. Nem na fronteira. Não
saímos do quartel pra fazer isso.

A CRÍTICA: Mas num cenário de relativa paz com nossos países vizinhos,
o narcotráfico não é considerado uma questão de segurança nacional?
General Luis Cláudio Matto: Não vejo como uma ameaça à nossa
soberania. É um mal que atinge o nosso País todo, mas não é segurança
nacional, é segurança pública. Quando o narcotráfico atingir a nossa
soberania, aí sim. Quando estiver incorporado a uma guerrilha que
avança sobre o nosso território, aí sim. O narcotráfico não é um
problema específico das forças armadas. Ele tem que ser combatido, mas
temos que ter gente pra fazer isso. Mas não é por isso que vai pegar o
Exército pra cumprir uma missão que não é nossa.

A CRÍTICA: Como o senhor avalia a política externa do governo brasileiro?
General Luis Cláudio Matto: Eu não posso te dar minha opinião como
militar. Posso apenas dizer o que eu acho. Eu acho que a gente poderia
ser menos flexível porque o Brasil é uma potência continental. Nós
poderíamos, em determinados momentos, mostrar a nossa cara. Somos
potência.

A CRÍTICA: O senhor acha que o Brasil poderia ter sido "menos
flexível" na invasão de instalações da Petrobras pelo exército
boliviano, por exemplo?
General Luis Cláudio Matto: Eu como brasileiro acho que poderíamos ter
sido mais firmes. Eu não posso concordar ou discordar da política
externa brasileira. Posso dar minha opinião e acho que poderíamos ter
sido mais firmes, mostrado a cara da grandeza do Brasil. Muitos não
têm noção da nossa grandeza. E não é grandeza militar, mas do País
como um todo. Talvez, se o Brasil usasse a sua cara e o seu poder como
grande País.enfim.eu conduziria diferente, mas isso é problema do
governo.


--
Ao redirecionar mensagem delete endereços anteriore e use a opção (Cco
- Com cópia oculta).
T.'.F.'.A - SEEELVA!

ENQUANTO POSSO


Enquanto posso

Jarbas Passarinho

Foi ministro de Estado, governador e senador



Duas hospitalizações por doenças graves, que em regra geral levam ao porto de onde se embarca para as viagens de que não há retorno, e ainda convalescendo pouco mais que precariamente, tento cumprir dois deveres, um fraternal e outro político-memorialístico, este quando ainda satisfaço ao teste de velhice inventado por Cícero.

O primeiro refere-se ao general Del Nero Augusto, que Deus nos levou faz cerca de um mês, quando minha enfermidade, dadas as restrições médicas, me impediram de saber a infausta notícia, a fim de poupar-me de abalo sentimental na ocasião. Tive-o agora. Perdi um amigo com a dor que se sente perder um pouco de nós próprios, daqueles que, por suas qualidades morais, Sheakespeare disse que à nossa alma devemos prender com colchetes de aço. Conheci-o no dealbar do terceiro milênio, quando tive a honra de prefaciar-lhe o mais bem escrito livro histórico que cobre os períodos de atuação extraconstitucional, ou não, dos militares ao longo dos momentos turbulentos da vida nacional.

Embasado em intimidade com a literatura marxiana e também antimarxista, descreveu as três tentativas armadas de os comunistas dominarem o Brasil. Ótimo que o tenha feito como advertência aos que o general Del Nero chamou de “jovens idealistas equivocados”, para não virem mais tarde a sofrer dolorosos arrependimentos, frutos da “paixão revolucionária” de que fala, amargurado, François Furet, no Passado de uma ilusão. Sereno, mas fiel às suas convicções, desprezou os fanáticos que são nutridos de ódio ideológico, o mais perverso dos ódios.

Deixa-nos o general Del Nero um exemplo de vida, acendrado amor à pátria e o dever de não desesperar da natureza humana, capaz de todas as grandezas e das mais baixas torpezas.

Acompanhei muito pouco — e felizmente — as ocorrências lastimáveis que têm dominado o noticiário sobre o Senado, que presidi em 1981/82, e onde, representando o Pará, desfrutei três mandatos. Dez anos fora dele passei na direção de quatro ministérios da República. De onde em onde, um ou outro debate provocava minha memória e despertava o desejo de manifestar-me. Inutilmente, depois que li, num de seus constantes improvisos, o presidente da República manifestar a suspeição que lhe causam os conceitos políticos expressados por idosos.

Venci o preconceito porque posso dizer, enquanto me resta o tempo de vida que Deus me concede, porque vivi intimamente o turbulento período marcado pelo ciclo militar, no qual tive a companhia de políticos da maior envergadura moral, definidos por Marx Weber como os que “vivem para a política e não da política”. Entre eles se destacava José Sarney, cujo currículo, para nós honroso, se iniciava com a origem entre os jovens, mas já respeitados democratas da “ bossa nova da UDN”. Nunca o vira contestado senão por adversários aliados a certo soba do Maranhão. Entre os que lhe são ainda aliados li algo que precisa ser desmentido em protesto dos fatos históricos indesmentíveis. Sempre voltados contra os militares, ousou o declarante inventar que José Sarney, se mais não fez pelo Maranhão e pelo Brasil, teria sido porque sempre sofreu oposição no ciclo militar, desde que, democrata inconsútil, protestou contra a edição do AI-5. Além de seu signatário, acompanhei de perto a discussão do Ato. Protesto respeitoso, que o presidente me mostrou a ler, fora de cinco senadores, tendo como 1º signatário Daniel Krieger.

Os radicais pressionaram ao máximo o presidente para cassar Krieger, mas ele jamais concordou. Todos continuaram na Arena. Rondon Pacheco, chefe da Casa Civil, da total confiança de Costa e Silva, me disse que nenhum outro tipo de protesto contra o AI-5 chegou ao presidente. Deve ser nisso que o intrigante levantou a falsa hipótese. Dois fatos outros destroem a leviandade. Testemunhei-os. No governo Geisel, houve decisão de refazer todo o Diretório Nacional da Arena. Duas vagas Geisel destinou ao Maranhão, uma especificamente para o senador Sarney, que recusou porque, para a outra, fora indicado Vitorino Freire, seu desafeto. Geisel, então, foi além de respeitar sua recusa. Provocou 18 renúncias no Diretório, para preencher uma única, a fim de reconvocar o senador e elegê-lo presidente da Arena. Haveria maior prova de apreço ao senador Sarney, se os chefes militares não o prestigiassem? Finalmente, outro testemunho vivido por mim. Ao fim das medidas de Geisel para a abertura, haveria de emendar a Constituição, revogando todas as medidas de exceção, particularmente o AI-5. Quem o governo escolheu para relator da emenda, senão o senador José Sarney?

Parabéns à Brigada



Aos militares e familiares de militares da brigada militar,
sargentos, soldados, cabos ou oficiais,(em cópia oculta)
saibam que a Brigada Militar do RS está agindo
certo no que tange as ações do MST.

Se a Brigada militar não pode entrar com munição "não letal"
então deve entrar com estilingues????
Não há nada de errado em suas operações.

Tenho pena das crianças que são usadas como escudos pelos
quadrilheiros, mas erra quem invade. Não quem cumpre a lei.
Lugar de criança não é em protesto. É na escola ou em casa.
Deveriam ser presos, já por esse crime.
Seguidos de invasão, depredação e resistência à ordem judicial.

Prova é o apoio da população nos comentários enviados à
Zero Hora de Hoje.

Não desanimem nem recuem, pois isso é apenas um exemplo do
que nos reserva o futuro com o PT no poder.

Marcelo Noll Prudente
Porto Alegre - RS

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Submarinos


CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA





Senhor Diretor de Redação,



Em relação à matéria “Submarinos de R$ 19 bilhões” (“Submarinos com preço no céu”), publicada em 15 de agosto, no jornal “O Globo”, na qual é abordado o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, a Marinha do Brasil (MB) esclarece os seguintes aspectos:



A matéria afirma que a construção do novo estaleiro e da base naval no litoral fluminense resulta de exigência do governo francês.

Ora, a construção de um estaleiro que atenda aos requisitos tecnológicos e ambientais essenciais, para que nele se possa construir um submarino de propulsão nuclear, bem como a de uma nova base naval capaz de abrigá-lo, constituem necessidades apresentadas pela Marinha desde o final dos anos 1970, quando deu início ao seu Programa Nuclear. Até a localização é a mesma que já havia sido selecionada pela MB, em 1993. Atribuir tais construções à hipotética exigência francesa denota desconhecimento, para dizer o mínimo. Essas obras são necessárias porque os referidos requisitos não são atendidos, hoje, por nenhum dos estaleiros existentes no Brasil. Além do que, a atual base de submarinos, por exemplo, localizada no interior da Baía de Guanabara, junto à ponte Rio-Niterói, sequer tem profundidade junto ao cais para permitir a atracação de um submarino desse tipo, além de não atender aos requisitos ambientais que se impõem.

Assim, a construção do estaleiro e da base constitui requisito indispensável para a fabricação e operação do submarino de propulsão nuclear, nada tendo a ver com “operação casada”. Por outro lado, como é evidente, não teria sentido uma construtora francesa ser mobilizada para realizar obras no Brasil, daí a necessidade de a DCNS (Directions de Constructions Navales Services) se associar a uma empresa brasileira, com a qual teve que estabelecer acordos de confidencialidade, por conta da tecnologia a ser transferida. A escolha da associada foi do livre arbítrio da DCNS, que, apesar da permanente ênfase em apontá-la como estatal, opera, de acordo com as leis francesas, como empresa privada. De sua parte, a Marinha nada tem a opor à escolhida. Afinal, cabe aqui a pergunta: que argumentos teria o Governo Brasileiro para recusar a contratação de um consórcio do qual faz parte a Odebrecht? Ou de qualquer outra grande construtora nacional?

Cabe esclarecer que qualquer que fosse a empresa selecionada pela DCNS como parceira para construir esse estaleiro, as obras seriam isentas de processo licitatório, como previsto em lei, em virtude das características de sigilo de que, obrigatoriamente, se reveste: são plantas de instalações nucleares militares, envolvendo características que não podem ser objeto de divulgação pública.



Releva notar, ainda, que, ao apontar o custo dos submarinos, o autor valeu-se de simplificações comprometedoras. Ao excluir do preço total (€ 6,8 bi) o preço do estaleiro e da base (€ 1,8 bi), dividindo o resultado (€ 5 bi) por cinco, acreditou ter encontrado o preço de cada submarino convencional (€ 1 bi). Ledo engano; esqueceu-se de que a proposta francesa inclui quatro submarinos convencionais, com respectiva transferência de tecnologia de construção; a transferência de tecnologia de projeto de submarinos, inclusive de seus sistemas de combate e de controle automatizado da plataforma; o projeto e a construção de um submarino de propulsão nuclear, cujo custo é muito superior ao de um convencional; e, finalmente, o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à fabricação de submarinos de propulsão nuclear (e convencionais) e de uma nova base naval, capaz de abrigá-los. A simplificação permitiu a conclusão falaciosa de que “cada embarcação custará pouco mais de duas vezes mais o valor da oferta feita anteriormente por uma empresa da Alemanha”.



No que concerne à transferência de tecnologia, há um contrato específico que detalha toda a tecnologia a ser transferida pelos franceses e absorvida pela Marinha. Há, ainda, um acordo de compensações (offset), estabelecendo as áreas tecnológicas que serão objeto de transferência para a indústria nacional, envolvendo, no momento, mais de trinta empresas brasileiras.



“MARINHA PREFERIA OUTROS SUBMARINOS”



Analisando por partes, deve ser inicialmente ressalvado que não existe proposta da HDW (Howaldtswerke Deutsche Werft), de outubro de 2007, para “fabricar mais cinco submarinos no Brasil, além de modernizar os cinco já existentes, por um total de 2,1 milhões de euros”. A afirmativa é tão inverossímil que não resiste à mais elementar aritmética, haja vista que, logo adiante, o autor conclui que “cada embarcação, portanto, sairia por 437 milhões de euros – pouco mais de duas vezes mais barata que os Scorpène”, sem se dar conta de que, de acordo com esses cálculos, a modernização dos cinco já existentes sairia “de graça”. Parece má fé, principalmente por tentar fazer crer que algo supostamente aprovado pela COFIEX em 2006 (essa data foi omitida) pudesse, de alguma forma, estar relacionado com uma proposta apresentada em outubro 2007. Em primeiro lugar, a COFIEX, na verdade, nada aprovou, posto que nada foi publicado no Diário Oficial da União. Depois, a proposta efetivamente encaminhada àquele órgão dizia respeito à modernização dos cinco submarinos existentes e a construção de APENAS UM submarino. Posteriormente, tendo a Marinha se decidido pela modernização dos seus IKL com sistemas americanos, a custo muito inferior do que aquele cobrado pelos alemães, a HDW apresentou proposta de substituir as modernizações pela construção de um segundo submarino, mantendo o mesmo custo inicial, isto é, € 670,97 milhões. Ademais, um fato até agora não mencionado, mas que releva notar, é que no preço dos submarinos alemães não está incluído o custo total da mão-de-obra de construção, posto que as obras seriam realizadas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), por funcionários de carreira da Marinha, sem o cômputo desses custos no preço dos submarinos.

Por outro lado, é verdade que, em 2005, a Marinha havia optado por construir um novo submarino de modelo da HDW, tanto que apresentou à COFIEX a pertinente proposta de financiamento, como já apontado. Mas, vamos aos fatos.

Desde 2004, em face da proximidade do término da construção do Submarino Tikuna, último dos IKL construídos no AMRJ, a Marinha, com vistas à manutenção das construções, tanto para não perder a tecnologia, quanto para repor os meios que dessem baixa, realizou estudos com vistas à seleção de um projeto de submarino que melhor atendesse aos seus requisitos estratégicos. Depois de criteriosa análise dos projetos existentes, foram selecionados três que, em diferentes graus, atendiam àqueles requisitos: o AMUR 1650, da Rússia, o IKL 214, da Alemanha, e o Scorpène, da França. Todos de mesma geração tecnológica.

Dos estudos, resultou que o projeto que melhor atendia à Marinha era o do Scorpène, não só por seu projeto tecnologicamente mais moderno, mas por uma série de outras características, particularmente, por seu maior intervalo entre manutenções, fator primordial para um País cujos interesses marítimos se estendem, prioritariamente, pela vastidão do Atlântico Sul.

Entretanto, naquela época, não havia qualquer perspectiva de se poder levar adiante o programa nuclear, - maior meta da Marinha -, que, à custa exclusiva do orçamento da Força Naval, desde 1996, vinha sendo mantido em estado quase vegetativo. Naquele contexto, a Marinha se viu forçada a propugnar por uma solução paliativa, pleiteando a construção de apenas mais um submarino. Nesse caso específico, tendo em vista a existência de cinco submarinos alemães, decidiu optar pela escolha do projeto do submarino IKL 214, da HDW alemã, buscando manter a mesma linha logística, por um lado, e, por outro, evitar que a escolha de projeto diferente, para a construção de uma única unidade, pudesse ensejar retaliações dos alemães, mediante o boicote de sobressalentes para os submarinos existentes, por exemplo. No início de 2006, a decisão foi tornada pública, com o já mencionado encaminhamento da solicitação de autorização de financiamento à COFIEX.

Depois de tomada essa decisão, a Administração Naval houve por bem dar conhecimento do fato ao seu público interno, mediante a publicação da informação no Boletim de Ordens e Notícias, como é praxe na Instituição.

Não obstante, no início de 2007, o Presidente Lula, depois de conhecer em mais detalhes o Programa Nuclear da Marinha, em visita às instalações do Centro Tecnológico da Marinha, em ARAMAR, decidiu assegurar recursos para a finalização do programa, possibilitando a retomada do processo que, ao fim e ao cabo, levaria à construção do submarino de propulsão nuclear, cujas tratativas estão, hoje, em vias de ser concluídas.

Essa, a grande e fundamental mudança havida. Graças à nova visão do mais alto escalão político do País, a Marinha não mais estava fadada a postergar seus planos relativos à posse de submarinos de propulsão nuclear.

Para levá-los adiante, contudo, não obstante ter logrado êxito na construção, faltava à Marinha a capacidade de desenvolver projetos de submarinos. Nesse mister, o caminho seguido pelas potências que produzem submarinos nucleares foi o de evoluir, por etapas, a partir do pleno domínio do projeto de convencionais, para o de um submarino de propulsão nuclear, cujos requisitos, em termos de tecnologia e controle de qualidade, superam de muito aqueles de um convencional. Assim, o caminho natural para o Brasil seria, da mesma forma, o de desenvolver sucessivos protótipos, até que se chegasse a um projeto capaz de abrigar uma planta nuclear. Como não se dispõe do tempo nem dos recursos necessários para tanto, a solução delineada pela Marinha, no intuito de – com segurança – saltar etapas, foi a de buscar parcerias estratégicas com países detentores de tais tecnologias e que estivessem dispostos a transferi-la. No nosso caso, tendo em vista o processo evolutivo indispensável, a parceria teria que ser buscada junto a países que produzissem, simultaneamente, submarinos convencionais e nucleares. Depois de longo e acurado processo de escolha, a França foi o país selecionado, porquanto seu único concorrente, a Rússia, não desejava transferir tecnologia, mas, tão-somente, vender submarinos, o que não correspondia aos interesses do Brasil.

É preciso enfatizar que somente quem constrói submarinos de propulsão nuclear tem condições de transferir a tecnologia necessária para tanto. Não basta saber construir submarinos, haja vista que a própria França, - que já construía submarinos -, levou 29 anos entre a decisão de construir um nuclear e ter o primeiro deles em operação. A Alemanha não constrói submarinos de propulsão nuclear e, portanto, por mais que o deseje, não tem como transferir tal tecnologia. Talvez por isso, o autor da matéria imagine ser possível construí-los no AMRJ, em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro.



Ainda a propósito, cumpre esclarecer que, diferentemente do que está dito na matéria, segundo a qual, além dos quatro submarinos convencionais, se está adquirindo “mais um casco que - daqui a 20 anos – viria a receber um reator desenvolvido pelo Brasil”, na realidade, o protótipo do reator estará pronto em 2014 e o submarino de propulsão nuclear brasileiro, em 2021. Algo diferente de “daqui a 20 anos”. Aqui, deve ser ressaltado que o reator nuclear e seus controles, que serão instalados no submarino de propulsão nuclear, serão totalmente projetados e fabricados pelo Brasil, com base no protótipo ora em construção pela Marinha. Essa tecnologia não será transferida pela França.



Quanto ao aspecto apresentado como curioso, de a França não empregar o Scorpène, de fato, não só a França, mas nenhum dos países ocidentais que operam submarinos de propulsão nuclear, como os Estados Unidos, o Reino Unido, a própria França e a Rússia, empregam submarinos convencionais. Apenas a China opera ambos os tipos de submarinos.



Quanto à opinião expressa pelo Deputado Julio Delgado, a Marinha já se colocou à disposição daquele parlamentar, desde 05 de agosto de 2009, para uma exposição completa de todo o projeto, de modo a que todos os esclarecimentos lhe sejam prestados e eliminadas todas as dúvidas. Até o momento, não foi encontrado espaço na agenda do deputado.



Atenciosamente,



CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Menina de ouro rumo a Harvard


Foto: Ernesto Carriço / Agência O DIA
Menina de ouro rumo a Harvard

Ex-aluna do Colégio Militar, moradora de São Gonçalo, de 18 anos, é a única brasileira selecionada este ano para estudar numa das melhores universidades do mundo. Ela terá bolsa integral para se formar em Engenharia
POR RICARDO ALBUQUERQUE, RIO DE JANEIRO

São Gonçalo - Uma gonçalense de 18 anos é a única estudante brasileiro aprovada para estudar na Universidade de Harvard, no EUA, este ano. E com bolsa integral. A façanha de Flávia Medina da Cunha é considerada tão especial que será tema de palestra de orientadores educacionais, hoje de manhã, no auditório do Colégio Militar do Rio de Janeiro, na Tijuca, onde ela cursou o Ensino Médio.




Foto: Ernesto Carriço / Agência O DIA
Na mesma época dos exigentes exames para Harvard, ela passou nos vestibulares da UFRJ, UFF e Uerj e na prova de admissão da Academia da Força Aérea (AFA). “Estudei tantas horas que perdi a conta de quantas”, confessa Flávia, que vai cursar Engenharia Química. Ela já havia começado o curso na UFRJ.

Fã da obra de Machado de Assis, ela precisou se debruçadar sobre livros especializados na cultura norte-americana. Flávia obteve ainda 90% de bolsa na Universidade da Pensilvânia. “Fiquei na lista de espera da Yale University, Duke University, Rice University e Tufts”, enumerou Flávia, cujos dois irmãos estudam na Escola Naval. Os pais, que são professores, estão orgulhosos, mas não escondem a preocupação. “O coração está apertado, mas ela é perseverante e carismática”, conta a mãe, Gilza da Cunha, 57 anos.

Em Harvard, a estudante terá alojamento, refeição e receberá US$ 3 mil (R$ 5,3 mil) por mês, além da oportunidade de emprego no campus. Flávia embarca hoje à noite no voo 860 da United Airlines. Na bagagem, a bandeira do Brasil e a medalha de Santo Antônio. No coração, a saudade de casa. “Não vou chorar”, avisa Flávia.

Carreira que Flávia vai cursar custa R$ 92,5 mil por ano

“Muita gente sonha em ir à Disney e realiza o sonho. Por que não sonhar em aprimorar os conhecimentos no exterior?”, lança o desafio o gerente de pesquisas do escritório da Harvard no Brasil, Tomás Amorim. Interessados em vaga na universidade em que estudou o presidente dos EUA Barack Obama devem acessar http://www.admissions.college.harvard.edu/apply/international/faq.html. É necessário fluência em inglês. Cursos como de Flávia custam R$ 92,5 mil por ano.

Colaborou Flávia Salme

Fonte: Jornal O Dia Online
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/8/menina_de_ouro_rumo_a_harvard_30260.html

Quem tem medo da doutora Dilma ?


Folha de S. Paulo de 16/08/2009.

DANUZA LEÃO

Quem tem medo da doutora Dilma?

VOU CONFESSAR: morro de medo de Dilma Rousseff. Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra. Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo. Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero); não me apavora andar de noite sozinha na rua, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito.
Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância.
Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo.
Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.
Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles, e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço. E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que está enfrentando a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os atuais funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disserem que eles devem dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira. A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera suas verdades, são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído.
Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar.
Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela -e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo -nem se explicitou-, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande.
Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas. Eles não falaram em 20 anos? Então ainda faltam 13, ninguém merece.
Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno

EMPREGOS E SALÁRIOS NO SENADO


Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 20/08/09.





Empregos e salários no Senado



Roberto Macedo



Há tempos o Poder Executivo federal, chefiado pelo presidente Lula, é criticado pela expansão desordenada do quadro de servidores e pelos pródigos aumentos de salários conferidos a boa parte deles, como às categorias com maior poder de barganha. Destaque-se também a criação de milhares de cargos providos sem concurso. No Senado, há indícios de que essas coisas são ainda piores.



Em números, segundo levantamento cedido pelo economista Ricardo Bergamini, no final de 2002 o Executivo federal exceto Defesa tinha 961.853 funcionários, e em março deste ano 1.074.348, levando assim a um acréscimo de 11,7% no período. Na Câmara, os números correspondentes foram 19.481, 20.692 e 6,2%, e no Poder Judiciário alcançaram 102.809, 116.353 e 13,24%. O maior acréscimo relativo aconteceu no Senado, de 7.673 para 10.949 servidores, um aumento de 42,7%!



Tanto na Câmara como no Senado, é de se perguntar o que (não) fazem com tantos servidores. A primeira mostra 40 servidores por deputado, e Senado há 135 por senador! Na mesma casa o aumento é tão inusitado como injustificável, pois mesmo relativamente à Câmara o número do Senado já era elevado em 2002, e ainda por cima veio esse enorme acréscimo. Mesmo que tenha decorrido de incorporação de terceirizados, o número por senador era e é absurdamente elevado.



O relatório apresentado na última terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratada para propor uma reforma administrativa da instituição, percebeu isso, ainda que tímido e ingênuo nas suas propostas. Procurou justificar o grande número dos servidores sem concurso, e viu mais excesso no quadro de carreira, onde propõe um corte de 20%. Este seria feito por meio de um PDV (Plano de Demissão Voluntária), à maneira dos adotados no setor privado. Contudo, dados os altíssimos salários, a aposentadoria integral e outras melhores condições de trabalho que prevalecem no Senado, pode-se prever baixíssima ou nula adesão ao plano. Alternativamente, a FGV sugere o aproveitamento do excesso em outros órgãos do governo. Se forem para o Executivo, relativamente ao qual também costumam ganhar mais, irão gerar demandas de isonomia por parte de seus pares, além de dificuldades de treinamento e de adaptação.



Quanto aos salários do Senado, em meio às muitas notícias sobre a crise por que ele passa, é chocante a informação (FolhaNews, de 18 deste mês), de que 350(!) de seus servidores têm salários maiores do que os dos ministros do Supremo Tribunal, recebendo mais de R$ 24.500,00 por mês, que é o teto definido pela Constituição para os servidores públicos. Mas, que teto furado é esse que novamente se mostra como uma daquelas leis que não pegaram, embora tenha resultado de uma emenda constitucional em 2005? Segundo a mesma notícia, os pagamentos que rompem o teto se sustentam em parecer da Advocacia Geral do Senado, feito um mês depois que essa emenda constitucional foi aprovada. Ou seja, a própria casa cuidou de dar sustentação jurídica ao que parece ser mais uma aberração.



Como deve haver mais coisas debaixo do tapete, seria o caso de publicar regularmente a remuneração individual dos servidores, tal como feito pelo prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo. Nessa como noutras áreas, o que o governo paga parece um gasto secreto, e Churchill já dizia que a luz do sol é um ótimo desinfetante.



No mesmo noticiário, houve várias referências a servidores que tiveram sua nomeação, remuneração e promoção definidas por atos secretos, e a menção deste jornal, em 14/8/09, de que o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo e Tribunal de Contas da União (Sindilegis), reivindica um plano de carreira para os efetivos da casa, o qual estabelece um “salário base” de R$ 18.976,80, para os servidores com curso superior em final de carreira, e de R$ 13.275,82 para funcionários do nível técnico nessa situação.



Segundo o presidente do sindicato, o propósito do plano é de igualar os salários do Senado aos do Tribunal de Contas da União. É o velho argumento da isonomia. Na realidade, uma categoria consegue de alguma forma levantar seus salários, e outras logo começam a gritar querendo a mesma coisa. Por que não pensar na isonomia relativamente a salários observados fora do governo?



O plano do Sindilegis custaria R$200 milhões por ano, mas seu presidente disse que esse valor seria menor do que a economia decorrente da extinção, que viria com o plano, da gratificação e das horas extras incorporados hoje aos subsídios de pelo menos 80% dos servidores efetivos. Ou seja, é uma forma de manter o que não deveria ter sido concedido.



O que se percebe desses números e informações é que a administração de recursos humanos no Senado revela-se completamente solta, sem uma determinação criteriosa das necessidades de servidores e das remunerações. Com isso prevalece a pressão de funcionários, à qual frequentemente sucumbiram e ainda sucumbem os senadores, na sua maioria pródigos ao distribuir benesses para seus próprios servidores. E não há qualquer punição para essa irresponsabilidade.



De um modo geral, tanto por vícios passados como por falta de bons exemplos de cima, essa má administração do número e dos salários dos servidores no governo federal chegou a tal ponto que já se marca como uma herança maldita para as administrações que se seguirão.



O cidadão, quando presta atenção, assiste bestificado a tudo isso, já que não tem representantes à altura de uma verdadeira república, capazes de coibir os abusos como os que vieram à tona. Além de pesarem no bolso do contribuinte, são privilégios que de um modo geral não têm paralelo nem na estabilidade, nem nas remunerações e tampouco nas condições de aposentadoria a que estão sujeitos os demais trabalhadores.





Roberto Macedo, é economista (USP e Harvard), professor associado à Faap e Vice-Presidente da Associação Comercial de São Paulo. e-mail: roberto@macedo.com

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

~LINA AOS LEÕES



Lina aos leões



Ernesto Caruso, 19/08/2009



O jeito de ser do PT transformou ontem o Senado, sem a presença de Incitatus — mas lembrou — em arena do Coliseu, reeditando o espetáculo, cristãos versus leões, onde a serenidade da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira teve que enfrentar a destemperança de alguns senadores da base política do governo Lula.

A senadora Ideli Salvati, do PT, depois de azeitar a sua fala e até pedir desculpa, disparou o dardo da agressividade: “VS mentiu na entrevista à Folha, ou está mentido agora.” Eis que Lina Vieira, sem perder a calma, respondeu que confirmava a entrevista com o que expusera naquele momento, diante da Comissão. A incompreensão da senadora repousa no fato do pedido da ministra Dilma Roussef para agilizar a investigação daquela instituição sobre o filho do senador Sarney, como exposto nas duas oportunidades e a expressão que se sucede, “para encerrar, logo”, como se esta tivesse o significado de suspender o processo. Lina Vieira de maneira alguma diz que a ministra mandou aprofundar ou sequer influir positiva ou negativamente na apuração, como entendi, mas não deixa de considerar uma intromissão descabida e desnecessária, pois ao retornar e verificar o processo, constata que a Justiça já determinara a agilização.

A ordem de atacar de Lula na véspera foi cumprida no evento, pois fizeram foco na agenda, algo que fosse apresentado por escrito, ao que Lina Vieira respondeu que para falar a verdade não precisa de agenda. Relata com pormenores desde o convite para uma reunião reservada, feito pela secretária Casa Civil, Erenice Guerra (já envolvida em outros escândalos) até o deslocamento por meio de transporte terceirizado, fácil de se verificar, chegada à garagem, etc..., completando, que não é fantasma, e tudo deve estar filmado pelas câmeras do Palácio. Reunião reservada, sabe-se lá com que objetivos, fora da hierarquia, rápida como dito, uns dez minutos, não deve constar em agendas.

O senador Mercadante levanta uma agressiva alternativa; a antiga auxiliar do governo, como secretária da Receita, mentiu quanto à reunião ou prevaricou por não denunciar a ministra pelo cometimento de falta grave, ao que Lina Viera confirma a solicitação da agilização do processo do filho do Sarney, sem emitir juízo de valor. O senador parecia enraivecido pelo tom de voz diante da serenidade.

Um outro ponto debatido foi a entrevista, como se a ex-secretária tivesse provocado por ter sido demitida do cargo. Disse que foi procurada pelos jornalistas e solicitada a confirmar a reunião com a ministra Dilma.

Sobre esse assunto, o senador Suplicy, muito sorridente e serpenteando por entre as palavras, perguntou se a ex-secretária não tratara da reunião com o seu marido, lá presente e adulado pelo senador, e que em conversa informal transmitira a existência da reunião. Escutou da questionada que ela aborda atividades do trabalho com familiares.

Sobre a Petrobrás respondeu ao senador Erasmo Dias que fora convidada para comparecer à Comissão de Justiça para debater a respeito da reunião com a ministra Dilma e não se preparara para responder ao quesito formulado, mas não recuou quando o senador Mercadante a desafiou nesse tema e aí o senador resolveu deixar para outra oportunidade. Diga-se que na CPI da Petrobrás a mestra tropa de choque rejeitou o requerimento de ouvi-la. Temem o quê, se foi tão desprezado o seu depoimento, pois com escárnio o senador Jucá, disse não tinha mais que estar presente, saindo de rompante.

Ao longo das inquisições, a ex-secretária diz não entender o por quê da negativa por parte da ministra Dilma sobre o encontro, mencionada com respeito, bem como sem uma crítica ao antigo chefe ministro Mantega, nem pelo fato de demiti-la.

Bastante pressionada, não consegue se lembrar da data da ocorrência, mas que foi no fim de 2008. Daí a confusão provocada referente aos objetivos da ministra no ano passado, naturalmente diverso deste momento quando vêem à tona as denúncias dos jornais contra Sarney e vivida a fase da defendê-lo; naquela época não.

Sarney foi eleito em 2 fev de 2009, mas as possíveis candidaturas apareceram em outubro de 2008, a de Tião Viana do PT, logo definida, e a de Sarney pelo PMDB.

Embora a transparência lulopetista divulgasse que Tião Viana e Sarney satisfizessem a base governista, claro que Tião Viana atenderia em melhores condições os objetivos para as eleições de 2010, sem ter que barganhar nada com o PMDB. Mas, por baixo dos panos não agem assim...

As notícias antecedentes à eleição efetiva demonstram o que foi feito e as intenções.

Em 29 Dez 2008, extraído do Estadão: “Brasília - A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), informou hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a candidatura do senador Tião Viana (AC) a presidente do Congresso está mantida. Ideli e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disseram a Lula que o senador José Sarney (PMDB-AP) não deve entrar na disputa. "A nossa avaliação é que está mantida a posição do senador Sarney, de não ser candidato" disse ela.”

Em 21 Jan 2009, da Agência Brasil, Ivan Richard: “Brasília - A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), afirmou hoje (21) que a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado é irreversível. A senadora lamentou a decisão do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) de entrar na disputa, após declarar várias vezes que não seria candidato. “Estamos em uma situação política que não foi criada por nós. Lamentamos que a situação tenha chegado a esse grau de constrangimento”, disse a líder petista, argumentando que a candidatura de Viana surgiu porque Sarney, desde novembro, vem afirmando que não seria candidato. “As declarações do Sarney eram públicas e notórias. Só para o Tião foram cinco vezes, olho no olho”, disse Ideli. “Estamos mantendo nosso acordo na Câmara e não temos como recuar agora, ainda mais com partidos anunciando apoio, como o PDT e o P-SOL. Agora, vamos para o voto”, completou.”

Logo, a vontade da ministra, quando de forma simplista pediu para agilizar a investigação sobre o filho de Sarney, que alguns entenderam como para abafar e defender o senador Sarney na fase crítica atual, no fim do ano passado era o contrário, orquestrado com outros órgãos investigativos: impedir a sua candidatura à presidência do Senado.

Agora, o governo Lula não tem outra saída, deve assegurar a presidência com Sarney com todas as armas e artimanhas, e não correr riscos neste final de 2009 e entrar na reta final das eleições em 2010, com Maquiavel de saia.

As apurações são meros trunfos, cartas na manga, usadas em cada oportunidade contra quem os desafia, particularmente contra os aliados que precisam ser alijados.

O PATRIOTA






O Patriota Coronel Carlos Fontoura Rodrigues



Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 17 de Agosto de 2009



“Portanto, ao mesmo tempo em que encaminhamos um voto de louvor, um voto de solidariedade a esse cidadão, queremos encaminhar também um voto de repúdio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que de maneira desordenada e desrespeitosa decidiu atingir a honra de todos os cidadãos brasileiros e, especialmente, o Brasil”. (Marco Peixoto - PPB)



Faleceu o Coronel Carlos Fontoura Rodrigues, um guerreiro destemido que se tornou nacionalmente conhecido quando enfrentou, sozinho, os famigerados integrantes do mst (em minúsculas mesmo), em Santana do Livramento, quando estes se propunham a arriar a Bandeira Nacional e em seu lugar hastear a do mst. Forjado na boa tempera de outrora que não aceita provocações de apátridas baderneiros, o Coronel se interpôs entre a turba frenética e o mastro da bandeira e defendeu a Honra Nacional usando apenas seu corpo como escudo frente aos insanos manifestantes.



Vá em paz caro amigo e esteja certo de que lançaste uma semente que certamente vingará nas almas mais férteis.



Reproduzo abaixo, na íntegra, o artigo do Deputado Júlio Redecker, publicado na ‘Zero Hora’, em março de 2007, relatando o fato.



- Resistência e amor à bandeira

(Júlio Redecker - Deputado Federal - PPB/RS - Zero Hora)



"Na primeira noite eles se aproximaram e roubaram uma flor de nosso jardim e não dissemos nada; na segunda noite já não se esconderam, pisaram e mataram o nosso cão e não dissemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entrou sozinho em nossa casa, roubou-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arrancou-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer mais nada." (Vladimir Maiakovsky - Fragmentos).



“- Aqui não, aqui não! Este é o símbolo nacional de nosso país. Ninguém toca.



Com essa simples frase, mas carregada de simbolismo, diante da tentativa dos cerca de 2,5 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) de arriar a Bandeira Nacional e hastear em seu lugar a bandeira do MST, o senhor Carlos Fontoura protagonizou em Santana do Livramento uma das mais belas e impressionantes declarações de amor à pátria.



Agarrado ao mastro em frente à sede da agência do Banco do Brasil, do alto de seus 73 anos, ‘seu’ Fontoura disse com seu gesto aquilo que todos gostaríamos de dizer àqueles que confundem manifestação com baderna, pátria com governo: estamos cansados dessa estratégia de criar factóides às custas de inocentes e valores que nos são caros. Dessa vez, não esperamos que nos arrancassem a voz, e isso, a cada dia, tem sido uma constante na sociedade brasileira.



Em diferentes pontos do Brasil, nosso povo tem dado mostras dessa indisposição, quer seja por meio de artigos em jornais, quer seja por manifestações voluntárias e apartidárias, como foi essa última na Fronteira.



Se a Brigada Militar, por ordem daqueles que comandam a segurança pública no Rio Grande do Sul, está impedida de atuar e coibir os excessos, cabe à sociedade reagir. E ela o tem feito à sua maneira, de forma pacífica, sem arroubos, porém, sem abrir mãos de seus valores.



Para aqueles que bloquear agências bancárias e estradas, impedir o acesso de servidores públicos a prédios federais, saquear supermercados e invadir terras parece não ser mais suficiente, nossa gente tem dado demonstração de que até mesmo a baderna tem limites.



O Brasil, sim, tem feito gigantescos esforços para saldar sua dívida social, e nesta fatura esta incluído o campo. É incontestável o trabalho exaustivo pela melhor distribuição da terra. Somente, de 1994 para cá, fez-se mais do que em todos os anos da República, com o assentamento de 500 mil famílias. Ver essa realidade incontestável, no entanto, não é de interesse de alguns setores, que insistem em responder com agressividade a qualquer tentativa de paz no campo. Mas esses os brasileiros já identificaram quem são. E não têm mais aceitado de boca calada. Até porque não iremos esperar que arranquem nossas vozes”.





Solicito Publicação



Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

O CONVITE




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O CONVITE

O Brasil inteiro (?) já sabe, o que todos os céticos como nós já sabíamos, de que “O Congresso Nacional é o Mausoléu da Justiça”, e que o seu Presidente é inexpugnável.

O indecente senador sem – voto, o famigerado Duque, um néscio por vocação e poltrão por opção, arquivou todas as onze Representações contra o seu patrão. Poderia ter disfarçado, acatando uma ou duas, mas qual. De uma canetada expurgou a todas, sem dó e sem o menor prurido de vergonha.

Se acatasse, sabemos que qualquer das Representações estaria natimorta, pois a parcial e venal Comissão de Ética, composta por imensa maioria pró – bandalha, inocentaria o potentado do Maranhão com a mesma falta de escrúpulos demonstrada pelo nefando Duque.

Caso não bastasse, o Presidente, ainda, disporia de outros guarda - chuvas protetores que o salvaguardariam, facilmente, de qualquer tipo de sanção. Ou seja, ele possui o salvo - conduto da impunidade.

Agora, circula à larga e, ostensivamente, para aumentar a blindagem do excelso Senador, o convite àquela autoridade para a Solenidade de Entrega do Espadim de Caxias. Pobre Caxias. Pobres cadetes que despendem quatro anos de sua existência na “fictícia” Academia. Tão prestigiados pela presença de vetustas e imponentes autoridades e tão desvalorizados funcionalmente.

Particularmente, não sabíamos que aquela Solenidade, embora revestida de pompas e circunstâncias atraísse tantas e tão magnificentes autoridades. Por isso, embora estranhando, não podemos deixar de admitir que o convite fosse dirigido, formalmente, ao Presidente do Congresso Nacional.

Cremos que estamos diante de um velho e surrado problema, como é o caso da Concessão de Honras e Medalhas a conhecidos valhacoutos e a inimigos das Forças Singulares, honrarias que alguns companheiros justificam, sem um rubor nas faces, de que são dirigidas ao cargo, à função exercida pelo (a) sacripanta, e não à pessoa.

Desnecessário, é destacar o óbvio, de que muitas vezes será impossível premiarmos um canalha, impunemente, apenas por ele exercer esta ou aquela função (em geral passageiras).

Alguns complementam seus argumentos, alegando que a autoridade tem sido simpática aos militares ou que talvez libere verbas ou pedidos de interesse das Forças. É verdade, na prática temos sido cobertos de benesses (?) decorrentes destes afagos (será que poderia ser pior e nós não sabemos?), de praxe, perfeitamente dispensados pelos homenageados.

Seria o convite uma formalidade? Estava o Presidente do Congresso na lista? Caso positivo e provável, por que não enviar o convite, simplesmente, por meio dos correios?

Não seria o caso de repensar as listas ou de, sendo o dono da festa, “colocar as barbas de molho”?

Ao convidar o Presidente do Congresso, Sarney ou não, a Instituição, do alto de sua credibilidade junto à opinião pública, queira ou não, com ou sem qualquer intenção, empresta a quem ocupa o cargo, um incauto aval.

Por derradeiro, lembramos que a boa fé exclui a mentira, mas não o erro.

Ou, ainda, mais uma vez, seremos soterrados pela ingenuidade.

Não repudiamos o convite, apenas lembramos que o momento impõe redobrada cautela.



Brasília, DF, 17 de agosto de 2009



Gen. Bda Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira