Notícias Militares

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

UM HERÓI DO ARAGUAIA



UM HERÓI DO ARAGUAIA
Cabo Odílio Cruz Rosa
Hás de voltar, meu filho! E não voltaste.
Pelo bem do País que tanto amaste
o teu corpo caiu, morreu teu passo.
De tua mocidade generosa
ficou somente a farda gloriosa
tinta de sangue. E o capacete de aço.
Tua mãe chora sempre a tua falta.
Árvore frágil para ser tão alta,
a precisão de um tiro traiçoeiro te cortou
as promessas risonhas de fartura,
o desejo de glória ou de ventura,
o civismo sem par que te abrasou
(Oliveira Ribeiro Neto)
Jorge Alberto Forrer Garcia – Coronel R1
Um preito de reconhecimento.
Aprendi, desde as primeiras letras e ainda nos bancos da catequese, que
todas as pessoas são iguais em essência. Por isso, ao acompanhar o
noticiário sobre a busca de ossadas humanas na região onde houve a
guerrilha do Araguaia, causa-me estranheza a forma desigual como são
tratadas as personagens daquele episódio histórico.
Os jovens integrantes de organizações de esquerda que lá estavam para
instalar um foco guerrilheiro, por influência de seus chefes partidários,
pensavam derrotar a chamada “ditadura militar”, a fim de “restabelecer a
democracia” no Brasil. Na verdade, era a senha para a implantação sim de
uma forma radical de comunismo, fosse aos moldes da China, de Cuba ou,
surpreenda-se, até da Albânia.
Hoje, aqueles jovens são tidos pela imprensa como “idealistas fuzilados
pelo Exército”, num endeusamento que já vem de anos. Como se, dentre as
forças em presença, só a eles fosse concedida a prerrogativa de serem
heróis e idealistas.
Pouco ou nenhum caso é feito para com os militares de todas as Forças que
para lá seguiram a fim de debelar o foco guerrilheiro. Desta forma,
torna-se digno de nota que a chamada grande imprensa não procure destacar
as condições nas quais foi morto o Cabo do Exército Odílio Cruz Rosa – o
Cabo Rosa – que, este sim fuzilado pelos guerrilheiros treinados em
Pequim/China e Cuba, veio a ser a primeira vítima fatal da guerrilha,
apanhado numa emboscada desencadeada pelos “idealistas”, morrendo a oito de
maio de 1972.
O Cabo Rosa, justamente por ser Cabo, também era jovem. Tinha pai, mãe,
irmãos, amigos. Tinha gostos, aspirações, preferências, torcia por um time
... E por que então não é resgatada a sua história de vida ou, pelo menos,
as circunstâncias de sua morte? Certamente, não daria muito trabalho à
imprensa. Sua história seria fácil de contar, pois, afinal, foi uma vida
simples, sofrida como a de tantos outros jovens brasileiros. Porém, foi
curta, interrompida bem cedo, pelo chumbo dos idealistas, estes, por sua
vez, já retratados em vários filmes patrocinados com verbas públicas. Para
ser justo, devo destacar o estudo da vida do Cabo Rosa feito pelos
jornalistas Thais Morais e Eumano Silva em livro do ano de 2005, mas que,
por seu preço elevado, ficou confinado a um grupo restrito de leitores.
Acredito que boa parte das pessoas que procuram informar-se pelos jornais
gostaria de saber como está vivendo, se ainda viva, a senhora mãe do Cabo
Rosa, com a mirrada pensão militar que o filho falecido lhe legou. Como
estão seus irmãos e amigos, que não tiveram a oportunidade de se
auto-exilarem e formarem-se em cursos superiores de elevado nível no
exterior?
Ou considera-se que, em essência, a dor e a saudade dos familiares do Cabo
Rosa são menos dolorida e sentida que a de outros?
O Brasil não nasceu quando os jovens jornalistas atualmente em serviço
terminaram suas faculdades, nem nasceu com o fim dos governos
revolucionários pós-1964. O Brasil nasceu bem antes e construiu sua
História ao longo dos séculos, criando, desenvolvendo, aperfeiçoando e
tornando permanentes certas instituições, como a Justiça, por exemplo; como
as Forças Armadas, por exemplo; como o Exército Brasileiro, por exemplo.
Por isso, quando os militares receberam a missão de neutralizar o foco
guerrilheiro, não saíram por aí qual um “bando” de facínoras que fuzilava
idealistas. Integravam sim uma força armada legalmente constituída e
taticamente organizada, em combate – destaco: combate - contra uma outra
força, também armada, que lhe opunha resistência.
Se a força guerrilheira (e ela própria assim se intitulava) era mal armada,
mal alimentada, mal vestida, mal suprida, enfim, mal comandada, quem deve
responder são os ícones partidários. Alguns já são falecidos, mas outros
estão aí, bem vivos. Quem sabe eles, ou seus partidos políticos, possam
também ser acionados judicialmente e responsabilizados pelas mortes dos
idealistas insidiosamente afastados de suas famílias e enviados para o
Araguaia?
Tomo o caso do Cabo Rosa como emblemático. Sei de outros militares que
combateram a guerrilha – tanto na cidade como no campo – que foram mortos
ou feridos, e há ainda aqueles aos quais os jovens idealistas não
concederam nem o supremo orgulho de morrerem combatendo, matando-os à
traição. Todos tinham famílias. Como elas estão hoje?
Senhores, “Cabo Rosa” não é apenas o nome de uma clareira perdida na mata,
onde, conforme os jornais, militares fuzilavam idealistas. “Cabo Rosa” é
nome dado pelo Exército a uma base de instrução especializada localizada às
margens da Rodovia Transamazônica, onde “outros jovens idealistas” são
muito bem treinados na arte da guerra na selva. “Cabo Rosa” é, antes de
tudo o nome de um verdadeiro herói. E o Exército cultua seus heróis.
Ou, modernamente, ser herói é uma questão partidária ligada ao pensamento
“politicamente correto”?
O que diriam a “Dona” Olindina e o “Seu” Salvador, pais do Cabo Rosa?
Os filhos dos outros são tidos como heróis. E o filho deles? Não?
Se a todos os idealistas e familiares for concedida certa reparação
econômica, a família do Cabo Rosa também será contemplada?
22 de julho de 2009
Jorge Alberto Forrer Garcia – Coronel R1

Um comentário:

NORTON disse...

Valeu meu amigo!!!!Parabéns pelas colocações .